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Como o Ibovespa se comportou nas últimas 5 eleições e o que esperar em 2022?

Como o Ibovespa se comportou nas últimas 5 eleições e o que esperar em 2022?

Especialistas apontam que única certeza é ver mercado mais volátil, em ano de disputa acirrada e sob efeito da Covid

O Ibovespa subiu pelo quinto dia seguido e terminou o pregão no maior patamar em mais de um mês, com a expectativa pelo Copom.

Foto: Pixabay

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Marcado pela polarização entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa da presidência do Brasil, o ano de 2022 deve ser de volatilidade acima do normal no mercado financeiro.

Levantamento feito pela XP Investimentos destaca o aumento das oscilações antes do segundo turno, com normalização apenas após o fim da disputa. A volatilidade, contudo, deverá ser acompanhada de uma piora de humor dos investidores, diante de uma maior cautela com o desfecho político.

Não é possível traçar um cenário padrão para o comportamento do mercado em períodos eleitorais, mas, nas últimas cinco eleições, o Ibovespa caiu antes da disputa em quatro delas, e subiu posteriormente também em quatro situações.

Em 2002, por exemplo, quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez, o Ibovespa registrou queda de quase 30% nos seis meses anteriores às eleições e subiu cerca de 27% no semestre seguinte.

Já em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) assumiu o segundo mandato à frente do comando do país, os retornos foram positivos em ambas as janelas de seis meses.

Confira a seguir o desempenho do principal índice da B3 antes e depois de eleições presidenciais, desde 2002.

RETORNO DO IBOVESPA ANTES E DEPOIS DAS ELEICOES

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Quando se trata da variação média do Ibovespa nos períodos eleitorais de 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018, o principal índice acionário da B3 caiu 6,7% no semestre anterior à votação e subiu cerca de 5,9% nos seis meses pós-eleição, de acordo com a XP.

O desempenho médio do Ibovespa também foi positivo nesses mesmos anos considerando períodos de 12 e de 3 meses antes das eleições, assim como em intervalos semelhantes nos meses que sucederam a votação em segundo turno.

“O preço das ações não parece seguir nenhuma regra. A democracia brasileira é jovem e a amostra de períodos eleitorais em que as políticas e o mercado eram similares ao atual são pequenas. Além disso, o mercado brasileiro é sensível aos movimentos do mercado global, como a volatilidade cambial, períodos de bonanças e crises econômicas globais, e mudanças nos preços das commodities, como fatores que podem afetar as ações brasileiras mais do que as incertezas políticas domésticas”, destaca a XP, em relatório.

O que vem pela frente?

Eliel Lins, sócio fundador da assessoria financeira Mundo Investimentos, que atua no mercado por meio da Guide Investimentos, vê maior possibilidade de o mercado ficar volátil neste ano, diante de questões adicionais como uma disputa mais polarizada, além das incertezas trazidas pela variante Ômicron.

Lins destaca que, neste momento, o mercado aguarda atentamente informações de composição das chapas, anúncios de possíveis equipes econômicas e os planos de governo dos candidatos à presidência. E ressalta que o cenário ainda é imprevisível com Lula e Bolsonaro na disputa.

“Ambos são pré-candidatos e lideram as pesquisas. Porém, podem surgir outros candidatos até o registro das chapas e, assim, mudar as pesquisas. Além disso, o mercado não conhece os planos de governo”, salienta.

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Para o Bradesco BBI, o Ibovespa poderá ser beneficiado neste ano por uma convicção cada vez maior de um ajuste fiscal após as eleições, o que pode estimular uma “recuperação significativa”.

Contudo, os analistas André Carvalho e Fernando Cardoso dizem acreditar que haverá pouca visibilidade nos ajustes de política pós-eleitoral até o terceiro trimestre de 2022, alguns meses antes das eleições presidenciais.

O banco tem preferência por nomes de consumo discricionário e industriais, além do setor financeiro, com recomendação overweight (acima da média do mercado, equivalente à compra).

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