O Carrefour, que anunciou a compra do Grupo Big em março do ano passado, em uma transação de R$ 7,5 bilhões, provavelmente terá de se desfazer de uma parte das lojas da rede adquirida, caso se veja obrigada a seguir a recomendação feita pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Quando a aquisição foi anunciada, o Carrefour informou que estava levando 386 unidades de varejo e autosserviço, 15 postos de combustíveis e 11 centros de distribuição. O objetivo do grupo francês é que todas as unidades do Big (antigo Walmart no Brasil) sejam transformadas em lojas do Atacadão, a bandeira de atacarejo do Carrefour no mercado brasileiro.
O acordo, porém, ainda precisa ser aprovado pelo Cade, órgão que procura evitar que fusões e aquisições entre empresas do mesmo setor gerem uma concorrência não saudável. Em novembro, o Cade informou o mercado que esta era uma transação “complexa” de avaliar, uma vez que o Atacadão poderia apresentar uma concentração elevada de mercado em algumas regiões do Brasil.
No comunicado, a Superintendência-Geral do Cade disse que havia o risco de isso acontecer em “cerca de 10%” das unidades de varejo e autosserviço que foram adquiridas pelo Carrefour, que poderiam ter de ser “desinvestidas”, algo próximo de 40 unidades.
À época, o Carrefour disse que já esperava esse tipo de comunicado, em razão das características da operação.
Na segunda-feira, dia 24, a Superintendência-Geral do Cade emitiu a sua conclusão sobre o caso e recomendou a aprovação da aquisição, mas com uma ressalva: o Carrefour teria mesmo que se desfazer de uma parte das lojas, em nome da concorrência saudável.
A notícia boa para o Carrefour é que a “pena” foi mais leve do que havia sido indicado em novembro. De acordo com comunicado emitido pela empresa nesta terça-feira, dia 25, o Carrefour terá de fazer um “desinvestimento” inferior a 10% das lojas, mas sem especificar a quantidade exata.
Segundo o comunicado da companhia, o desinvestimento foi resultado de uma negociação entre a companhia e a Superintendência-Geral do Cade.
Mas a história ainda não acabou. O que a Superintendência-Geral é apenas recomendar ou não a aprovação das transações, fazendo as ressalvas que julgar necessárias. Quem aprova de fato é o tribunal do Cade, que agora está com a bola.
De acordo com o Carrefour, o tribunal do conselho tem até junho deste ano para dar uma resposta definitiva. Só depois disso, a companhia pretende iniciar os trabalhos para conversão de todas as lojas adquiridas em unidades do Atacadão.
Em setembro, o Carrefour divulgou que, com a incorporação do Big, o Atacadão poderia chegar a 2024 com um faturamento de R$ 100 bilhões, contra os R$ 60 bilhões previstos para 2021.
Por volta das 12h, as ações do Carrefour no Brasil subiam 1,34%, a R$ 15,15.