Embora tenha tido um segundo trimestre de saltar os olhos, juntamente com o anúncio de dividendo adicional, que agradou ao mercado, a Petrobras (PETR4; PETR3) já está pensando no segundo semestre e fez compra antecipada de diesel para garantir o abastecimento interno.
Durante teleconferência de resultados, Cláudio Mastella, diretor-executivo de Comercialização e Logística da estatal, afirmou que a operação é coerente com o alerta que a empresa fez entre o final do primeiro e o começo do segundo trimestre.
“Ainda enxergamos com cautela o diesel por conta do aumento da sazonalidade da demanda no segundo semestre, devido a paradas programadas de refino nos Estados Unidos e Caribe por conta de furacões. Estamos constantemente avaliando o mercado. Hoje, não temos dificuldade de adquirir diesel da Ásia, Índia e EUA”, afirmou.
Em relação a previsibilidade de preço para o restante do ano, Mastella ressaltou que há um cenário de manutenção do patamar dos derivados, em especial o diesel, principalmente com o inverno no Hemisfério Norte.
“O diesel deve ficar nesse nível (mais ou menos US$ 1,55 o galão) ou até mais forte. Caso se confirme uma forte recessão global, o mercado andará de lado até o final do ano.”
Papel do conselho na supervisão da política de preços
Após uma dúvida generalizada sobre a “nova diretriz” da política de preços da Petrobras, anunciada no começo desta semana e que não deixou claro se os conselhos de administração e fiscal podem ter poder de veto no reajuste dos combustíveis, a diretoria executiva tratou logo de esclarecer o fato na teleconferência de resultados.
De acordo com Salvador Dahn, diretor-executivo de Governança e Conformidade da Petrobras, o conselho de administração não terá poder de vetar nenhuma decisão a esse respeito.
“A diretriz anunciada traz aprimorando e cria uma camada de supervisão que é parte do conselho. O papel é de monitorar e não tem poder de veto, quem faz a política [de preços] e quem implementa é a diretoria executiva”, disse.
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Dividendo e fluxo de caixa
Outro tema de grande pertinência na teleconferência foi o dividendo da estatal. Rodrigo Araujo, diretor-executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, explicou que o pagamento do provento leva em consideração o fluxo de caixa livre.
“O que fazemos é modelar os 12/24 meses de spread, ou seja, fazemos uma análise de risco e levando em consideração o comprimento da fórmula, que é distribuir 60% do fluxo de caixa livre, fazemos a distribuição.”
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Que a empresa tem gerado muito caixa ultimamente é nítido, portanto, a dúvida que fica é o tamanho ideal desse caixa. Araujo afirmou que o ideal para a companhia é trabalhar com uma faixa entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para manutenção da operação.
No entanto, caso necessite de liquidez imediata, a Petrobras possui linhas de créditos aprovadas com custo baixo, de acordo com Araujo.
Utilização das refinarias
Quando o assunto é derivado de petróleo, o fator de utilização das refinarias é item fundamental para garantir o abastecimento de diesel, gasolina, etanol, dentre outros. Portanto, a forma como a petrolífera gere isso é muito importante.
Rodrigo Costa, diretor-executivo de Refino e Gás Natural da empresa, informou que o nível de utilização segue em alta, assim como o visto no segundo trimestre, e que fechou esta quinta-feira (28) em 99% da totalidade.
Esse patamar é superior ao máximo atingido no segundo trimestre, que foi de 97%, ao fim de junho. O número mostra que a Petrobras vem aumentando sua produção nas refinarias, sobretudo de diesel, diante de um cenário de incerteza nas importações.
“O terceiro trimestre começou forte no refino e julho deve fechar com fator de utilização média de 94%. Se considerarmos as refinarias disponíveis, o fator no segundo semestre deve ser de 94% a 95%. Mas, levando em consideração as manutenções nas refinarias, esse fator no segundo semestre será de 86%”, explicou Costa.
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