Como o novo governo pode atrapalhar a vida do BTG (BPAC11) e por que há analistas com o pé atrás

Profissionais do Itaú BBA reiteraram que estão cautelosos com a ação do BTG e revisaram o lucro de 2023 para baixo

Foto: Shutterstock/rafapress

A pouco mais de um mês do início do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), analistas do mercado financeiro têm quebrado a cabeça para entender qual será o futuro das companhias que de alguma forma são sensíveis a qualquer tipo de mudança na política econômica do país.

E a preocupação não vale só para as estatais com ação negociada na Bolsa, como a Petrobras (PETR4) e o Banco do Brasil (BBAS3). O mercado também tem feito contas para antecipar o impacto do novo governo em empresas privadas que podem ser afetadas indiretamente.

É o caso do BTG Pactual (BPAC11), o maior banco de investimentos da América Latina, e que tem o BNDES, banco público focado em desenvolvimento econômico e social, como um dos seus concorrentes, além dos outros bancos estatais, o próprio BB e a Caixa.

Nas gestões petistas passadas, o BNDES era uma instituição financeira com grande protagonismo no financiamento de obras, inclusive em outros países, mas que passou a ter uma atuação mais discreta após a chegada de Michel Temer ao poder em 2016 e assim seguiu na gestão de Jair Bolsonaro.

Os analistas do Itaú BBA, que em setembro rebaixaram a ação do BTG para marketperform (equivalente a uma visão neutra), reiteraram a classificação e disseram que seguem cautelosos com o banco.

“Achamos que uma maior incerteza macroeconômica e política começará a afetar a atividade [econômica] e atenuar as previsões de mercado, talvez já otimistas”, escreveram os analistas Pedro Leduc, Matheus Raffaelli e William Barranjard, em relatório a clientes distribuído à imprensa nesta terça-feira (22).

O próprio BBA revisou para baixo a estimativa de lucro líquido para o BTG em 2023, de R$ 9 bilhões para R$ 8,7 bilhões, o que ainda representa expansão de 4,8% em relação ao esperado para 2022.

Para os analistas, o BTG continua sendo uma grande instituição financeira, com um negócio diversificado e capaz de entregar uma rentabilidade de 20% (medida pelo retorno sobre capital, ou ROE, na sigla em inglês), mas acreditam que os próximos balanços trimestrais serão gatilhos para revisões para baixo no mercado, com a percepção de que a ação da empresa não é mais uma pechincha.

Para tentar identificar se a ação do BTG está barata ou cara, o Itaú BBA recorreu ao múltiplo P/L, que divide o preço da ação pelo lucro por ação. Com isso, calcula-se quantas vezes o preço atual da ação da empresa está superando o lucro por ação. Quanto maior o resultado, mais cara está a companhia.

Segundo os analistas, o BTG tem sido negociado com um preço que supera o lucro por ação em 25 vezes, enquanto os demais bancos listados têm uma média de seis vezes. “O BTG é um ótimo banco, mas não está no melhor preço ou momento”, afirma o Itaú BBA.

Para os analistas, a incerteza política tem aumentado, pois é esperado que os bancos públicos desempenhem um papel significativo na próxima administração, incluindo o BNDES.

Em um relatório anterior, publicado no início de novembro, o Itaú BBA afirmou que a saúde financeira dos principais bancos estatais (BNDES, Caixa e Banco do Brasil) é forte em diversas métricas. Eles estimaram mais de R$ 2 trilhões em capacidade de concessão de crédito, se todos os seus índices de Basileia excedentes fossem usados.

“Seria improvável que isso acontecesse de uma só vez, e ainda seriam necessários recursos para expandir o balanço, mas esse é um número significativo dentro do sistema de crédito total de R$ 5 trilhões do Brasil”, disse o BBA à época.

Leia mais:
BTG Pactual (BPAC11) acredita que novo governo vai “atuar de maneira responsável”

Como referência, eles lembraram que a parcela de crédito dos bancos públicos passou de cerca de 40% em 2010 para quase 60% em 2016, e voltou a cair para 40% atualmente.

“Sua expansão de crédito poderia alimentar o desenvolvimento e retroalimentar positivamente o crescimento, se feito corretamente”, disse o banco. “Mas também pode criar um efeito de ‘afastamento’ para outros atores ao longo do caminho e, posteriormente, se mostrar insustentável e causar danos econômicos”.

Segundo o Itaú BBA, a redução da participação do BNDES teve um impacto positivo na atividade do mercado de capitais (e dos bancos de investimento) nos últimos anos.

No BTG, a carteira de crédito para grandes empresas terminou o terceiro trimestre com R$ 129,7 bilhões, alta de 33% em relação a igual trimestre do ano passado.

Por volta das 12h37, a ação do banco operava em queda de 2,49%, a R$ 24,69.

 

Compartilhe:

Leia também:

Destaques econômicos da próxima semana

Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   Segunda-feira (31/03/2025)   08:25 – BrasilBoletim FocusO Banco Central do Brasil divulgará o Boletim Focus às

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.