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Guerra na Ucrânia derruba Ibovespa e bolsas internacionais; ações de petroleiras são exceção e sobem

Guerra na Ucrânia derruba Ibovespa e bolsas internacionais; ações de petroleiras são exceção e sobem

SulAmérica (SULA11) é outra exceção positiva do dia após acordo com Rede D'Or (RDOR3)

Homem seleciona investimento em gráfico no computador

Foto: Shutterstock

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O início da invasão russa na Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (24) mexeu com todos os mercados pelo mundo e também impacta o Ibovespa. Às 13h50, o principal índice da Bolsa brasileira caía 1,9%, e operava aos 109.912 pontos. Quase todas as ações que fazem parte do Ibovespa operam em queda. As poucas exceções incluem, principalmente, empresas do setor petrolífero.

“Os investidores não fazem muita compra em momentos como esse, é simplesmente um momento de Flight to Quality (movimento que os investidores fazem para mudar suas carteiras, saindo de ativos de risco e alocando em ativos seguros)”, diz o sócio da Finacap Investimentos, Alexandre Brito. A gestora administra cerca de R$ 1 bilhão em recursos.

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Quem lidera as quedas do dia é a Qualicorp (QUAL3), que caía 14,3%. A Azul Linhas Aéreas (AZUL4) segue a fila, recuando 7,7%, depois de reportar prejuízo líquido de R$ 945,7 milhões no quarto trimestre de 2021, revertendo o lucro de R$ 538,2 milhões apurado no mesmo período de 2020.

A companhia aérea registrou um valor total entre custos e despesas operacionais de R$ 3,2 bilhões, contra R$ 1,93 bilhão no mesmo intervalo de 2021, um aumento de 66,3%. O aumento refletiu tanto a expansão da capacidade quanto os preços mais altos do combustível de aviação, além de outras despesas referentes ao negócio.

Outras ações relacionadas a viagens caíam em bloco nesta quinta-feira. CVC (CVCB3) recuava 5,8%. Além delas, GOL (GOLL4) caía 4,4%. Para Brito, nessa situação de crise, os setores de turismo e consumo se prejudicam muito, uma vez que essa volatilidade impacta sistematicamente na moeda e na curva de juros do país.

O dólar comercial, que ontem chegou a operar abaixo de R$ 5, hoje subia 2,38% no mercado futuro, para perto de R$ 5,13.

Altas do dia

SulAmérica (SULA11) lidera as altas do dia, avançando 12,2%, após anunciar na noite de quarta-feira uma fusão com a Rede’Dor (RDOR3). No pregão de quarta, após o anúncio, as ações ja tinham subido 25,2% e fechado o expediente da bolsa como a maior alta do Ibovespa. As ações da Rede D’Or iam na direção oposta, caindo 7,9% nesta quinta-feira.

A transação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas das duas companhias, que deverão convocar assembleias para tratar do assunto. A troca de ações vai considerar uma proporção de 0,2561 nova ação ordinária da Rede D’Or para cada ação ordinária ou preferencial da SulAmérica.

Para Brito, da Finacap, a SulAmérica já tinha planos de se verticalizar e ter operações próprias de hospitais e clínicas. “Consideramos uma parceria interessante, por enxergarmos, dentro do setor de saúde, um valuation interessante para a SulAmérica. Agora a empresa tem uma operação vertical, e segue movimentos de outras empresas que já haviam feito isso antes, como a Hapvida”, afirma.

As empresas produtoras de petróleo estão entre as poucas que sobem dentre os componentes do Ibovespa, reagindo ao aumento nos preços da commodity para US$ 105 o barril em decorrência do início da guerra entre Rússia e Ucrânia. 3R Petroleum (RRRP3 +4,9%) é a segunda maior alta do Ibovespa. Petrorio também subia (PRIO3 +1,4%).

Contudo, a valorização do petróleo e a alta do dólar são fatores que podem prejudicar a economia brasileira. Os preços mais altos da commodity podem fazer os combustíveis ficarem mais caros, aumentar a inflação e prolongar o ciclo de aumento nos juros do país.

Cenário internacional

As quedas pelos mercados não se dão só no Brasil. Na Europa, continente que sedia o conflito, os principais índices apontavam queda. Por lá, o índice Euro Stoxx 600, que inclui empresas de toda a zona do euro, caía 3,31%.

Na Alemanha, país que pode ser afetado pelo corte no envio de energia da Rússia, o DAX recuava 4,19%, enquanto no Reino Unido, o FTSE 100 caía 3,75%. Na Rússia, país que iniciou o conflito nesta madrugada, o Moex, principal índice da Bolsa de Moscou, registrava queda de 33,3%, porém mais cedo chegou a cair mais de 50%.

Nos Estados Unidos, o índice acionário Dow Jones recuava 1,55% e o S&P 500 caía 0,70%. Em Wall Street, só o Nasdaq tinha alta, de 0,19%.

As taxas de juros dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos, que já vinham caindo nos últimos dias por causa da possibilidade de invasão da Ucrânia pela Rússia, acentuaram as perdas pela manhã. Isso depois de passarem três meses em alta diante da perspectiva de elevação nos juros americanos.

As taxas dos papéis com vencimento em dez anos, que no início de fevereiro chegaram a superar 2% ao ano pela primeira vez desde 2019, agora operam a 1,85%.

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