Navegue:
Ibovespa acompanha exterior e sobe após sinalização do Fed sobre juros; Qualicorp (QUAL3) dispara

Ibovespa acompanha exterior e sobe após sinalização do Fed sobre juros; Qualicorp (QUAL3) dispara

Principal índice da bolsa brasileira sobe 0,73%, aos 102.806 pontos e acompanha recuperação dos mercados internacionais

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Por:

O Ibovespa reverteu a sequência de oito quedas consecutivas nesta quarta-feira (15) e acompanhou o movimento de alta dos mercados internacionais ao fechar com valorização de 0,73%, aos 102.806 pontos, e com R$ 21,49 bilhões em volume negociado.

O desempenho faz com que o principal índice da B3 registre queda de 7,67% em junho. Desde o começo do ano, o indicador retraiu 1,92%, conforme dados disponíveis na plataforma TradeMap.

O Ibovespa abriu o pregão em alta e se manteve no campo positivo durante todo o dia. Após leve queda após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), anunciar a elevação da taxa de juros em 0,75 ponto percentual (pp), o índice voltou a subir com força com a fala do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, sobre não acelerar ainda mais a alta nas próximas reuniões.

Os principais mercados globais também tiveram um dia de recuperação. Em Wall Street, o Dow Jones fechou em alta de 1%, enquanto o S&P 500 subiu 1,46%. A Nasdaq, que concentra as ações de tecnologia, teve uma alta de 2,50%.

Na Europa, por sua vez, o Eurostoxx 50 encerrou a sessão com avanço de 1,64%, enquanto o alemão DAX subiu 1,36% e o britânico FTSE 100 valorizou 1,20%.

Fed aumenta o aperto monetário

O grau de aumento do Fed, apesar de já esperado pela maior parte do mercado, aumenta o temor dos investidores de que a autoridade monetária esteja contratando uma recessão para domar a inflação ao consumidor, que há meses bate recorde e atualmente está no maior patamar em 40 anos.

Até a semana passada, o mercado projetava aumento de 0,50 pp. As opiniões mudaram após dados do indicador de preço ao consumidor (CPI, em inglês) em maio virem acima do esperado, com de alta de 1% no mês e 8,6% em 12 meses.

Em coletiva após a divulgação dos dados, Powell afirmou que não espera que a alta de 0,75 pp seja algo normal. A medida trouxe alívio aos mercados diante das perspectivas mais negativas que apontavam avanço de até 100 pp na taxa básica de juros.

Segundo Powell, a próxima alta deve ser entre 0,50 e 0,75 pp. “Claramente, o aumento de 75 pontos-base de hoje é incomumente grande e não espero que movimentos desse tamanho sejam comuns”, afirmou.

⇨ Acompanhe seus ganhos e gastos e cuide melhor do seu dinheiro. Baixe o GranaMap!

Ainda hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) também vai divulgar os próximos passos dos juros domésticos. O consenso do mercado é de um acréscimo de 0,50 pp, elevando a Selic a 13,25% ao ano.

As atenções, porém, estarão concentradas nas pistas que o colegiado pode fornecer sobre um possível novo aperto no encontro agendado para agosto.

Parte do mercado já considera que o BC vai fazer uma última alta de 0,50 pp na taxa, encerrando o ciclo em 13,75% ao ano, o maior patamar desde o fim de 2016.

“A pergunta que fica é se o Copom, que anuncia logo mais a taxa Selic, vai seguir como planejado e subir 50 pontos ou mais. Acredito que com uma alta mais forte nos EUA e com o real relativamente sob controle, o colegiado do BC deve manter a trajetória de 50 pontos e parar, afinal o Fed está fazendo o ‘trabalho sujo’ de controlar a inflação”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Qualicorp lidera altas

A Qualicorp (QUAL3) subiu 14,64% e liderou as altas do dia. A empresa anunciou na véspera que iria vender planos de saúde coletivos por adesão da Unimed Seguros.

A CVC (CVCB3 13,19%), o Banco Inter (BIDI11 9,33%) e a Natura (NTCO3 8,08%) também estavam entre as que mais subiram.

No caso das duas primeiras, Charo Alves, analista da Valor Investimento, afirma que a alta é reflexo do destravamento do preço de ações após as indicações do Fed de desaceleração nos juros nos próximos meses.

“São empresas que apanharam muito com os juros subindo muito, mas a fala do Powell foi em linha com o que o mercado esperava”, explica.

Já a alta da Natura ocorre após a dança nas cadeiras nos cargos de diretoria. A empresa de cosméticos anunciou nesta quarta-feira (15) que o atual CEO do grupo e presidente-executivo da empresa, Roberto Marques, deixará as funções, com a intenção de se aposentar no final de 2022.

Marques, porém, continuará como conselheiro auxiliar no processo de transição. Fábio Barbosa, atual presidente do comitê de pessoas, vai assumir o posto de liderança no grupo.

Petrobras cai com novas críticas de Bolsonaro

A maior atratividade com empresas que haviam sofrido com a alta dos juros também levou a saída dos investidores das blue chips, como são chamas as ações com maior volume de negociação na bolsa, e que costumam ser refúgio durante os momentos de tensão, como as últimas semanas.

Nesse quadro, a Petrobras esteve entre as perdas desta quarta-feira. As ações preferencias (PETR4) caíram 1,76%, enquanto as ordinárias (PETR3) perderam 1,32%.

A desvalorização da estatal também é reflexo de novos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) à estatal. Segundo o presidente, o lucro da Petrobras está sendo “muito extorsivo”, e houve um “exagero” ao implementar política atual de preços da companhia, o PPI (paridade de preços internacional).

“A Petrobras está tendo lucros astronômicos. Quanto mais aumento o petróleo lá fora, mais a Petrobras fatura aqui. E não podia ser assim”, comentou. Por fim, Bolsonaro afirmou que a mais recente troca no comando da empresa “resolverá a questão dos combustíveis”.

O grupo de perdas foi liderado pela Braskem (BRKM5 -2,27%), com participação da PetroRio (PRIO3 -1,48%) e CSN (CMIN3 -1,46%).

A queda em bloco de papéis de empresas ligadas a commodities ocorre em meio aos anúncios de novas medidas de restrição na China na tentativa de conter o avanço da pandemia da Covid-19 no país.

Bitcoin

Em mais uma amostra de correlação com os mercados tradicionais, os criptoativos estancaram parte da sangria iniciada na segunda-feira após os sinais do Fed de aliviar a alta dos juros nos próximos encontros.

O Bitcoin (BTC), que chegou a se aproximar da faixa de US$ 20 mil nas últimas horas, reverteu parte das perdas. Por volta de 17h15, o BTC registrava queda de 1,20%, a US$ 22.110, conforme dados da plataforma TradeMap.

As altcoins, moedas além do BTC e que tendem a sofrer ainda mais em momentos de turbulência, passaram a cair menos e até registrar novas altas. O Ethereum (ETH) tinha queda de 2,5%, enquanto a Cardano (ADA) tinha alta de 8%, segundo informações da CoinGecko.

Compartilhe:

Compartilhe: