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Com alta da Selic para 11,75%, Brasil tem a segunda maior taxa de juros real do mundo e só perde para Rússia

Com alta da Selic para 11,75%, Brasil tem a segunda maior taxa de juros real do mundo e só perde para Rússia

Para conter a fuga de capitais com o conflito na Ucrânia, o banco central russo elevou juros a 20%

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Com o aumento da taxa Selic para 11,75%, o Brasil passou a ter a segundo maior taxa de juros reais (ou seja, descontada a inflação) do mundo, só perdendo para a Rússia, segundo levantamento da Infinity Asset.

O levantamento considera a inflação projetada para os próximos 12 meses, de 5,69%, no último Boletim Focus, e a taxa de juros do contrato de DI dos próximos 12 meses com vencimento em janeiro de 2023.

Para conter a fuga de capitais com o conflito na Ucrânia, o banco central da Rússia elevou, em 28 de fevereiro, a taxa básica de juros para 20% ao ano, a segundo maior do mundo, atrás somente da Argentina, com 42,50%.

O banco central da Turquia manteve a taxa básica de juros nesta quinta-feira (17) em 14% ao ano. Contudo, como a inflação na Turquia é mais alta que no Brasil, a taxa de juros real no país é de apenas 1,44% , ocupando apenas o sexto lugar no ranking.

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Com os investidores evitando a alocação em ativos na Rússia por conta da guerra na Ucrânia, o Brasil passa a ser o mercado com o retorno mais atrativo para os investimentos em renda fixa, oferecendo uma taxa de juros real de 7,10%.

Veja o ranking a seguir:

Ranking de juros reais
País Taxa de juros real*
Rússia  30,07%
 Brasil  7,10%
Colômbia 3,65%
Chile  3,64%
México 2,62%
Turquia  1,44%
Hungria  1,22%
Indonésia 1,00%
África do Sul  0,46%
China  -0,01%
Malásia -0,05%
Filipinas -0,14%
Hong Kong  -0,74%
Índia  -0,90%
Japão -0,95%
Suíça -0,98%
Israel  -1,40%
Tailândia -1,49%
Nova Zelândia -1,76%
República Checa  -1,76%
Coreia do Sul  -1,79%
Reino Unido  -1,86%
Polônia -1,89%
Suécia  -2,14%
Cingapura -2,20%
Dinamarca  -2,30%
 Austrália  -2,34%
Grécia  -2,62%
Áustria -3,19%
 Portugal  -3,38%
Taiwan -3,48%
Canadá -2,31%
França -3,84%
Estados Unidos -4,28%
 Alemanha -4,85%
Holanda -5,03%
 Espanha -5,12%
 Itália  -5,35%
 Bélgica  -5,48%
 Argentina -15,20%

Fonte: Infinity Asset. *Taxas de juros atuais descontada

a inflação projetada para os próximos 12 meses

Apesar de o Brasil ter a quarta maior taxa de juros nominal do mundo, atrás da Argentina (42,50%), da Rússia (20%) e Turquia (14%), a inflação mais alta nesses países faz com que o retorno em termos reais seja bem menor.

No caso dos Estados Unidos, por exemplo, onde a inflação medida pelo CPI (índice de preços ao consumidor) acumulou avanço de 7,9% em 12 meses encerrados em fevereiro, a maior alta desde 1982, a taxa de juros real está negativa em 4,28%.

Segundo a Infinity Asset, a pressão inflacionária global deve continuar, dadas as ainda contínuas pressões e os choques de oferta no atacado e a aceleração da demanda diante do processo de reabertura das economias. Isso deve fazer com que muitos países ainda convivam com taxas de juros reais em terreno negativo.

Diante da pressão inflacionária e das expectativas de inflação elevadas, o Banco Central sinalizou no comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a intenção de manter o ritmo de aperto de juros e  promover um aumento de mais 1 ponto percentual da Selic em maio visando a  convergência do IPCA para a meta. A meta de inflação é de 3,50% neste ano e de 3,25% em 2023, podendo variar 1,50 ponto para baixo ou para cima.

 

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