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Ibovespa inicia 2º trimestre subindo quase 1% e apaga perdas do último pregão

Ibovespa inicia 2º trimestre subindo quase 1% e apaga perdas do último pregão

Bolsa brasileira se beneficia do cenário econômico de arrefecimento dos juros e investimentos estrangeiros. Ações de economia doméstica sobem

Gráfico de mercado no TradeMap

Foto: João Tessari/TradeMap

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O principal índice da Bolsa brasileira subia quase 1% no início da tarde, em mais um pregão impulsionado por ações ligadas à economia doméstica, que se beneficiam da perspectiva de arrefecimento da alta de juros por aqui e surfam na onda do investimento estrangeiro.

Às 13h45 (de Brasília), o Ibovespa tinha alta de 0,98%, e operava aos 121.175 pontos. Quem liderava os avanços nesta sexta-feira (1) era a Méliuz (CASH3), que via seus papéis valorizarem 7,81%. Na sequência, vinham Cielo (CIEL3 +7,72%) e Banco Inter (BIDI11 +6,32%).

Para o assessor de investimentos da SVN, Vinicius Augusto dos Santos, os investidores estão muito otimistas com a bolsa brasileira porque o Banco Central sinalizou que a taxa básica de juros, a Selic, deve parar de subir em breve, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde as taxas começaram a subir recentemente e ainda devem aumentar mais.

Juros maiores têm um efeito negativo sobre a atividade econômica porque encarecem o crédito tanto ao consumidor quanto às empresas. Como o Brasil está perto de encerrar o ciclo de alta nos juros, os investidores têm mais previsibilidade de até onde este efeito negativo vai chegar. 

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou no dia 24 de março que o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) deve elevar a taxa básica de juros (Selic) só mais uma vez neste ano, na reunião de maio. Santos comenta que a expectativa do mercado é que a taxa encerre o ano aos 12,75%, o que representaria um ponto percentual a mais que o valor atual.

“Como fomos um dos primeiros países a aumentar a taxa de juros, por consequência já estamos pensando em estabilizar”, comentou o assessor.

Além disso, ele acredita que a queda no dólar, motivada em boa parte pelo ingresso de capital estrangeiro na Bolsa, acaba ajudando a performance nas ações por aqui. A cotação da moeda americana influencia os preços de vários insumos, como combustíveis, e sua desvalorização tende a limitar o aumento nos custos das companhias.

No mercado futuro, o dólar comercial caía 0,90%, para perto de R$ 4,74. Ao mesmo tempo, as taxas de juros futuros também recuavam, indicando a expectativa de diminuição da pressão inflacionária.

Desde o início de 2022, os estrangeiros já colocaram R$ 92 bilhões na Bolsa brasileira. Isso representa quase tudo o que foi injetado por estes mesmos investidores no mercado brasileiro no ano passado (R$ 102 bilhões).

Quedas do dia

A principal baixa do dia ficava por conta da Dexco (DXCO3), empresa que atua com fabricação e comércio de derivados de madeira, que caía 2,25%. Na sequência vinha a Marfrig (MFRG3), que recuava 1,59%.

Mais cedo, o Itaú BBA divulgou um relatório em que deixou de recomendar para os investidores a compra das ações do frigorífico. Segundo a instituição financeira, a Marfrig deve ter uma queda nas margens durante 2022 por conta da limitação de atuação dentro dos Estados Unidos.

Os analistas estipulam preço-alvo de R$ 26 ao final deste ano. Se levarmos em conta o preço de R$ 21,40 no fechamento do pregão de quinta (31), o Itaú BBA acredita numa valorização de 21% nos papéis.

No último fechamento, a ação da Marfrig era negociada a R$ 21,40, o que implica potencial de valorização de 21% nos próximos 12 meses.

Emprego americano no radar internacional

Os investidores pelo mundo acompanharam mais cedo a divulgação do payroll, relatório divulgado pela BLS (Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos). O documento apontou que o mercado de trabalho americano criou 431 mil vagas em março, Com isso, a taxa de desemprego da maior economia do mundo recuou de 3,8% para 3,6%.

Para Marcelo Oliveira, analista da Quantzed, os números do Payroll vieram um pouco piores do que o esperado, mas mostra que o mercado continua aquecido por lá. “Esses números dão motivos para o Fed (o banco central americano) aumentar o ritmo de aumento de juros na próxima reunião e subir em 0,5% na próxima reunião”, comenta.

Enquanto isso, os mercados acionários de Wall Street apresentavam queda às 13h15. Dow Jones recuava 0,06% enquanto o S&P 500 e o Nasdaq composto caíam 0,14%. “Acredito que o mercado reagiu em cima desses dados e já está precificando um aumento mais rápido nos juros por lá, e esse avanço nos juros é ruim para a bolsa”, disse Oliveira.

Já na Europa, o movimento era contrário, e as principais bolsas apresentavam altas. Na Alemanha o DAX crescia 0,22% e em Londres o FTSE 100 subia 0,30%. Já o índice Euro Stoxx 50, que reúne empresas de todo o continente, valorizava 0,54%.

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