Dos bares da Faria Lima a Wall Street: por que sócio da Upon Global gostou do índice de inflação nos EUA

Fundo multimercado da gestora ganhou 184% do CDI com alta de juros nos EUA e aposta na queda da bolsa americana

A alta maior que a esperada do índice de preços ao consumidor (CPI), nos Estados Unidos, em agosto desagradou os investidores e acentuou a queda das bolsas nesta terça-feira (13). Mas nem todos viram como decepção o avanço de 0,1% – quando a expectativa era de queda no indicador.

Para a gestora Upon Global Capital, o dado confirma a perspectiva de que o Fed (Federal Reserve), o banco central americano, terá que dar continuidade à elevação da taxa básica de juros para colocar a inflação na meta de 2%.

“A nossa visão é que há mais altas de juros pela frente e que o banco central americano não vai conseguir derrubar os juros tão rápido”, diz Pedro Silveira, sócio-fundador e responsável pela área de novos negócios, marketing e comercial da Upon Global Capital.

A gestora, cujo fundo multimercado acumula alta de 14,91% no ano, até 12 de setembro, ou o equivalente a 184% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), foca investimentos no exterior e tem ganhado com a aposta na alta dos juros nos EUA e na queda da bolsa americana.

Dados do CME Group, responsável pelo CPI, mostram que, no mercado de juros futuros, cresceu a aposta de o Fed acelerar a alta da taxa de juros para 1 ponto percentual na reunião de setembro. Antes, a estimativa majoritária era de alta de 0,75 ponto percentual.

A taxa do título do Tesouro americano para um ano subiu de 3,668% para 3,9306%. “Acreditámos que 3,5% de alta máxima da taxa de juros nesse ciclo era muito pouco, assim como não achávamos que tinha espaço para queda da taxa a partir de julho de 2023. Agora, a taxa perto de 4% [para fim de ciclo] já parece mais perto da realidade, mas vamos medindo essas assimetrias para nos posicionar”, afirma Silveira.

A alta de juros deve contribuir para a queda da atividade econômica e provocar uma revisão para baixos dos lucros das empresas nos EUA. Nesse cenário, a gestora mantém uma posição vendida (apostando na queda) no índice S&P500, da Bolsa de Nova York.

O fundo da gestora também ganhou ao acreditar na queda do euro frente ao dólar. “Víamos um cenário de inflação alta, que já era ruim para os Estados Unidos e, para a Europa, é muito pior, onde está acontecendo uma guerra [a da Ucrânia]”, conta.

Além do risco de recessão, as empresas devem enfrentar um aumento de custo com o processo de desglobalização da economia, que começou com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e foi intensificado pela pandemia, aponta a gestora.

Diversificação do risco Brasil

O fundo da casa Upon Global, que tem aplicação mínima de R$ 1 mil, busca oportunidade de investimento em juros, moedas, commodities e índices de ações globais e conta com patrimônio ao redor de R$ 500 milhões. Para proteger os investidores de oscilações cambiais, a carteira possui hedge (proteção) em suas operações.

“A ideia foi criar um fundo descorrelacionado da indústria local, porque víamos muitos gestores independentes superespecialistas em Brasil e a indústria muito concentrada no chamado ‘kit Brasil’ nos investimentos”, destaca.

Para acompanhar o mercado externo, a gestora possui um escritório em Nova York, liderado pelo sócio e cofundador Thiago Melzer, responsável pela área de investimentos e que foi chefe global de opções e chefe de juros e moedas para as Américas do Morgan Stanley.

Junto com Silveira e Fábio Isaack, chefe de operações e ex-sócio-diretor da XP Investimentos, eles fundaram a Upon Global Capital em 2021.

A experiência como empreendedor não é uma novidade para Silveira que é sócio de restaurantes e bares famosos localizados na região da Faria Lima, centro do mercado financeiro na cidade de São Paulo, como Nino Cucina, Boa Praça e Tatu Bola, por meio da holding Alife, da qual é presidente do conselho.

O grupo Alife, que tem o fundo de private equity da XP como sócio, conta hoje com 32 estabelecimentos, número que deve aumentar para 42, segundo Silveira. “Dedico 80% do meu tempo para a gestora e 20% para a Alife, que é tocada por um bom CEO”, afirma.

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