Volátil, o Ibovespa tenta uma recuperação no último pregão da semana, mas sem muito sucesso. No início do pregão, o bom humor foi a tônica depois da possibilidade de enxugamento da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição, mas um sentimento que durou pouco tempo, arrefecendo o ímpeto do Ibovespa.
Por volta das 13h25, a Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) lideravam as perdas do índice, com baixas de 6,49% e 4,56%, respectivamente, repercutindo um novo avanço das taxas de juros. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,04% e operava aos 109.660 pontos.
De acordo com dados disponíveis na plataforma do TradeMap, as taxas dos contratos de DI para janeiro de 2024, 2026 e 2028 estavam em 14,28%, 13,51% e 13,34%, com avanços de 0,25 p.p (ponto percentual), 0,31 p.p. e 0,25 p.p, respectivamente.
Na visão de Matheus Spiess, analista da Empiricus, a curva de juros sobe nesta sexta-feira (18) após as falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento da Bloomberg realizado mais cedo.
Campos Neto declarou que uma credibilidade no quadro fiscal é importante, entendendo que existem problemas sociais a serem resolvidos. Além disso, afirmou que, dependendo da política fiscal do governo eleito, o que o BC planeja talvez não seja alcançado.
“Esse temor vindo da própria autoridade monetária causou uma virada na Bolsa, mesmo com a alta de alguns setores como os bancos”, comenta Spiess.
Ademais, a ação da Petrobras (PETR4) recuava 2,21%, enquanto a Prio (PRIO3) perdia 2,17%. Para Ariane Benedito, especialista em mercado de capitais, a queda do barril de petróleo no mercado externo pressiona o setor na Bolsa.
O preço dos contratos futuros do petróleo caiu para menos de US$ 90 o barril, voltando a níveis observados pela última vez em meados de outubro. E a queda tem a ver tanto com a perspectiva de desaceleração econômica quanto com sinais de demanda mais fraca pela commodity.
Há pouco, o barril do petróleo tipo Brent – que serve como referência para o mercado internacional – caía 1,9% no mercado futuro da ICE (Intercontinental Exchange), para US$ 88,03.
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Altas do Ibovespa
Dentre as maiores altas do Ibovespa, empresas que viram seus papéis recuarem com intensidade nos últimos pregões ensaiavam uma recuperação.
Na ponta positiva, São Martinho (SMTO3) subia 8,96%, Raízen (RAIZ4) ganhava 7,67%, Embraer (EMBR3) tinha valorização de 4,54% e a Qualicorp (QUAL3) avançava 4,30%.
Segundo Benedito, os investidores estão aproveitando a desvalorização recente da Bolsa para fazer algumas posições.
Ela ressalta ainda que sexta-feira é um dia que possui menos fluxo na Bolsa, e que o movimento incerto do Ibovespa reflete as preocupações fiscais dos últimos dias e uma “força compradora” se aproveitando das baixas.
A brMalls (BRML3), por sua vez, ganhava 2,56% após a empresa informar que sua fusão com a Aliansce Sonae foi aprovada pelo Cade.
O negócio, que foi divulgado em abril após a brMalls aceitar a oferta da Aliansce Sonae, deve formar a maior rede de shopping centers do Brasil, avaliada atualmente em mais de R$ 11 bilhões. Até a conclusão da transação, prevista para janeiro, as operações de ambas as empresas permanecerão separadas.
Bolsas internacionais
No exterior, os mercados operam em terreno positivo, recuperando parte das perdas da véspera. Ontem, membros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) adotaram posturas duras frente o futuro da taxa de juros no país.
James Bullard, presidente de Fed de St. Louis, pontuou que a taxa básica de juros americana deverá alcançar uma faixa de pelo menos 5% a 5,25% para conter a inflação.
“O comentário acabou pegando o mercado de surpresa, uma vez que este patamar de juros não está precificado na curva”, comenta a XP, em relatório.
Na Europa, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, também se pronunciou de maneira mais contracionista. De acordo com ela, a taxa de juros deverá subir para patamares restritivos para trazer a inflação de volta para meta e que o risco de recessão aumentou na zona do euro.
Veja a performance dos mercados globais nesta sexta-feira: