Petróleo está mais barato, mas UBS vê três motivos para preço voltar a subir

Uso da commodity para geração de energia elétrica é um dos fatores que podem impulsionar preços

Foto: Shutterstock

Depois de caírem mais de 20% desde o pico mais recente, em junho, a tendência dos preços do petróleo é subir de novo. A previsão é do banco suíço UBS, que dá três motivos para esperar uma valorização da commodity.

Os preços do petróleo estão caindo nos últimos meses por receios com a desaceleração da economia mundial e da demanda pela commodity.

A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos é o principal fator por trás do pessimismo do mercado. Mas os investidores também temem que as medidas da China para conter a Covid-19 e a crise de energia na Europa afetem o crescimento global.

O UBS, no entanto, acha que os investidores estão dando ênfase demais a fatores negativos e deixando de lado elementos que podem resultar na valorização do petróleo.

O banco acredita, por exemplo, que mais países começarão a usar o petróleo como fonte para a geração de energia elétrica.

“O petróleo raramente é usado como fonte de eletricidade, dado o preço relativamente alto em relação ao gás natural e ao carvão. Isso está mudando por causa do aumento nos preços do gás, que na Europa foi de mais de 300% nos últimos 12 meses”, disse o UBS.

Em termos práticos, o preço para se gerar eletricidade a partir do gás natural na Europa hoje é de 220 euros por MWh (megawatt-hora). Feitas as devidas conversões, isso corresponderia a um mercado em que o barril de petróleo custa US$ 375, diz o UBS. No mercado à vista, porém, o barril está custando US$ 95.

“A demanda por geradores de eletricidade a diesel aumentou. Esta tendência deve compensar parte da fraqueza na demanda decorrente da desaceleração na economia global” e também foi em grande parte o que motivou o aumento na previsão de consumo de petróleo em 2022 feita pela Agência Internacional de Energia, segundo o UBS.

O banco também acha que a China deve aumentar as importações de petróleo, que estão em níveis baixos por questões “atípicas”, porque espera retomada na atividade do país nos próximos meses.

Por último, o UBS considera que oferta de petróleo deve diminuir até o final do ano.

Isso ocorreria em parte pelo fim da venda de reservas estratégicas dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que removeria 1 milhão de barris por dia do mercado a partir de novembro.

Além disso, em dezembro a Europa deve efetivamente parar de importar petróleo da Rússia e aumentar as compras de outros fornecedores, agindo como se na prática cerca de 3 milhões de barris por dia deixassem de estar disponíveis no mercado.

“Então, achamos que o preço do Brent deve terminar este ano perto de US$ 125 o barril. A perspectiva positiva para o petróleo é o que dá apoio à nossa preferência por ações do setor de energia”, acrescentou o UBS.,

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