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Bradesco (BBDC4) prevê novo aumento da inadimplência e expansão menor do crédito no 2º semestre

Bradesco (BBDC4) prevê novo aumento da inadimplência e expansão menor do crédito no 2º semestre

No segundo trimestre, a inadimplência do Bradesco subiu para 3,5%, de 3,2% no primeiro trimestre

Agência Bradesco

Foto: Shutterstock

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O presidente do Bradesco (BBDC4), Octavio de Lazari Junior, afirmou na manhã desta sexta-feira (5) que a taxa de inadimplência ainda deve crescer mais um pouco ao longo do segundo semestre e que a carteira de crédito deve ter uma expansão menor no período, não só porque o banco está mais cauteloso, mas também porque o apetite do cliente para pedir empréstimos diminuiu, uma vez que a Selic está no maior patamar desde 2017.

Em apresentação feita a jornalistas para comentar os resultados do banco no segundo trimestre, divulgados na noite de quinta-feira (4), Lazari ressaltou que, no encerramento do primeiro semestre, o Bradesco acumulou uma expansão de 17,7% para a carteira de crédito, para R$ 855,3 bilhões.

Trata-se de um crescimento maior do que o foi previsto pela própria instituição, que no início do ano projetou que a carteira teria um avanço de algo entre 10% e 14%, diante de um cenário macroeconômico que já se desenhava mais difícil para 2022, com aumento dos juros e inflação de dois dígitos.

Apesar do maior crescimento até aqui, o Bradesco acredita que o segundo semestre deve contar com uma expansão mais tímida, levando o avanço do ano todo para o “centro” do intervalo de crescimento projetado no início de 2022.

De acordo com o executivo, esse aumento menor reflete uma “cautela natural” do banco, uma vez que a instituição tem crescido com mais força em linhas de crédito de maior risco, como cartão de crédito e crédito pessoal. São linhas que demandam maior seletividade na hora da concessão, um maior rigor na análise do crédito, até porque a inadimplência se “descolou um pouco”, disse o presidente do Bradesco, na coletiva de imprensa.

No Brasil, a taxa de inadimplência, que calcula a proporção de empréstimos com atrasos superiores a 90 dias em relação à carteira, subiu para 3,5% no segundo trimestre, de 3,2% no primeiro trimestre. Um ano atrás, era de 2,5%.

Segundo Lazari, a taxa de inadimplência ainda deve ficar “ligeiramente superior” ao nível atual, mas a tendência é que se estabilize e volte a cair, à medida em que os juros recuarem e houver uma melhora dos níveis de emprego e renda da população.

O executivo ponderou também que, embora os atrasos estejam em alta, o banco tem ganhado mais por causa dos juros maiores, o que justifica a decisão de apostar mais em linhas de crédito de maior risco, que geram maior retorno. A margem do Bradesco com clientes somou R$ 16,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 25,8% em um ano.

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Nesta semana, a Selic subiu mais 0,50 ponto percentual, para 13,75% ao ano, o maior nível desde 2017, mas o Banco Central (BC) sinalizou que o ciclo de aperto monetário está perto do fim. Se houver mais um aumento na próxima reunião do BC, prevista para setembro, tende a ser menos intenso, de 0,25 ponto.

“Acreditamos que o aumento da Selic chegou ao seu final, talvez com mais alguma coisinha, chegando a 14%”, disse Lazari.

A taxa de desemprego no Brasil, por sua vez, caiu para 9,3% no trimestre encerrado em junho, o menor nível desde 2015. “Com o aumento do emprego e da renda, as pessoas tendem a voltar a pagar e a inadimplência volta a arrefecer”, afirmou o executivo.

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O apetite pelo crédito, contdo, ainda está pressionado, reconheceu o presidente do Bradesco, que colocou a menor demanda também como um motivo para a diminuição da expansão da carteira de crédito no segundo semestre, em especial por parte dos clientes empresários.

“Com a taxa de juros a 13,75%, a empresa que quer tomar crédito de longo prazo fica mais cautelosa. As empresas vão esperar passar um pouco para 0222 para organizar os investimentos no ano que vem”, disse.

Bradesco

Consignado

Em relação ao crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, sancionado na quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, Lazari afirmou que o banco não deve operar nesse mercado. “Como será uma operação com taxa de juros muitos alta, e as pessoas vão ter o auxílio por um período definido — não é uma aposentadoria ou uma uma pensão para o resto da vida –, o Bradesco entende que é melhor não operar”, disse.

Em sua visão, os beneficiários do Auxílio Brasil são pessoas vulneráveis e o banco entende que a operação não seria boa nem para o banco nem para o cliente.

Cielo: o pior já passou

O presidente do Bradesco disse também que o banco, um dos controladores da Cielo, espera já definir o novo CEO da empresa de pagamentos “nos próximos dias”. “Ainda dentro do mês de agosto devemos ter alguém, que virá do mercado”, afirmou.

Ele contou que a saída de Gustavo Sousa, que ficou como CEO de maio de 2021 até esta semana, era esperada, pois o executivo já havia manifestado o desejo de sair “há um ano e pouco”, por querer ter “participação em outro negócio”, mas que os controladores pediram para que ele ficasse mais um pouco.

Lazari ressaltou que é grato a Sousa pelo seu trabalho e respeita sua decisão de sair. Disse também que o “pior para a Cielo já passou”, com um período mais difícil ao longo dos últimos três anos, e que agora “a coisa está arrumadinha”. “O negócio está rentável, operacionalmenete muito bem”, disse.

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