Com apoio de consumo e blue chips, Ibovespa sobe 2% antes do Natal; B3 (B3SA3) dispara

Principal índice da B3 ignorou o cenário internacional e fechou no campo positivo pelo quinto pregão seguido

Foto: Shutterstock/Bigc Studio

O Ibovespa adiantou o presente de Natal dos investidores nesta sexta-feira (23) ao fechar no campo positivo pelo quinto pregão seguido, apesar da menor liquidez por conta do clima de recesso e do cenário ameno nos mercados internacionais.

O descolamento da Bolsa brasileira foi sustentado pelas ações de consumo e dos bancos após dados prévios da inflação em dezembro virem levemente abaixo do esperado pelo mercado.

Na ponta negativa, siderúrgicas e metalúrgicas sofreram com o agravamento da pandemia de Covid-19 na China e o temor que a volta dos tempos mais rígidos da política de restrições prejudique ainda mais a segunda maior economia do mundo.

O Ibovespa encerrou o último pregão da semana em alta de 2%, aos 109.698 pontos, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Na semana, a Bolsa acumula uma valorização de 6,65%.

O desempenho faz o indicador reduzir a queda acumulada em dezembro para 2,47%, enquanto a alta no ano é de 4,65%.

Altas do dia

Papéis ligados a empresas de varejo, consumo e bancos foram destaques no pregão desta sexta, refletindo a prévia da inflação de dezembro ter ficado em 0,52% na base mensal, levemente abaixo do previsto pelo mercado.

Neste contexto, destaque para as altas do Positivo (POSI3), que subiu 8,11%, CVC (CVCB3), com alta de 7,53% e Multiplan (MULT3), que avançou 6,42%.

No segmento bancário, por sua vez, o crescimento foi puxado pelos papéis do Banco Pan (BPAN4) e BTG Pacutal (BPAC4), com altas de 7,53% e 6,93%, respectivamente.

A alta do dia, porém, foi da B3 (B3SA3), com avanço de 8,63%. Logo atrás aparece a 3R Petroleum (RRRP3), que fechou o pregão com valorização de 8,34% após informar na véspera a compra total do Campo de Papa-Terra da Petrobras (PETR4), na Bacia de Campos.

Segundo Rodrigo Cohen, co-fundador da Escola de Investimentos, o cenário positivo com a inflação se soma à distensão do cenário político após as recentes nomeações de futuros ministros e membros da equipe econômica, com destaque para a indicação do vice eleito, Geraldo Alckmin, para a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

“Isso vem trazendo mais calma no fim de 2022. As ações mais impactadas nesse contexto serão as varejistas, construtoras e educação”, afirma.

Temor com China pesa

As principais baixas do dia foram de siderúrgicas e metalúrgicas. O movimento reflete novas tensões com a desaceleração da economia da China em meio ao avanço de casos de Covid-19.

Um relatório feito por Pequim indica que 37 milhões de chineses foram infectados pelo novo coronavírus num único dia, segundo a Bloomberg.

Outro trecho afirma que 248 milhões de pessoas – 18% da população do país – foram contaminadas durante os 20 primeiros dias de dezembro.

Diante do temor da volta de lockdowns e fechamento de fábricas, o minério de ferro negociado em Dalian fechou em queda de 0,18%, a US$ 118 por tonelada.

O cenário fez os papéis da Gerdau (GGBR4) e o seu braço de metalurgia (GOAU4), estarem entre as maiores quedas, com tombo de 3,89% e 3,65%, nesta ordem.

Do mesmo segmento, CSN (CSNA3) caiu 2,25%, enquanto Usiminas (USIM5) teve retração de 1,14%.

A maior queda, porém, foi do IRB (IRBR3), que liderou o grupo ao tombar 4,21%.

Mercados globais e criptos

Lá fora, as Bolsas fecharam próximas da estabilidade com os investidores digerindo os dados do PCE, o indicador de inflação preferido do Fed (o banco central americano), divulgados nesta manhã.

Em Wall Street, o Dow Jones teve alta de 0,53%, enquanto S&P500 subiu 0,59% e Nasdaq avançou 0,21%. No outro lado do Atlântico, o Euro Stoxx 50 fechou com perda de 0,17%

Em novembro, a inflação medida pelo PCE foi de 0,1% na comparação com o mês anterior. Em 12 meses, a alta do índice é de 5,5%, abaixo dos 6,1% registrados em outubro.

O núcleo da inflação – que remove da conta itens cujos preços se comportam de forma mais volátil – foi de 0,2%, em linha com as expectativas do mercado.

Apesar de os dados indicarem que o pior ficou para trás, a velocidade lenta da queda ainda inspira cuidados entre os investidores. Ontem, dados da economia mais fortes que o esperado mostraram que a luta para conter a alta dos preços ainda deve se prolongar por todo o próximo ano.

“Em nossa visão, o mercado de trabalho aquecido manterá a inflação elevada por algum tempo, obrigando a autoridade monetária a seguir com novos ajustes de juros no curto prazo”, afirmou Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank.

Já os criptoativos, se descolando do clima ameno de Nova York, operaram em ligeira alta nesta sexta, com valorização das principais moedas.

Por volta das 17h35, o Bitcoin (BTC) perdia 0,32% em comparação as últimas 24 horas, negociado a US$ 16.966, de acordo com dados da plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) recuava 0,46%, a US$ 1.230.

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