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Dólar abaixo de R$ 5? Projeções para câmbio ficaram velhas rapidamente; entenda

Dólar abaixo de R$ 5? Projeções para câmbio ficaram velhas rapidamente; entenda

Para especialistas, moeda americana deve continuar se valorizando

Notas de dólar

Foto: Shutterstock

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Divulgado hoje após um mês de pausa forçada pela greve dos servidores do Banco Central, o Boletim Focus mostrou que os analistas de mercado, animados com o aumento do fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil, reduziram suas projeções para o dólar no final do ano.

Há quatro semanas, o mercado previa câmbio de R$ 5,25 ao fim deste ano e de R$ 5,20 no encerramento de 2023. A aposta agora é de um câmbio de R$ 5 por dólar em ambos os períodos. A projeção reflete a expectativa média dos especialistas, mas algumas casas esperam patamar ainda menor, como o BTG Pactual e a Itaú Asset Management, que veem o dólar a R$ 4,80 em dezembro.

Da semana passada para cá, entretanto, a cotação da moeda americana mudou de rumo de forma drástica. Após fechar em R$ 4,62 na última quarta-feira (20), o dólar avançou quase 7% e era negociado a R$ 4,95 por volta das 11h desta terça-feira (26).

Vários fatores contribuíram para a valorização recente do dólar, entre eles as apostas em uma alta maior dos juros americanos pelo Federal Reserve na reunião da semana que vem e a disparada nos casos de Covid-19 na China, que levou o país a decretar lockdowns rigorosos em dezenas de cidades.

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Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, afirma que isso, somado à proximidade do fim da alta de juros no Brasil, desfavorece o chamado carry trade – quando um investidor pega dinheiro emprestado em um país com juros baixos (como os Estados Unidos) e aplica em outro país onde as taxas são maiores (como o Brasil).

Ele aponta ainda que a crise institucional entre o Poder Judiciário e o Poder Executivo, detonada pelo indulto concedido pelo presidente Jair Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira após condenação pelo STF (Supremo Tribunal Federal) também preocupa o mercado.

“Não podemos esquecer o início de uma crise institucional entre o Judiciário e o Executivo, que preocupa bastante o mercado. Além disso, estamos em ano eleitoral, o que sempre gera preocupações com o equilíbrio das contas públicas”, acrescentou.

Para o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, a tensão entre o ministro do STF Luís Roberto Barroso e as Forças Armadas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas é ainda mais preocupante.

“Esse assunto cria um clima de instabilidade forte para o pleito de outubro, e esse tema é central para muitos investidores internacionais, que veem na estabilidade democrática um ponto fundamental pra investimentos de longo prazo”, aponta Perfeito. “Difícil determinar se de fato estas questões políticas estão formando preço, como se diz no jargão do mercado, mas ignorar estes temas não parece mais uma opção.”

Na avaliação de Laatus, a tendência é que o dólar continue se valorizando. “A tendência é voltar para R$ 5 ou mesmo acima disso”, afirma. “Não tem cenário nenhum para esse real voltar a se apreciar, não há motivadores para isso”.

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