Lula critica meta de inflação e BC independente – veja o que importa hoje

Futuros americanos caem com medo de recessão global; mercado acompanha prévia do IGP-M e taxa de desemprego

Foto: Shutterstock/whiteMocca

Em meio ao temor renovado de recessão no mundo, com dados mais fracos da atividade nos EUA fazendo as bolsas americanas tombarem ontem, o mercado reage hoje às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à meta de inflação e à independência do Banco Central. Os índices futuros americanos estão em queda na manhã desta quinta (19).

Em entrevista exclusiva à Globonews, Lula falou longamente sobre os ataques à democracia mas também entrou na seara econômica, declarando que o objetivo para o IPCA a ser perseguido pelo BC é exagerado. Ao mesmo tempo, criticou a independência do BC, que chamou de “bobagem”.

“Duvido que esse presidente [Roberto Campos Neto] é mais independente do que o Meirelles [Henrique Meirelles, ex-presidente do BC e ex-ministro da Fazenda]”, provocou.

O presidente ainda atacou a meta, ao afirmar que ela refreia o crescimento da economia brasileira.

“Por que o Banco Central é independente e a inflação, os juros estão do jeito que estão? Você estabeleceu uma meta de inflação de 3,7% [na verdade, o objetivo para o ano passado era de 3,5%, com banda de 1,5 ponto]. Quando você faz isso, é obrigado a ‘arrochar’ mais a economia. Por que não fazia 4,5%, como nós fizemos?”, afirmou.

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O presidente ainda voltou a dizer que os gastos com saúde e educação devem ser contabilizados como investimento, e não como despesa, ao mesmo tempo em que ressaltou que o governo não gastará mais do que arrecada.

No início da tarde de ontem, em fala a sindicalistas, Lula já havia adotado um tom mais agressivo, ao falar que quer isentar a tabela do Imposto de Renda até R$ 5 mil e dizer que os “ricos” que recebem dividendos vão entrar no IR. As falas contribuíram para a alta do dólar e dos juros futuros.

O medo do mercado é que as posições do presidente se sobreponham ao discurso mais fiscalista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vem prometendo entregar um déficit primário de menos de 1% do PIB (o rombo previsto hoje é de mais de 2%).

Prévia do IGP-M e taxa de desemprego

Por aqui, os investidores ainda acompanham a prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que será informado às 8h pela FGV, e a taxa de desemprego de novembro, que será publicada pelo IBGE às 9h.

Analistas de mercado esperam que a taxa de desocupação tenha se reduzido a 8,1% no mês retrasado.

Medo de recessão e balanços

Lá fora, as atenções se voltam ao dado atualizado de pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos e à temporada de balanços de empresas americanas, com a divulgação dos resultados do quarto trimestre da Procter & Gamble, antes da abertura, e da Netflix, após o fechamento.

Ontem, as vendas fracas do varejo e falas de membros do Federal Reserve (banco central dos EUA) indicando necessidade de mais alta de juros fizeram os mercados caírem com força com o medo renovado de recessão na maior economia do mundo.

Saiba mais:

O clima permanece ruim na manhã desta quinta-feira (19), com os índices futuros americanos em queda. Por volta das 7h50, o Dow Jones caía 0,56%, o S&P 500 recuava 0,56% e o Nasdaq perdia 0,60%. No mesmo horário, o índice europeu Euro Stoxx tombava 1,44%.

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