O inverno mais longo que o esperado nos últimos meses levou as vendas da Lojas Renner (LREN3) a diminuírem o ritmo de expansão no terceiro trimestre, mas não impediu que a companhia elevasse o lucro líquido em 50% no período em relação a igual intervalo do ano passado, para R$ 257,9 milhões, bem acima da expectativa do mercado.
Todas as quatro instituições financeiras consultadas pela Agência TradeMap (BTG Pactual, Santander, Itaú BBA e Genial Investimentos) esperavam que a empresa apresentasse lucro menor. As estimativas iam de R$ 97 milhões, nas contas do BTG, até 207 milhões, na projeção da Genial.
A Renner, que tem uma operação basicamente dividida entre varejo (lojas físicas e e-commerce) e a oferta de produtos de serviços financeiros a seus clientes (com a Realize, que emite os cartões da Renner), viu o seu lucro ser impulsionado principalmente por uma melhor de geração de caixa por parte do varejo, que conseguiu sofrer menos com os efeitos da inflação e do câmbio nos últimos meses.
Ainda assim, as vendas da Renner cresceram menos no terceiro trimestre. No critério “mesmas lojas”, sem considerar as unidades abertas recentemente, o faturamento teve avanço de 7,9% ante igual período de 2021, que, por sua vez, havia crescido 35,9% ante o ano anterior. O ritmo de alta, portanto, ficou quatro vezes menor.
Segundo a companhia, isso se deve principalmente ao inverno prolongado, que tem dois efeitos na venda.
No primeiro efeito, como as temperaturas ficaram mais frias antes do esperado, parte das vendas de roupas de inverno que normalmente ocorrem no terceiro trimestre ocorreu no segundo trimestre. Essa antecipação se deu em 5% das vendas, estima a Renner.
No segundo efeito, como as temperaturas continuaram mais frias por mais tempo e se estenderam pelo terceiro trimestre, a coleção de roupas que marca a transição para a primavera vendeu menos que o normal.
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Mesmo assim, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da operação do varejo cresceu 21,4% na comparação anual, para R$ 440 milhões, e foi o principal motor de expansão do lucro líquido.
Já o resultado da operação de serviços financeiros despencou 74,5%, para R$ 19 milhões, após a Realize ter reduzido a expansão da carteira de crédito, como reflexo da maior inadimplência, do maior endividamento das famílias e do número de CPFs inadimplentes, “que atingiram patamares historicamente elevados”, disse a Renner.
A companhia ressaltou, contudo, que a financeira realizou uma venda de parte da carteira com prejuízo, anotando receita líquida de R$ 23,8 milhões. “Os novos créditos concedidos seguem apresentando uma melhor qualidade, enquanto as novas safras de recuperação seguem demonstrando uma melhor performance”, afirma a empresa.
O Ebitda total, considerando as duas operações, somou R$ 459,5 milhões, alta de 5%, enquanto a margem como proporção do Ebitda total caiu de 18,4% para 17,6%, embora a margem Ebitda só do varejo tenha saltado de 15,3% para 16,8%.
Incluindo todas as lojas, inauguradas recentemente ou não, a receita líquida da Renner cresceu 10,3% no terceiro trimestre ante um ano antes, para R$ 2,6 bilhões. No e-commerce, a soma das vendas de mercadorias saltou 29,4%, para R$ 494,7 milhões, o que deu às vendas digitais uma penetração de 14,5% na receita total, acima dos 12,3% verificados no terceiro trimestre do ano passado.
O retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês), por sua vez, subiu para 11,6% no terceiro trimestre, avanço de 4,8 pontos percentuais ante o terceiro trimestre do ano passado.