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Ibovespa fecha em baixa de 0,65% e perde os 105 mil pontos

Ibovespa fecha em baixa de 0,65% e perde os 105 mil pontos

Exterior, cenário fiscal, baixa liquidez e queda da Vale pesaram sobre o índice

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Na luta para fechar 2021 na casa dos 105 mil pontos, o Ibovespa perdeu o marco e terminou o pregão desta terça-feira, dia 28, em baixa de 0,65%, aos 104.864 pontos.

O aprofundamento das perdas do Ibovespa segue a perda de fôlego das bolsas de Nova York, onde o S&P 500 terminou o dia em baixa de 0,04% e o Nasdaq perdeu 0,56%, enquanto o Dow Jones se segurou em alta de 0,26%. Na Europa, o Euro Stoxx 50 fechou em alta de 0,56% e o DAX, da Alemanha, com avanço de 0,81%.

O mercado segue repercutindo as preocupações em torno da variante Ômicron do coronavírus, porém com algumas notícias positivas no radar, o que dá ânimo aos investidores internacionais.

Na noite de ontem, o CDC (Centro para Prevenção e Controle de Doenças) dos EUA reduziu a recomendação de isolamento para pessoas que testam positivo para Covid-19, mas não apresentam sintomas, de dez para cinco dias.

“Não vemos medidas mais duras, tanto na América do Norte quanto aqui no Brasil, em relação à restrição de mobilidade. Isso favorece a bolsa americana, mas não tem força suficiente para impulsionar a bolsa brasileira neste momento”, diz Waldir Morgado, sócio da Nexgen Capital.

No Brasil, o principal dado do dia foi a taxa de desemprego, que caiu para 12,1% no trimestre finalizado em outubro, sexta queda consecutiva e um nível melhor que o esperado por analistas, que previam recuo para 12,3%. A renda média dos trabalhadores, por sua vez, foi de R$ 2.449, queda de 4,6% em relação ao trimestre encerrado em setembro.

Para analistas, a taxa de desemprego continua indicando uma tendência de recuperação para o mercado de trabalho. Entretanto, esse número pode se deteriorar a partir do ano que vem, em um cenário de juros em alta e inflação corroendo o poder de compra.

“Entendemos que a piora recente do cenário para a atividade econômica não está sendo capturada pelos dados de mercado de trabalho. Assim, entendemos que as perspectivas positivas para o curto prazo podem mudar de direção a partir do próximo ano, lembrando que historicamente a atividade precede o movimento do mercado de trabalho”, afirmou a equipe de analistas do BTG Pactual Digital.

Na visão de Morgado, pesam ainda sobre o índice as preocupações em torno do cenário fiscal. Em protesto à decisão do governo de privilegiar reajustes salariais para policiais federais, 738 auditores da Receita Federal já entregaram seus cargos de chefia, afetando alfândegas, portos, aeroportos e fronteira. Ainda que o impacto seja pequeno, surgem preocupações de um possível represamento para janeiro.

Soma-se ao mau humor, ainda, a baixa liquidez típica dos pregões de fim de ano, que deixa o índice mais suscetível a notícias negativas. “Os investidores estão em contagem regressiva para 2022 e não parecem querer assumir novos riscos, mesmo com o cenário internacional em alta, apesar de também registrar menor liquidez”, aponta Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA.

No fechamento, as principais quedas do índice eram de Assaí (ASAI3), Lojas Americanas (LAME4) e NotreDame Intermédica (GNDI3), que recuaram 3,96%, 3,15% e 2,99%, respectivamente, enquanto Cielo (CIEL3), Yduqs (YDUQ3) e CVC Brasil (CVCB3) lideravam as altas, com ganhos de 4,13%, 3,94% e 3,13%.

Destaques do pregão

A queda nas ações da Vale (VALE3), que fecharam em baixa de 2,72%, a R$ 76,80, também foi uma das responsáveis por puxar o Ibovespa para baixo. Os papéis reagiram à desvalorização do minério de ferro e ao fracasso das negociações entre a Samarco e seus credores.

