Nas últimas semanas, com o acirramento da disputa eleitoral, as ações de educação, como Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3), tiveram dias agitados. A cada sinal de uma vantagem do agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os papéis disparavam, recuando apenas quando a vantagem parecia estar com Jair Bolsonaro (PL).
Diante disso, os papéis somaram fortes altas na última semana, uma vez que Lula afirmou, durante a campanha, que irá novamente impulsionar os programas de financiamento estudantil criados nas gestões petistas, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que turbinaram os resultados das companhias de educação no passado.
A escalada, porém, ainda é insuficiente para compensar as perdas acumuladas nos últimos 12 meses. O setor de educação foi um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19, uma vez que, além de sofrerem com a perda de força destes programas, as companhias precisaram se adaptar para operar em um cenário de unidades fechadas e crescimento do ensino à distância.
Por volta das 15h50 desta segunda, as ações da Yduqs tinham alta de 3,99%, a R$ 15,91, a Cogna subia 1,89%, a R$ 2,24, a Ser Educacional avançava 5,18%, a R$ 8,53, e a Ânima tinha valorização de 9,40%, a R$ 6,75.
A hora da educação é agora?
Uma coisa parece ser unanimidade entre os analistas: primeiro de tudo, é preciso aguardar por mais definições.
Na visão de Pedro Serra e Ilan Arbetman, analistas da Ativa Investimentos, os principais pontos a serem acompanhados nos próximos dias são o pronunciamento do presidente Bolsonaro, que ainda não se manifestou, a equipe econômica de Lula e a condução dos desafios fiscais.
Leia mais:
5 principais pontos para os investidores prestarem atenção após eleição
Apesar das indefinições, os analistas da Ativa acreditam, segundo relatório distribuído nesta segunda-feira (31), que uma redução na taxa de juros e uma evolução da economia doméstica deverão ocorrer no ano que vem, o que beneficiaria empresas voltadas para o consumo interno. Nesse sentido, a corretora acredita que o setor de educação pode se beneficiar e “aproveitar o momento”.
“O governo Lula em seus mandatos anteriores foi marcado por fortes programas educacionais, como o Fies e o ProUni [Programa Universidade para Todos], que foram relevantes para o segmento no passado”, escreveram Lucas Carvalho, João Freitas, Paloma Brum e Lucas Serra, analistas da Toro Investimentos, em relatório divulgado hoje.
“Possivelmente novos programas, ou reformulações no Fies, que hoje é significativamente menor do que outrora, podem significar um impulso importante para as empresas do setor”, completam.
Victor Bueno, analista de ações da Nord Research, concorda: “As ações de empresas focadas no ensino superior têm chamado a atenção, dadas as perspectivas de fortalecimento do Prouni e retomada do Fies. O mercado acredita que o aumento do subsídio se traduzira em mais receita para as empresas de educação”, avalia, em comentários ao mercado.
Nesse sentido, a visão dos analistas da Toro é que Yduqs e Ser Educacional (SEER3) devem ser as mais beneficiadas, já que, historicamente, os programas de incentivo à educação favoreceram o ensino presencial, segmento em que as duas empresas têm maior relevância. A corretora não descarta, no entanto, a possibilidade de os programas serem ampliados para o ensino à distância, beneficiando a Cogna.
Alguns mantêm a cautela
Por outro lado, em relatório, o BTG Pactual é um pouco mais cauteloso com o setor. “Enquanto esperamos os próximos sinais e passos do novo governo, como mais detalhes sobre as futuras nomeações de ministros, continuamos, pelo menos por enquanto, a preferir saúde em vez de educação”, explicam Samuel Alves, Yan Cesquim e Pedro Lima, analistas do banco.
Veja também:
Goldman Sachs elege as ações de varejo preferidas para o período pós-eleição – confira
Em primeiro lugar, a perspectiva do banco é que as empresas de saúde não devem ser muito influenciadas pelo governo, independente de quem tivesse sido o presidente eleito, uma vez que tópicos como regulamentação de aumentos de preço, exigências de solvência e lista mínima de cobertura não receberam destaque durante a campanha.
Além disso, o BTG aponta que, mesmo que o pior provavelmente já tenha ficado para trás para as ações de educação, o banco não acredita em uma recuperação em “V”. Assim, considerando os desafios, os balanços alavancados das companhias e a valorização recente das ações, os analistas afirmam que preferem ficar de fora do setor.
Ainda assim, os analistas do BTG reconhecem que a vitória de Lula é “claramente positiva para o mercado privado de ensino superior do Brasil”, mas que a cotação das ações, daqui para frente, está altamente ligada ao fluxo de notícias, principalmente especulações sobre o novo ministro da Educação e sobre mais detalhes do novo Fies.