Os investidores da Lojas Renner (LREN3) amanheceram de mau humor nesta sexta-feira (4), após analisarem os resultados que a empresa apresentou na noite de quinta-feira (3) para o terceiro trimestre.
Por volta das 11h50, as ações da companhia estavam entre as maiores quedas entre os ativos que fazem parte do Ibovespa, com queda de 3,68%, a R$ 29,35.
O principal destaque negativo foi o impacto do inverno prolongado nas vendas da companhia, que se refletiu em dois efeitos práticos.
No primeiro efeito, como as temperaturas ficaram mais frias antes do esperado, parte das vendas de roupas de inverno que normalmente ocorrem no terceiro trimestre ocorreu no segundo trimestre. Essa antecipação se deu em 5% das vendas, estima a Renner.
No segundo efeito, como as temperaturas continuaram mais frias por mais tempo e se estenderam pelo terceiro trimestre, a coleção de roupas que marca a transição para a primavera vendeu menos que o normal.
Como resultado, as vendas da Renner cresceram menos no critério “mesmas lojas”, que desconsidera as unidades abertas recentemente. Nesse recorte, o faturamento teve avanço de 7,9% ante igual período de 2021, que, por sua vez, havia crescido 35,9% ante o ano anterior. O ritmo de alta, portanto, ficou quatro vezes menor.
“Entendemos que o cenário vivenciado pelo setor de vestuário no terceiro trimestre foi mais adverso do que projetávamos, o que implicou em maiores desafios à Lojas Renner e em um resultado menos empolgante”, escreveu a analista Georgia Jorge, do BB Investimentos, em relatório a clientes.
Outro ponto negativo do balanço foi o resultado da divisão de serviços financeiros da Renner, que tem a Realize, responsável pela emissão dos cartões de crédito da loja.
O resultado da operação de serviços financeiros despencou 74,5% no terceiro trimestre, para R$ 19 milhões, em comparação a igual período do ano passado, após a Realize ter reduzido a expansão da carteira de crédito, como reflexo da maior inadimplência, do maior endividamento das famílias e do número de CPFs inadimplentes, “que atingiram patamares historicamente elevados”, disse a empresa no balanço.
Na avaliação dos analistas Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes, do Itaú BBA, o balanço mostrou mais um “trimestre desafiador” para os serviços financeiros da empresa.
Ainda assim, o resultado como um todo da Renner não foi visto como negativo por analistas do mercado. Profissionais do BBA e do Goldman Sachs classificaram os números como “mistos”, enquanto o BB Investimentos entendeu o quadro geral como neutro.
Leia mais:
Goldman Sachs elege as ações de varejo preferidas para o período pós-eleição – confira
Apesar dos obstáculos citados, a companhia conseguiu elevar o lucro líquido em 50% no período em relação a igual intervalo do ano passado, para R$ 257,9 milhões, bem acima da expectativa do mercado.
Todas as quatro instituições financeiras consultadas pela Agência TradeMap (BTG Pactual, Santander, Itaú BBA e Genial Investimentos) esperavam que a empresa apresentasse lucro menor. As estimativas iam de R$ 97 milhões, nas contas do BTG, até 207 milhões, na projeção da Genial.
Tanto o Goldman Sachs quanto o BB Investimentos recomendam a compra do papel, com preços-alvo de R$ 37 e R$ 39,80, respectivamente.
⇨ Acompanhe as notícias de mais de 30 sites jornalísticos de graça! Inscreva-se no TradeMap!
Para o Goldman Sachs, a empresa continua sendo um caso de varejista ligada a um consumo discricionário (sem ser de bens essenciais) de alta qualidade, “com execução consistente e um algoritmo de crescimento confiável.”
O BB, por sua vez, entende que, com o bom histórico de execução da Lojas Renner, que se destaca entre seus pares no setor de vestuário, combinado com a sua exposição a um setor varejista mais sensível à renda do que ao crédito, “a companhia deve seguir no radar dos investidores.”