Ensino presencial acelera, mas setor de educação mantém desafios, diz BTG; veja ações preferidas

Banco opta por empresas "operacionalmente mais resilientes para navegar" cenário atual

Foto: Shutterstock

Ainda que, com o fim das restrições à mobilidade impostas para combater a disseminação da Covid-19, o segmento de ensino presencial venha ganhando tração, as empresas do setor de educação seguem enfrentando uma série de desafios, principalmente o alto patamar da taxa de juros, a inflação de custos, os tíquetes médios pressionados e a redução no poder de compra das famílias.

Nesse contexto, e avaliando que as ações não estão baratas, os analistas do BTG Pactual se mantêm “seletivamente positivos” em relação ao setor, de acordo com relatório distribuído nesta terça-feira (30). O banco opta por empresas “operacionalmente mais resilientes para navegar este cenário”, afirmam Samuel Alves, Yan Cesquim e Pedro Lima.

As preferidas da instituição são Cruzeiro do Sul (CSED3), Ânima (ANIM3) e Vitru (VTRU), que têm recomendação de compra. A classificação é neutra para as ações de Afya (AFYA), Arco (ARCE), Cogna (COGN3), Ser Educacional (SEER3) e Yduqs (YDUQ3).

As conclusões do BTG vêm depois da divulgação dos resultados das companhias no segundo trimestre, considerados mistos, com algumas empresas reportando números em linhas com as estimativas, como Cogna e Ânima, e outras, a exemplo de Yduqs e Arco, desapontando o mercado.

“Acima de tudo, os resultados do primeiro semestre reforçaram alguns dos principais desafios do setor: pressões de custo para os nomes mais líquidos, despesas financeiras em alta dada a elevada alavancagem do setor, fraca geração de fluxo de caixa livre e uma desaceleração nas matrículas no ensino à distância”, escrevem os analistas.

Do lado positivo, o BTG aponta que todas as empresas analisadas registraram melhora nos números do segmento de ensino presencial, ajudados por uma base de comparação fraca, uma vez que parte das atividades estava suspensa por restrições à mobilidade no primeiro semestre de 2021.

Por outro lado, os analistas ressaltam que o número de matrículas nesta modalidade de ensino, apesar de ter crescido, não acompanhou a expansão no número de campi, de modo que a taxa por campus caiu para todas as companhias analisadas, com exceção da Cruzeiro do Sul.

Na outra ponta, o ensino à distância vem mostrando desaceleração. “A Yduqs e a Ser não conseguiram aumentar os volumes na comparação anual, o que pode sinalizar uma desaceleração no segmento”, afirma o BTG.

Outro ponto que vem sendo pressionado é o tíquete médio. Nessa frente, o banco destaca os players premium, sobretudo Cruzeiro do Sul, Ânima e Vitru, que registraram expansão anual.

Por fim, os analistas chamam a atenção os cursos de graduação em medicina, que vêm ganhando participação nos resultados consolidados das companhias.

Seguindo bases de comparação anuais, as matrículas presenciais cresceram para quase todas as empresas no semestre. No entanto, em relação ao ensino à distância, Yduqs e Ser não conseguiram aumentar os volumes ano a ano, o que pode sinalizar uma desaceleração no segmento, apontou o relatório.

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