Fundo Verde tem perda com Americanas (AMER3) e gestora diz ter sido vítima de ‘fraude’

Fundo Verde teve perda com papéis da Americanas, mas que foi compensada por outros investimentos e fechou janeiro com ganho de 2,74%

Foto: Shutterstock/thiago bacelar

Assim como muitos fundos no mercado, o multimercado Verde, gerido pelo conhecido gestor Luis Stuhlberger, também teve perdas com o investimento em títulos de dívida (debêntures) da Americanas (AMER3).

“Fomos vítimas de uma fraude. Há quanto tempo que esta fraude existe, quem foram os principais responsáveis e beneficiários, é assunto que será amplamente discutido e explorado no Judiciário”, apontou a gestora em carta de gestão de janeiro.

O investimento em papéis da Americanas representou um impacto negativo de 0,14 ponto para o fundo, mas que foi compensando pelos ganhos com commodities, especialmente ouro, com a aposta na alta do real e dos juros globais, e posição comprada em inflação implícita dada pela diferença entre as taxas dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B) e as de juros prefixados.

Em janeiro, o fundo teve ganho de 2,74% contra alta de 1,12% do CDI.

Segundo a gestora, o fundo comprou debêntures da Americas emitidas em junho de 2022. Os papéis pagavam uma remuneração de CDI mais 2.75% com vencimento em 11 anos, e a gestora considerou que havia um excesso de prêmio em relação a empresas comparáveis e ao próprio histórico da companhia. O investimento representava 0,15% do capital do fundo.

O fundo Verde já tinha adquirido em maio de 2020 e outubro de 2020 papéis da companhia e vendido no mercado secundário.

Após a notícia do rombo contábil de R$ 20 bilhões na Americanas e o consequente pedido de recuperação judicial da empresa, as debêntures da Americanas derreteram, cotadas a 13% do valor de face, o que gerou perdas para vários fundos, inclusive para o Verde.

A gestora afirma que nunca é possível escapar totalmente do “risco da fraude” e que, em conjunto com outros debenturistas, vai exercer seu dever fiduciário de preservar o melhor interesse dos cotistas.

“Como gestores, nosso dever é buscar falhas em nosso processo de investimento e aprimorá-lo a partir dos aprendizados desse caso. Mas estávamos falando de uma companhia com longo histórico, controlado por três acionistas considerados [até então] os melhores gestores de negócios do país, e com balanços auditados por uma das principais empresas do setor”, disse a Verde na carta.

A gestora afirma que os três controladores da companhia (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira), diante da escolha entre aportes para reparar um pedaço substancial da fraude, ou preservar sua reputação, têm ficado silenciosos, mas “claramente escolheram a opção financeira.”

A gestora espera uma recuperação judicial da Americanas longa e ruidosa.

Brasil não perde a chance de perder oportunidades

A gestora Verde aponta que o cenário externo com a reabertura da China e desaceleração da inflação global é positivo para a economia brasileira, mas que o Brasil tem perdido essa oportunidade com constantes questionamentos sobre a meta de inflação e ataques à independência do Banco Central, que mantêm os prêmios de risco, especialmente na curva de juros, bastante altos, e afetam diretamente o valuation das ações.

“O  novo governo não perde uma oportunidade de perder oportunidades”, disse a gestora.

O fundo manteve exposição na bolsa brasileira, e zerou os hedges (proteções) na bolsa americana, voltando a ter pequena posição comprada em ações globais.

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