Com confiança em baixa, ações de construção civil caem em bloco – Tenda (TEND3) recua 6%

O índice de confiança dos empresários do setor, medido pela FGV, está no menor nível desde março de 2022

Foto: Shutterstock/SPK Studio Images

As ações de empresas da construção civil listadas na Bolsa caem em bloco no pregão desta terça-feira (27), após a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrar que o nível de confiança dos empresários do setor é o menor desde março.

Por volta das 11h50, a maior queda entre as companhias do setor era protagonizada pela Tenda (TEND3), com recuo de 6,44%. A MRV (MRVE3), por sua vez, tinha queda de 4,13%, enquanto a Cyrela (CYRE3) amargava desvalorização de 3,25% e a Eztec (EZTC3) caía 3,73%.

Na manhã desta terça, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) divulgou o Índice de Confiança da Construção (ICST), que teve um recuo de 0,3 ponto em dezembro ante novembro, para 95,3 pontos, o menor nível desde março de 2022 (92,9 pontos). Em médias móveis trimestrais, houve queda de 2,1 pontos.

Os números mais recentes do índice mostram uma “virada de chave” para os empresários do setor, que estavam mais confiantes até meados do ano, mas passaram a ficar mais pessimistas nos últimos meses.

Para a coordenadora de Projetos da Construção do instituto, Ana Maria Castelo, a confiança do empresário ao longo do ano acompanhou a retomada do setor, que teve um “crescimento expressivo” em números de PIB e geração de empregos em 2022.

“A desaceleração do ritmo de alta dos custos representou um alívio – nos quesitos de limitação à melhoria dos negócios, o custo da matéria-prima perdeu o protagonismo até para as assinalações de Nenhuma Dificuldade.”

No entanto, ela ressalta que em novembro e dezembro o cenário passou a refletir pessimismo quanto à evolução da demanda.

“O Indicador de Expectativas alcançou dezembro abaixo de 100, o que representa um pessimismo maior do que há um ano. Ou seja, os empresários já antecipam um arrefecimento da retomada. Vale notar que a atividade ainda deverá refletir esse ciclo recente por algum tempo, mas deve perder força com a queda na demanda”.

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Vale lembrar que houve uma piora no cenário para os juros nos últimos meses. A expectativa anterior era de que o Banco Central (BC) havia parado de subir os juros e que a Selic iria começar a cair no primeiro semestre do ano que vem. Agora, o mercado não descarta a chance de um novo aumento, o que retardaria o início do processo de queda.

Com a chance de juros mais altos por mais tempo, naturalmente o financiamento imobiliário perde demanda.

Componentes

Segundo o FGV Ibre, a leve queda no indicador reflete a piora na percepção dos empresários sobre o momento atual. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) recuou 0,4 ponto, para 96,6 pontos, com influência do volume de carteira de contratos, que caiu 0,7 ponto, para 98,1 pontos, e da situação atual dos negócios, que teve queda de 0,2 ponto, para 95 pontos.

O Índice de Expectativas (IE-CST) ficou estável, com queda de 0,1 ponto, para 94,3 pontos. O indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses caiu 1,1 ponto, para 92,3 pontos, e o indicador de demanda prevista nos próximos três meses subiu 0,9 ponto, para 96,3 pontos.

O nível de utilização da capacidade (Nuci) da construção registrou queda de 0,9 ponto percentual em dezembro, para 78,3%, com -0,8 ponto percentual em mão de obra (79,6%) e -2 pontos percentuais em máquinas e equipamentos (71,9%).

O Indicador de Demanda Prevista (DP) subiu 0,9 ponto em dezembro e não compensou a forte queda de 7,4 pontos do mês anterior. As edificações residenciais, setor de destaque na retomada recente da construção, a DP subiu 4,5 pontos, depois da queda de 10,9 pontos em novembro.

Inflação da construção

O FGV Ibre também divulgou hoje o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), que subiu 0,27% em dezembro, acumulando alta de 9,40% de janeiro a dezembro de 2022. Em dezembro de 2021, o índice subiu 0,30%, com alta de 14,03%, em 12 meses.

A taxa relativa a materiais, equipamentos e serviços passou de -0,23% em novembro para 0,38% em dezembro, com a taxa correspondente a materiais e equipamentos registrando alta de 0,37% no mês, após cair 0,35% no mês anterior. Entre os quatro subgrupos desse componente, dois subiram: materiais para estrutura passou de -0,98% para 0,62% e equipamentos para transporte de pessoas foi de 0,04% para 0,64%.

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A taxa dos serviços passou de 0,35% para 0,43% em dezembro, com destaque para o avanço de 0,35% para 1,35% na taxa da refeição pronta no local de trabalho.

O índice referente à mão de obra passou de 0,53% em novembro para 0,16% em dezembro, com alta acumulada de 11,76% em 12 meses.

*Com informações da Agência Brasil

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