O Carrefour — que precisa se desfazer de 14 das 412 lojas que incorporou com a compra do Grupo Big — tem negociado com o Grupo Mateus para vender sete delas, revelou, na tarde desta sexta-feira (9), uma reportagem publicada no site do jornal Valor Econômico.
Que o Carrefour está atrás de compradores, não é novidade para ninguém. Afinal de contas, a venda é uma exigência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável por evitar que transações de fusões e aquisições geram concentrações de mercado.
O que surpreendeu parte do mercado é que o Grupo Mateus está entre os interessados para comprar metade do que está à venda.
Em relatório distribuído a clientes após a divulgação da notícia, o analista Thiago Macruz, do Itaú BBA, disse que o interesse do Grupo Mateus foi uma surpresa porque a empresa tem uma estratégia de expansão baseada em locação de imóveis, não em compra, no modelo “built to suit“, em que o inquilino encomenda a construção de um equipamento a uma empresa para depois alugá-lo.
Seja como for, o Itaú BBA acredita que o Grupo Mateus está bem posicionado financeiramente para fazer a aquisição, pois conta com um baixo nível de endividamento. Pelos resultados do segundo trimestre, a dívida líquida da companhia representa apenas 10% da geração de caixa (Ebitda, o lucro calculado sem considerar pagamento de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetada para 12 meses.
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“O baixo nível de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) permitiria acomodar o desembolso de caixa para a aquisição das lojas do Big, o que por sua vez aceleraria o ritmo de expansão da rede no curto prazo”, escreveu o analista, que prevê a abertura de 37 lojas para o grupo em 2022 e 35 em 2023.
Segundo a reportagem do Valor, cada unidade à venda do Big teria um preço de R$ 35 milhões a R$ 45 milhões, fora os custos com reformas, que podem ser maiores se houver uma conversão de lojas do formato hipermercado para o atacarejo, o foco do Grupo Mateus.
Do lado do Carrefour, a estimativa é que a venda de todas as 14 unidades deve girar em torno de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões. Duas já foram vendidas, uma para a rede gaúcha Asun Supermercados, em Gravataí (RS), e outra para o próprio Grupo Mateus, em Olinda (PE).
O Carrefour anunciou a compra do Grupo Big em março do ano passado, em uma transação de R$ 7,5 bilhões, com o objetivo de converter as unidades em lojas do Atacadão, a bandeira de atacarejo do grupo francês no Brasil. Das 412 unidades compradas, 386 são unidades de varejo e autosserviço, 15 postos de combustíveis e 11 centros de distribuição.
A aquisição foi aprovada neste ano pelo Cade, mas o órgão entendeu que a companhia deveria se desfazer de parte das lojas adquiridas, em regiões específicas, onde o Atacadão poderia ter uma concentração elevada de mercado.
Nesta sexta-feira, as ações do Grupo Mateus (GMAT3) fecharam em alta de 1,23%, enquanto as do Carrefour (CRFB3) subiram 1,13%.
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