Ibovespa acompanha EUA e sobe 0,24%, com Americanas (AMER3) e Via (VIIA3) disparando

Saldo do mês de agosto passou para alta de 9,6%, enquanto os ganhos acumulados desde o início do ano somam 7,8%

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock

Depois de começar o pregão no negativo, o Ibovespa acompanhou as Bolsas dos Estados Unidos e virou para o verde no meio do dia, com as ações de varejistas entre as maiores altas, em continuação a um movimento visto na semana passada.

O principal índice da B3 terminou a sessão com avanço de 0,24%, aos 113.031 pontos, com R$ 22,6 bilhões em volume negociado. O saldo do mês de agosto passou para alta de 9,56%, enquanto os ganhos acumulados desde o início do ano somam 7,83%.

As Bolsas estrangeiras também fecharam no positivo, depois de começarem o pregão em baixa. Em Nova York, o S&P 500 subiu 0,4%, o Dow Jones ganhou 0,45% e o Nasdaq avançou 0,62%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou em alta de 0,34%.

China decepciona, Brasil surpreende

O recuo das Bolsas ao redor do mundo no início do pregão foi reflexo de dados econômicos abaixo do esperado na China. A produção industrial do país teve alta de 3,8% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2021, contra os 4,5% esperados. As vendas no varejo, por sua vez, subiram 2,7% na mesma base de comparação, ante expectativas de 5%.

Em resposta, o banco central chinês (PBoC) cortou a taxa de juro de referência, a taxa de empréstimo de 1 ano, com o objetivo de estimular a economia.

Em âmbito global, o foco dos investidores agora está na ata da última reunião do Fomc (Comitê de Política Monetária do Federal Reserve, o banco central americano), prevista para quarta-feira (17), que deve dar sinais sobre os próximos passos de política monetária do órgão.

Por aqui, segundo dados do ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado), as vendas no varejo cresceram 0,7% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado, já descontado o efeito da inflação. Foi o pior resultado desde outubro de 2021, quando as vendas encolheram 0,8%. Em junho, as vendas no varejo tinham aumentado 5,9% na comparação anual.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), por sua vez, teve um avanço de 0,69% em junho, um desempenho bem acima do esperado por analistas de mercado ouvidos pela Reuters, que aguardavam uma alta de 0,25%.

O indicador, que foi apelidado de “prévia do PIB”, mostrou um crescimento de 3,09% na comparação com o mesmo mês do ano passado, período no qual a economia ainda era afetada com força pela pandemia de coronavírus. No acumulado do ano, a alta é de 2,24%.

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Outra divulgação do dia foi o Boletim Focus, pesquisa semanal do BC (Banco Central) com analistas. A expectativa agora já é de um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,38% em 2023. Na semana anterior, as projeções eram de 5,36%. Já para 2022, a expectativa da mediana dos ouvidos pelo levantamento é de uma inflação de 7,02%, contra 7,11% da pesquisa da semana anterior.

As expectativas para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano voltaram a crescer, de 1,98%, na pesquisa anterior, para 2%. Houve uma leve alta também nas projeções para o desempenho da atividade no ano que vem, de 0,40%, na semana anterior, para 0,41%.

As projeções para a taxa básica de juros, a Selic, foram mantidas em 13,75% no final deste ano e em 11% no final do ano que vem. Analistas também mantiveram suas expectativas para o câmbio em R$ 5,20, tanto para 2022 como para 2023.

Varejo lidera as altas

Entre as ações do Ibovespa, o destaque positivo do pregão foram as ações das varejistas que, de acordo com analistas da Ativa Research, subiram refletindo o fechamento das curvas de juros e melhores expectativas de vendas no segundo semestre.

As maiores altas do pregão foram de Americanas (AMER3), Via (VIIA3) e Méliuz (CASH3), com avanços de 18,29%, 14,47% e 14,18%, nesta ordem.

A Petz (PETZ3), varejista de produtos para animais também subiu bem, encerrando em alta de 8,29%. A empresa comunicou ao mercado que realizará seu primeiro programa de recompra de ações. A companhia destinará até R$ 118 milhões para a operação e poderá adquirir até 11,6 milhões de papéis ordinários.

Fora do Ibovespa, a M. Dias Branco (MDIA3) disparou 24,42%. Em seu resultado do segundo trimestre, a companhia mostrou forte recuperação de rentabilidade, superando as expectativas do mercado com margem bruta de 34,3%, 5,1% acima das expectativas do BTG Pactual, enquanto a XP Investimentos projetava uma margem menor, de 7,6%.

IRB e mineradoras na outra ponta

Na direção oposta, as ações que mais caíram foram as de IRB (IRBR3), Braskem (BRKM5) e CSN (CSNA3), com perdas de 9,96%, 4,86% e 4,55%, respectivamente.

A resseguradora divulgou um comunicado nesta segunda-feira em que afirmou que estuda realizar uma capitalização de recursos por meio de oferta pública de ações.

Na sexta-feira (12), o site Brazil Journal, havia informado que a empresa poderia anunciar a operação hoje por estar operando com um capital mínimo menor que o exigido. De acordo com uma fonte ouvida pelo site, a capitalização deve ficar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, com um valor de R$ 1 por ação.

De acordo com a companhia, porém, ainda não há definições sobre o aumento de capital nem aprovação da operação. O IRB afirmou também que a capitalização depende de condições do mercado.

No caso da CSN, o desempenho seguiu a queda do minério de ferro, após os dados econômicos abaixo do esperado na China. A tonelada da commodity negociada na Bolsa de Dalian teve queda de 2,88% na comparação diária, a US$ 104,53.

Agora, os investidores estarão de olho no último dia da temporada de balanços do segundo trimestre, com destaque para CSN (CSNA3), Rede D’Or (RDOR3) e Nubank (NUBR33).

Criptomoedas

Depois de um fim de semana de ganhos e com o Bitcoin (BTC) voltando a se aproximar dos US$ 25 mil, o mercado cripto perdeu força nesta segunda com a manutenção do clima de otimismo e cautela entre os investidores após dados da economia americana divulgados na semana passada indicarem o arrefecimento da inflação.

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Por outro lado, também na pauta macroeconômica, números de atividades do varejo e indústria da China publicados nesta manhã vieram bastante abaixo da expectativa do mercado, reforçando o temor de desaceleração da segunda maior economia do mundo.

Diante disso, o Bitcoin operou próximo da estabilidade durante a maior parte do dia e, por volta das 16h55, registrava queda de 1%, negociado a US$ 24.127, segundo dados da Novadax disponíveis na plataforma TradeMap.

O clima de correção após o fluxo positivo da véspera também afeta as altcoins, como são chamados os ativos além do Bitcoin. O Ethereum (ETH), segunda maior cripto do mercado, registrava queda de 5,2%, a US$ 1.896.

Apesar da influência macro, a negociação do ETH é sustentada pela expectativa de atualização da blockchain após os resultados positivos dos últimos testes, na semana passada. A previsão é que o processo seja concluído no dia 15 de setembro.

“Os investidores seguem apostando no tão aguardado The Merge, apresentando esperanças de que haverá um movimento de alta após a atualização da rede”, afirmou em nota Thiago Rigo, analista da Titanium Asset.

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