A Cielo, que anunciou na manhã desta quarta-feira (3) a saída do seu CEO, Gustavo Sousa, está em busca de um nome de fora da empresa para ocupar o posto vago e já tem conversas avançadas para definir o substituto, disse o CFO da empresa, Filipe Augusto dos Santos Oliveira, em coletiva de imprensa.
“Esse é um processo que está sendo conduzido pelos acionistas, que já está bem avançado, no meu entendimento, e no futuro próximo devemos ter o anúncio da nova liderança”, disse o executivo aos jornalistas, em encontro para apresentar os resultados da empresa no segundo trimestre.
A Cielo tem o Bradesco e o Banco do Brasil como controladores.
Com a saída de Sousa, o comando da Cielo está sendo tocado interinamente pela vice-presidente comercial de grandes contas, Renata Andrade Daltro dos Santos.
Ao buscar um nome de fora da empresa, a Cielo assume uma postura diferente da que teve quando escolheu Sousa para ser CEO, em maio de 2021. À época, o executivo era CFO da companhia e foi uma solução interna para substituir o então CEO, Paulo Caffarelli.
Segundo a empresa, Sousa deixou o cargo para partir para “outros desafios profissionais.”
Por volta das 11h15, as ações da Cielo estavam entre as maiores altas da Bolsa, com valorização de 5,20%.
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Reprecificação
Na coletiva, o CFO da Cielo também falou sobre a estratégia de reprecificação da empresa. A Cielo tem elevado os preços nos últimos meses e, segundo o executivo, o “grosso” desse processo já foi executado, mas que, se o mercado e as condições macroeconômicos permitirem, novos aumentos podem ser aplicados.
No segundo trimestre, a proporção da receita da empresa em relação ao volume transacionado, que representa uma taxa média do que é cobrado pela Cielo, ficou em 0,71%, alta de 0,04 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e um retorno ao mesmo patamar do mesmo trimestre do ano passado.
“Neste terceiro trimestre já fizemos mais um movimento forte, focado no ‘middle market’ [clientes que são empresas de porte médio], mas que ainda não aparece nos resultados da empresa”, ele disse. “Ainda existiam alguns segmentos para os quais não haviam sido repassados completamente”, acrescentou.
Oliveira ressaltou que a reprecificação para grandes contas (como supermercados, por exemplo) é mais delicada, porque são contratos mais longos, de dois anos, e, portanto, a empresa não pode alterar os preços de forma tempestiva. “Não temos definição de como vamos fazer, mas estamos olhando”, disse.
O CFO indicou ainda que a empresa está em situação confortável precise enfrentar uma nova guerra de preços, pois tem feito um grande esforço para controlar seus gastos e tornar a sua operação mais eficiente.
Ele ressaltou que os chamados gastos normalizados da empresa cresceram 4,6 pontos percentuais abaixo da inflação no segundo trimestre. Além disso, a proporção dos gastos normalização em relação ao volume transacionado pela Cielo (TPV) caiu para 0,32% no período, queda de 0,08 p.p em relação ao segundo trimestre do ano passado.
“Se houver uma guerra de preços, temos condições de suportar. Não é o que a gente quer, mas podemos fazer por termos um diferencial competitivo no gasto”, afirmou.
Estratégia
O CFO da Cielo disse também que parte do processo de otimização do negócio da empresa se deu com o desinvestimentos de ativos que não interessavam mais à companhia. Segundo ele, esse processo já foi encerrado e agora a Cielo quer ter “foco total nos mercados que importam.”
“Queremos ser um centro de foco para as pequenas e médias empresas, ser uma empresa mais inovadora em pagamentos digitais, aproveitar as oportunidades que o Pix traz, aproveitar a parceria com o Whatsapp para o serviços de pagamentos e ir além dos produtos de pagamentos no relacionamento com os clientes, ajudando a gerir a receita deles e reduzir gastos, e ser um hub de contratação de serviços financeiros”, listou o executivo.
Em relação à oferta de produtos bancários para clientes, o executivo negou que a empresa vá desenvolver os próprios produtos e indicou que deve priorizar uma estratégia de distribuição de terceiros, para assim alavancar o relacionamento com os clientes. “Desenvolver produtos bancários é mais complicado do que parece e vimos concorrentes com dificuldade de fazer isso”, disse o executivo, sem citar nomes.
Como o Bradesco e o Banco do Brasil são controladores da Cielo, o CFO admitiu que existe uma tendência natural de priorizar os dois como parceiros na oferta de produtos bancários, mas ressaltou que isso “não está fechado.”