Oi (OIBR3) dispara 9% antes de encontro com Cade; decisão sobre Oi Móvel se aproxima

Presidente do Cade se encontra com o time jurídico da Oi nesta terça-feira

Foto: Divulgação

Aproximando-se de um dos momentos mais importantes da sua história, as ações da Oi (OIBR3; OIBR4) disparam mais de 9% por volta das 16h do pregão desta terça-feira (18), após atingirem alta de 15% no início do dia. Investidores aguardam os desdobramentos da venda da Oi Móvel, um dos planos de sua recuperação judicial, instaurada em 2016.

No fim da tarde desta terça, o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Cordeiro Macedo, se encontrará de forma virtual com o time jurídico da Oi e com o CEO Rodrigo Abreu, entre outros diretores.

O encontro entre a tele e a autarquia acontece logo após o Conselho de Administração da Oi aprovar a convocação de assembleia geral extraordinária (AGE) para o dia 27 de janeiro. O intuito é deliberar acerca da proposta de incorporação das sobras da Oi Móvel, promovendo mais eficiência tributária sobre os ativos do grupo.

Coincidentemente, um dia antes, em 26 de janeiro, o Cade realizará uma sessão extraordinária de julgamento — convocada por Cordeiro. Os trabalhos da autarquia neste ano começariam apenas em fevereiro. 

A pauta da sessão será divulgada na próxima quinta-feira (20), e o mercado avalia que pode se tratar da venda da operação móvel da Oi.

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Os ativos da Oi Móvel foram arrematados em 2020, por R$ 16,5 bilhões, pelo consórcio Claro, Tim (TIMS3) e Telefônica (VIVT3). A área técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) manifestou-se de forma favorável ao negócio, com a aplicação de remédios para evitar a concentração de mercado.

Pressão no caixa faz Oi pedir urgência na análise

Na visão da Oi, a decisão definitiva da Anatel não deve demorar a acontecer. Contudo, para acelerar o processo (que está previsto para acabar em março), o time jurídico da tele solicitou à Justiça um ofício à Anatel para requerer informações sobre o processo de análise do negócio.

Em novembro do ano passado, o Cade aprovou a prorrogação do prazo de análise da venda da Oi Móvel, esticando até fevereiro.  

A Oi tem pressa pois 2022 já prevê a queima de caixa. O negócio móvel tem exercido forte influência sobre as operações, principalmente em função dos custos gerados pela inflação e efeito câmbio adverso.

Em live promovida pelo BTG Pactual no mês passado, Abreu disse que “2022, até o início de 2023” ainda será um período de consumo de caixa.

Os últimos meses de 2021 da Oi devem mostrar um aperto na situação de endividamento e caixa. Em outubro, a geração de caixa da companhia foi negativa em R$ 136 milhões.

Deterioração do caixa da Oi nos últimos anos

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Ao fim do terceiro trimestre, a companhia estava com R$ 4,13 bilhões em caixa, queda de 27,3% na comparação com o mesmo período de 2020. A dívida líquida, por sua vez, totalizava R$ 29,89 bilhões, um número 16,4% maior na comparação trimestral. 

A venda da operação móvel, além de representar um alívio nas contas da empresa, é um passo importante para sua retomada. Segundo a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a Oi tem até 31 de março deste ano para sair da recuperação judicial. 

Quem pode azedar o processo

Nelson Tanure, ativo empresário e investidor de companhias em situações delicadas, tem tentado melar o processo de venda da Oi Móvel, segundo a revista Veja

Embora a Justiça já tenha autorizado o negócio, intermediários compareceram ao Cade no fim do ano passado para tentar convencer os responsáveis pela autarquia de que a decisão não foi correta.

Tanure já fez parte do Conselho de Administração da Oi e foi retirado do cargo por determinação da Anatel, em 2016. Ele também participou do Conselho Fiscal da Pharol (antiga Portugal Telecom) a partir de junho de 2017, quando a empresa portuguesa detinha 22,4% da Oi. Tanure deixou esse cargo no início de 2020.

Segundo a Veja, a Secomtel/Copel, de Tanure, não participou do leilão da Oi Móvel, mas estaria interessada em arrematar a companhia. A viabilidade e a sustentabilidade da tele no médio prazo dependem diretamente das vendas das subsidiárias. 

A visão do mercado para a Oi

Dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, remetem a cinco analistas que acompanham a Oi. Nenhum deles recomenda a venda dos papéis ordinários (OIBR3).

Três indicam a compra das ações no atual patamar, ao passo que dois entendem ser o momento de esperar e manter a empresa em carteira. 

O preço-alvo mediano aponta para R$ 1,65. No melhor dos casos, segundo os analistas, as ações poderiam subir até R$ 2,30, upside de 173%. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

As ações da Oi caíram 65% em 2021 e sobem cerca de 1% em janeiro. A empresa vale R$ 5,46 bilhões na B3.

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