“Além da notícia do plano de reestruturação da Samarco, também tivemos uma queda bastante forte do minério de ferro, com mais de 3%. Com isso, as ações de metalúrgicas apresentam queda no dia de hoje, como é o caso da Vale e da Usiminas”, explicou Heloise Sanchez, analista da Terra Investimentos, em comentários à Agência TradeMap.

No mesmo movimento, Usiminas (USIM5) recuou 1,93%, a R$ 14,75, e Gerdau (GGBR4) perdeu 0,4%, a R$ 27,09.

As ações do Assaí caíram em um movimento de realização de lucros do mês de dezembro, que foi de alta para o papel.

Os papéis de grandes bancos também ajudaram a derrubar o índice, na análise de Morgado. Bradesco (BBDC4) teve baixa de 0,36%, a R$ 19,39; Banco do Brasil (BBAS3), de 0,58%, a R$ 29,11; e Itaú (ITUB4), de 0,37%, a R$ 21,48.

Outra baixa significativa era das ações da Copasa (CSMG3), que perderam 2,64%, a R$ 12,53, um dia depois do anúncio de que a companhia pode pagar uma indenização seis vezes maior do que estava esperando em um processo trabalhista movido pelo principal sindicato de empregados.

A revisão do valor poderá ter uma influência direta no bolso dos acionistas, segundo a Genial Investimentos, que acredita que a Copasa poderá ser “mais conservadora” na distribuição de dividendos para o próximo trimestre.

Na ponta oposta, a Cielo (CIEL3) passou o pregão figurando entre as maiores altas, refletindo o crescimento das vendas de varejo no período de Natal.

Segundo o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), as vendas do varejo no Natal deste ano cresceram 11,1% em relação ao mesmo período de 2020. Ainda, a Neotrust, empresa de inteligência de mercado, informou que houve um avanço de 7,5% no e-commerce no período natalino em relação a 2020, descontando a inflação, o que superou as expectativas.

Surfando nas mesmas notícias, o setor de shoppings também fechou no território positivo, com as ações de brMalls (BRML3) impulsionadas ainda pela compra por investidores institucionais. A brMalls terminou o pregão em alta de 2,79%, a R$ 8,12; Multiplan (MULT3) subiu 1,54%, a R$ 19,18; Iguatemi (IGTI11) avançou 2,74%, a R$ 18,77; e JHSF (JHSF3) ganhou 0,9%, a R$ 5,59.

O setor de viagens e companhias aéreas subiu, reagindo à revogação de restrições de viagens a países africanos pelos EUA, o que sinaliza alívio para os temores em torno da variante Ômicron. Além de CVC, Azul (AZUL4) subiu 0,31%, a R$ 25,75.

A Petrobras (PETR4) teve alta de 0,1%, a R$ 28,78, depois de assinar contrato com a Aguila Energia e Participações, em conjunto com a Sonangol, para a venda da participação em um bloco exploratório terrestre na Bacia Potiguar, por US$ 750 mil.

A companhia anunciou ainda que iniciará no próximo mês, em parceria com a Vibra (VBBR3), testes com o diesel R5, que contém 5% de matéria renovável, como o óleo de soja. Os testes serão realizados em três linhas de ônibus de Curitiba por seis meses. O objetivo dos testes, segundo a estatal, é avaliar a influência do combustível na redução de emissões e no desempenho e manutenção dos veículos.

A petroleira informou também que deve chegar ao fim de 2021 com cerca de R$ 6,17 bilhões em recursos recuperados por meio de acordos de leniência, repatriações e delações premiadas. “A companhia reafirma seu compromisso de adotar as medidas cabíveis, em busca do adequado ressarcimento dos prejuízos decorrentes que lhe foram causados”, disse a empresa em nota.

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