O dólar e os juros futuros abriram em queda na manhã desta terça-feira (1), em meio a rumores de que a China, segunda maior economia do mundo e maior parceira comercial do Brasil, pode afrouxar as restrições ligadas à política de Covid zero.
As bolsas asiáticas fecharam em alta hoje, após circular nas redes sociais uma informação não confirmada de que os chineses estariam montando um comitê e se preparando para relaxar as medidas de isolamento social de combate à Covid-19.
Até agora, a política de Covid zero da China levou o país a intensos lockdowns – principalmente no segundo trimestre deste ano – e teve efeitos negativos sobre a economia. Estimativas de órgãos internacionais sugerem que a China pode crescer menos de 3% este ano, algo raro nas últimas décadas.
“Se a China acabar com a Covid zero, isso seria muito bom para o mundo e para o Brasil”, diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. “Muito investidor estrangeiro está se antecipando e entrando em Brasil, porque sabe que o Brasil tem tudo para acelerar muito seu ritmo em 2023. Continuamos tendo entrada de capital”,
No mercado brasileiro, o otimismo com o afrouxamento das medidas da China contra a Covid foi parcialmente compensado pelos bloqueios de estradas e avenidas por caminhoneiros e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
Os manifestantes protestam contra o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro, porém, ainda não se pronunciou para admitir a derrota.
Ontem, day after das eleições brasileiras, o mercado havia reagido com otimismo à possibilidade de uma transição de governo menos tumultuada que a prevista, dado que o resultado das eleições presidenciais teve rápido reconhecimento pelos presidentes da Câmara e do Senado e do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
O bloqueio de estradas e avenidas por apoiadores de Bolsonaro, contudo, mantém o receio no ar, e impede uma valorização mais intensa da moeda brasileira nesta terça. A expectativa é que Bolsonaro se manifeste hoje a respeito do resultado das urnas, o que acalmaria os ânimos de apoiadores mais exaltados.
Além disso, o clima dos mercados globais azedou após dados mostrarem que a economia dos Estados Unidos continua muito forte, mesmo após o banco central do país, o Federal Reserve, estar aumentando os juros e tentando frear a atividade.
Dados publicados mais cedo mostraram que, depois de fechar postos de trabalho em agosto, a economia americana voltou a criar vagas de emprego em setembro. O indicador, embora positivo, contraria as intenções do Fed, que tenta resfriar a economia.
A leitura do mercado é que isso pode significar mais altas de juros à frente – o que fortaleceria o dólar e aumentaria o risco de inflação no Brasil, exigindo a manutenção de juros altos por mais tempo também na economia brasileira.
Por volta das 11h25, a moeda americana e os contratos futuros de juros operavam em baixa. O dólar futuro operava em queda de 0,42%, a R$ 5,19, e os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2026 caíam 3 pontos-base, a 11,52%. O Ibovespa, principal índice brasileiro, subia 0,25%.