A perspectiva de que a economia mundial deve desacelerar e arrastar para baixo a demanda por petróleo continuou pesando sobre os preços da commodity nesta quarta-feira (7), e devolveu o valor do barril a níveis vistos pela última vez no início de fevereiro.
Nesta quarta-feira (7), o o preço do petróleo tipo Brent – a referência para o mercado internacional – negociado na ICE fechou em queda de 5,2%, para US$ 87,99 o barril.
Esta é a primeira vez em que o petróleo é negociado abaixo de US$ 90 desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro.
O início do conflito gerou receios de escassez de uma série de commodities e provocou a valorização destes produtos. O petróleo foi um deles, e chegou custar quase US$ 140 o barril nas primeiras semanas da guerra.
De lá para cá, no entanto, o cenário mudou. Primeiro porque a oferta de petróleo não diminuiu tanto quanto se previa. Depois, porque a alta de juros em grandes economias e as medidas da China para conter a Covid-19 levaram o mercado a baixar as expectativas tanto para o crescimento da atividade quanto para a demanda mundial por energia.
Neste contexto, a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), que ao longo do primeiro semestre foi pressionada a aumentar mais rapidamente a produção de petróleo, anunciou na segunda-feira (5) um corte na oferta, na tentativa de conter a queda nos preços.
O cartel queria sinalizar ao mercado que está disposto a agir para evitar uma desvalorização brusca do petróleo, mas aparentemente a mensagem ainda não surtiu efeito, disse o banco holandês ING, dado que os preços seguiram caindo.
“Se esta pressão negativa continuar, não podemos descartar que a Opep+ faça uma reunião de emergência”, afirmou.
O ING acrescentou que a própria Opep+ parece estar absorvendo a perspectiva de preços baixos. A Arábia Saudita, representante mais influente do grupo, anunciou mais cedo um novo corte no preço do petróleo vendido à Europa e à Ásia.
Nem todos no mercado, porém, acreditam que os preços do petróleo continuarão baixos como agora. O banco suíço UBS, por exemplo, é do time que espera recuperação no valor do barril para perto de US$ 125 até o final do ano.