Ibovespa opera sem sentido definido, mesmo com exterior positivo e dado de deflação no Brasil

Por volta das 13h05, o principal índice da B3 caía 0,59% e operava aos 108.475 pontos

Foto: Shutterstock

O Ibovespa tem um pregão instável nesta terça-feira (27) após duas sessões seguidas de baixa. Nem mesmo o dado de deflação, mostrado pelo IPCA-15, no país e a as altas das bolsas americanas animaram os investidores por aqui.  

Por volta das 13h05, o principal índice da B3 caía 0,59% e operava aos 108.475 pontos.

Uma das ações que mais se valorizavam no horário era a da Suzano (SUZB3 +2,10%). A companhia de papel e celulose, que acumula queda de mais de 20% no ano, foi tema de um relatório publicado nesta terça pelo Itaú BBA.

Nele, os analistas avaliam que, mesmo que os investidores estejam preocupados com possíveis quedas nos preços de celulose no curto prazo, os recuos recentes do papel podem ser um “bom ponto de entrada para ações do setor”.

“Muitos investidores preveem uma correção de preço na celulose a partir do final do ano. Diante disso, acreditamos que o mercado de alguma forma já começou a levar em conta esse potencial reajuste (…), dada a dissociação que temos visto entre o preço das ações e o preço da celulose”, escrevem os analistas do BBA liderados por Daniel Sasson.

Agência TradeMap já havia conversado com analistas do mercado algumas semanas atrás para entender esse movimento de queda nos papéis do setor mesmo com a alta da celulose.

Relembre:
Por que Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) caem mesmo com preço da celulose em alta?

Depois de Suzano, BRF (BRFS3) ganhava 1,56%, Gerdau (GGBR4) se valorizava 2,29%, Grupo Soma (SOMA3) e Azul (AZUL4) avançavam 1%.

Na visão do sócio da Legend Investimentos, José Simão, o Ibovespa e seus pares internacionais operam em um movimento de cautela desde a última quarta-feira, quando o banco central americano (Fed), aumentou os juros mais uma vez por lá.

“Vemos nesta terça um movimento de ‘rebote’ dos mercados, mas os problemas continuam. Devemos ver um crescimento global menor no ano que vem, além de um aperto monetário continuando. O final do ciclo de aperto nos juros dos EUA pode acontecer apenas em março do ano que vem”, comenta.

As mineradoras também subiam com intensidade após o minério de ferro negociado na bolsa de Dalian apresentar uma alta de 1,13% no pregão da manhã, cotado a US$ 100,23. Além da Gerdau, CSN Mineração (CMIN3) ganhava 1,79% e a Vale (VALE3) tinha alta de 0,10%.

IPCA-15 e ata do Copom no radar do mercado

O mercado também repercute mais um dado de deflação no Brasil. Mais cedo, o IBGE divulgou que o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caiu 0,37% em setembro. Em agosto, o indicador também havia recuado, em 0,73%.

No acumulado do ano, o IPCA-15 registra alta de 4,63%, enquanto nos últimos 12 meses a taxa desacelerou para 7,96%, abaixo dos 9,6% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. O resultado mostrou uma queda mensal ligeiramente maior que a esperada pelo mercado, que previa recuo de 0,2%, segundo o consenso da Refinitiv.

Para a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, a divulgação foi uma surpresa, já que o banco previa uma queda de 0,24%. “A queda dos alimentos e de transportes foi maior que o esperado, refletindo os menores preços das commodities no mercado internacional”, avalia.

A divulgação mexeu com a curva de juros por aqui. De acordo com dados retirados da plataforma do TradeMap, os contratos de juros para 2023, 2025 e 2028 recuavam, respectivamente, 11, 25 e 17 pontos-base.

Mesmo com um arrefecimento na curva de juros, papéis ligados à economia doméstica recuavam na Bolsa e devolviam parte dos ganhos recentes. Yduqs (YDUQ3) perdia 3,41%, Positivo (POSI3) caía 3,40%, Americanas (AMER3) se desvalorizava 3,20% e Natura (NTCO3) registrava queda de 2,81%.

Mercados externos em alta

Fora do Brasil, a movimentação é positiva nos mercados americanos e europeus, num movimento de recuperação das perdas fortes nos últimos pregões.

De janeiro pra cá, porém, os índices Nasdaq, S&P 500 e o Dow Jones acumulam quedas que variam de 20% a 30%, retornando aos níveis dos períodos mais amargos da pandemia. O Dow Jones, por exemplo, opera próximo dos 29 mil pontos, patamar visto pela última vez entre o final de 2020 e o início de 2021. Desde então, chegou a bater os 36 mil pontos, no final do ano passado.

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