Com os mercados mais uma vez em modo de cautela diante de temores de recessão, o Ibovespa acompanhou as Bolsas estrangeiras e fechou em baixa de 2,33%, aos 109.114 pontos, com R$ 21,58 bilhões em volume negociado.
Com a performance de hoje, o saldo do Ibovespa para o mês de setembro passou para baixa de 0,37%, enquanto a valorização acumulada desde o início do ano agora soma 4,09%.
As Bolsas estrangeiras também tiveram dia negativo. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 1,03%, o Dow Jones caiu 1,11% e o Nasdaq recuou 0,6%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,18%.
À espera de pistas
As quedas nos mercados globais refletem os temores de uma recessão, em um cenário de inflação ainda alta e bancos centrais elevando juros para tentar conter a escalada dos preços.
Rodrigo Jolig, CIO da Alphatree Capital, diz que hoje é “mais um dia difícil para os mercados”. “Vemos um movimento de depreciação na libra e no euro, além de observarmos as taxas de juros em alta nos EUA. Os mercados seguem operando num cenário ‘nervoso’, e a Bolsa brasileira ‘apanha’ junto”.
Agora, os investidores estarão atentos a dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa e às possíveis consequências do comportamento dos preços para os juros nesses países.
Leia mais:
BlackRock avisa: mercado e banco central dos EUA ignoram necessidade de recessão
Nos EUA, o mercado ficará sabendo do novo índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), que mede a inflação americana, na sexta-feira (30).
Por aqui, ao longo da semana serão divulgados dados como a ata da última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do BC, e a divulgação do IPCA-15, a prévia da inflação para o mês de setembro.
Também no cenário doméstico, às vésperas do primeiro turno das eleições, as pesquisas de intenção voto estarão no radar dos investidores. Vale ressaltar que, historicamente, esses períodos trazem uma volatilidade ao mercado doméstico.
Revisão de projeções
Analistas ouvidos pelo Boletim Focus, divulgado na manhã de hoje, voltaram a reduzir suas projeções para a inflação deste ano e de 2023 nesta semana, enquanto aumentaram a expectativa para a economia em 2024.
Os especialistas agora esperam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerre este ano com alta de 5,88%, ante 6% na semana passada. Para 2023, a expectativa foi reduzida para 5%, contra 5,01% na edição anterior. Já para 2024, as projeções foram mantidas em 3,5%.
Para o PIB (Produto Interno Bruto), os analistas acreditam agora em uma alta de 2,67%, levemente acima da expectativa de 2,65% na semana passada. Para 2023, a previsão se manteve em 0,5%, enquanto para 2024 a projeção passou para 1,75%, contra 1,7% há uma semana.
As projeções para a taxa de câmbio neste ano e no próximo foram mantidas em R$ 5,20 por dólar.
Os analistas do mercado também mantiveram a expectativa de encerramento da taxa básica de juros em 2022 no atual patamar de 13,75%. Para 2023, as expectativas também ficaram congeladas em 11,25%.
Banho de sangue
As crescentes preocupações de recessão, que poderia significar uma redução de demanda, pesaram também sobre o petróleo, que ainda foi pressionado pela valorização do dólar, que se beneficia do clima de aversão ao risco. Assim, o petróleo Brent teve baixa de 2,55%, para US$ 85,86 o barril.
Na mesma toada, o minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian recuou 1,46%, para US$ 99,20 por tonelada.
Neste contexto, as maiores baixas do Ibovespa foram de 3R Petroleum (RRRP3), Petz (PETZ3) e Magazine Luiza (MGLU3), com recuos de 6,83%, 6,63% e 6,26%, nesta ordem.
A 3R não foi a única petrolífera a amargar perdas neste pregão. A Prio (PRIO3) fechou em baixa de 3,2%, Petrobras ON (PETR3) caiu 0,79% e Petrobras PN (PETR4) recuou 1,6%.
Veja também:
Ações do Brasil devem ter desempenho melhor que as de outros países emergentes, diz UBS
O dia também foi negativo para todas as mineradoras e siderúrgicas do Ibovespa, com destaque para Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), que perderam 4,69% e 4,6%, respectivamente.
Fora do Ibovespa, a ação da Gafisa (GFSA3) despencou 19,31% após informar que está avaliando a realização de uma oferta pública de ações para fortalecer sua estrutura de capital e financiar seus investimentos.
Em meio a esse banho de sangue, os únicos papéis que fecharam em alta foram os de São Martinho (SMTO3), Qualicorp (QUAL3), e Klabin (KLBN11), com avanços de 0,6%, 0,22%, 0,17%, nesta ordem. Recentemente, essas empresas caíram muito por motivos diversos, entre eles o cenário econômico desafiador.
Criptomoedas
O mercado de criptoativos abriu a semana pressionado pelo mau humor das Bolsas internacionais com os investidores ainda reagindo a alta dos juros nas principais economias do mundo e à espera de novos dados da inflação e do PIB (Produto Interno Bruto) americano, que serão divulgados nesta semana.
Após passar a maior parte do dia no campo negativo, por volta das 16h55, o bitcoin registrava alta de 3,4%, negociado a US$ 19.131, segundo dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.
Na mesma hora, o Ethereum (ETH) registrava de 4,1%, vendido a US$ 1.326, conforme dados da Binance.
“Nos patamares atuais, o investidor que tem interesse em montar posição em cripto tem duas alternativas: fazer entradas parciais visando o médio e longo prazo, ou começar a se posicionar quando houver uma melhora das condições macroeconômicas, o que deve demorar alguns meses, no mínimo seis”, afirmou Ayron Ferreira, analista chefe da Titanium Asset Management.