Em mais um dia de mercados na defensiva ao redor do mundo, à espera de decisões de política monetária aqui e nos Estados Unidos, o Ibovespa seguiu a toada do exterior e fechou em baixa de 0,61%, aos 109.280 pontos. Foram R$ 32,82 bilhões em volume negociado.
Com mais esta queda, o índice somou desvalorização de 2,69% na semana. O saldo de setembro, que até ontem era positivo, passou para baixa de 0,22%, enquanto o desempenho acumulado desde o início do ano agora é de alta de 4,25%.
O pregão negativo não foi exclusividade brasileira. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 0,72%, o Dow Jones recuou 0,45% e o Nasdaq caiu 0,9%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 1,17%.
Política monetária e FedEx azedam sentimento
O mercado segue em modo de cautela, à espera da famosa “super quarta” – dia de decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Nos EUA, a expectativa é que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) realize outro aumento de 0,75 p.p (ponto percentual) na taxa de juros do país. Há, no entanto, quem aposta em uma alta de 1 p.p.
Em relação ao Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil), as projeções se dividem entre a manutenção da taxa Selic no patamar atual ou uma alta de 0,25 p.p.
Além da política monetária, a FedEx ajudou a azedar o sentimento dos investidores. A companhia rebaixou suas projeções de resultado para o ano e afirmou que terá de realizar um forte ajuste nos custos devido à piora do cenário macroeconômico. A empresa fechará 90 escritórios, adiará contratações, reduzirá voos e cancelará projetos.
Outro alerta veio do Banco Mundial, que informou que uma recessão global pode estar próxima por causa do aumento nos juros em diversos países.
Na Europa, a inflação na zona do euro atingiu 9,1%, seu maior valor desde 1999, o que acendeu um alerta sobre o futuro dos juros no Velho Continente.
Nem mesmo a melhora nas perspectivas econômicas na China foi capaz de animar os mercados. Em agosto, a produção industrial do país superou as estimativas, crescendo 4,2% na base anual. As vendas no varejo, por sua vez, avançaram 5,4% na mesma base de comparação, também acima das expectativas.
Altas e baixas do pregão
No fechamento, as maiores baixas entre as ações do Ibovespa eram de Natura (NTCO3), Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3), com recuos de 10,47%, 9,22% e 5,52%, respectivamente.
As ações da Natura subiram em pregões anteriores diante da notícia de que uma reorganização resultaria na cisão de suas operações fora da América Latina – Aesop e The Body Shop -, mas a empresa divulgou comunicado ontem negando que esta separação esteja nos planos.
Em relatório divulgado antes da abertura do mercado, o Itaú BBA já alertava para a possibilidade de queda das ações. Segundo o analista Thiago Macruz, era justamente a expectativa do movimento de cisão que havia impulsionado a alta de 13% dos papéis nos últimos sete dias, e não seria surpresa “se o movimento fosse pelo menos parcialmente revertido nos próximos pregões”.
Na outra ponta, os papéis que mais subiram foram os de BB Seguridade (BBSE3), Fleury (FLRY3) e Magazine Luiza (MGLU3), com avanços de 4,02%, 2,97% e 2,77%, nesta ordem.
O Fleury anunciou, na noite de ontem, a inauguração de mais uma unidade da clínica de ortopedia Vita, em São Paulo. “O Fleury continua demonstrando sua capacidade de crescimento orgânico em busca de sua proposta de valor de criação de um ecossistema completo de saúde”, escreveram analistas da Genial Investimentos, em comentários ao mercado.
O papel da Minerva (BEEF3) também teve forte alta, de 2,31%, após a empresa ter o preço-alvo de suas ações aumentado por analistas do Itaú BBA.
Em relatório enviado ao mercado nesta sexta, os analistas Gustavo Troyano, Renan Moura e Victor Gaspar afirmam que estão mudando as premissas conservadoras para a Minerva porque acreditam que há espaço para valorização das ações, já que a empresa deve entregar a expansão de margens prevista para os próximos trimestres.
Criptoativos
A despeito da semana ser marcada pela atualização histórica da rede Ethereum, o mercado cripto estendeu o clima negativo nesta sexta-feira, pressionado pelo mau humor da economia global com a expectativa de novas altas agressivas nos juros americanos.
O clima negativo, que também derrubou os mercados, foi reforçado nesta semana após dados da inflação virem piores do que o esperado. A expectativa agora é pela divulgação dos juros americanos na próxima semana.
Diante do clima incerto, o Bitcoin voltou a perder o suporte dos US$ 20 mil. Por volta das 16h25, a maior cripto do mundo tinha queda de 0,4%, negociada a US$ 19.579, conforme dados da Binance disponíveis na plataforma TradeMap.
A queda era ainda mais brusca no Ethereum, que também passa por uma pressão vendedora após plataformas colocarem o equivalente a US$ 1,2 bilhão em exchanges, gerando apreensão por uma inundação de tokens no mercado.
Na mesma hora, o ETH tinha desvalorização de 3,1%, vendido a US$ 1.431. Apesar da queda pós-atualização, analistas do mercado seguem confiantes que a mudança no sistema de validação da rede vai impulsionar a cripto no médio e longo prazo.