Cemig (CMIG4): Com Zema reeleito em MG, ação deve subir com privatização no radar, dizem analistas

Nos meses que antecedem períodos eleitorais, empresas estatais sempre entram no radar do mercado, já que são alvo de diversas promessas políticas, entre elas privatização.
Com a reeleição de Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, a expectativa pela privatização da Cemig (CMIG4) aumenta, uma vez que o governador do estado tem falado nessa possibilidade desde o seu primeiro mandato, mas acabou esbarrando em burocracias e resistências de deputados para seguir com o projeto.
Agora, porém, a situação deve mudar nesse segundo mandato. Para o analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, Zema terá mais experiência, além de mais apoio no congresso local para tocar uma agenda personalista e quem sabe avançar com a privatização.
Segundo o analista da Empiricus, Ruy Hungria, o grande “gatilho” para um aumento no valor dos papéis da Cemig é uma privatização.
“Pegando o exemplo da Eletrobras, muita coisa foi feita em termos de melhoria de eficiência até a privatização. Mas, comparando com players privados, vemos que ainda há muito mato para ser cortado, que poderá ser feito agora, sem as amarras estatais e com uma gestão focada em resultados”, diz Hungria.
Só para se ter uma ideia, a Eletrobras (ELET3; ELET6) viu suas ações valorizarem quase 40% desde o começo do ano, já precificando a possibilidade de privatização, concretizada no meio deste ano.
Na visão do analista da Empiricus, a Cemig ainda precisa melhorar seu custo de empréstimos e sua alocação de capital. “Esses fatores combinados podem também causar um impacto positivo nos papéis”.
Em caso de cenário favorável para a privatização da Cemig, Sousa afirma que pode até pensar em alterar a recomendação da estatal mineira, de neutra para compra. “Podemos pensar nessa troca de recomendação, a depender de como Zema vai tratar a questão da privatização”.
Para o analista da Genial, a privatização da Cemig pode acontecer mais “fácil” caso seja feita em partes, ou seja, unir o que é ativo core e vender aqueles que não fazem parte do negócio principal da estatal.
Diante do cenário de dúvidas em relação à Cemig, devido ao tamanho da sua área de atuação, Sousa acredita ser mais provável a privatização de uma outra estatal mineira — a Copasa (CSMG3).
Outra estatal mineira no radar da privatização
Diferentemente da Cemig, que possui várias vertentes de atuação, a Copasa atua apenas no setor de saneamento e poderia ser vendida de uma vez só, sem separar ativos, segundo Sousa.
Atualmente, a Copasa é responsável pela prestação de serviços de saneamento na maior parte do estado mineiro, seu maior acionista.
“A Copasa é uma empresa que atua somente com saneamento. A Cemig é um ‘guarda-chuva’ com muitas empresas e ativos abaixo dela. Possui ativos de geração, transmissão e distribuição”, diz o analista da Genial.
De acordo com Sousa, sob premissas razoavelmente conservadoras, “o potencial de valorização da Copasa poderia ser acima de 100%”. A Genial possui recomendação de compra para a estatal mineira de saneamento, com um preço-alvo de R$ 20, um upside acima de 50% em relação ao fechamento de sexta-feira (30), que foi de R$ 13,20.
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O momento recente da Cemig
Justamente pensando no potencial de valor da Cemig, o diretor-presidente Reynaldo Passanezi afirmou recentemente que, após crescer sem ter como a rentabilidade, fazendo investimentos em outras regiões fora do estado de Minas Gerais, agora o foco será diferente.
Durante apresentação dos resultados de 2021, o executivo explicou que a empresa não investirá em nenhum ativo fora do estado até, no mínimo, o final de 2022.
“Temos como lema focar em Minas, o que implicaria desfocar nossas atenções para ativos de participação minoritária da companhia fora do estado. Já concluímos uma alienação de participação na Light e esperamos continuar fazendo isso com outras”, comentou Passanezi, em teleconferência no final de março.
Os desinvestimentos na Light renderam R$ 1,3 bilhão aos cofres da Cemig. A companhia também pretende se desfazer da participação na Taesa (TAEE11), na qual possui 21%.
“A companhia entendeu que é melhor focar em sua própria região, onde tem concessões importantes (distribuição e Gasmig), uma marca muito reconhecida e boas oportunidades em geração distribuída e novas linhas de transmissão”, explica Hungria, da Empiricus.















