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Com preço maior, Cielo (CIEL3) surpreende mercado e lucro mais do que dobra no 2º trimestre

Com preço maior, Cielo (CIEL3) surpreende mercado e lucro mais do que dobra no 2º trimestre

No segundo trimestre, a empresa teve lucro líquido recorrente de R$ 383 milhões, alta de 112,5% em um ano

A guerra das maquininhas parecia ter sido mais agressiva sobre a Cielo (CIEL3), mas a empresa se mexe para voltar ao protagonismo.

Foto: divulgação

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A Cielo, líder do setor de pagamentos no Brasil, surpreendeu positivamente o mercado e viu o seu lucro líquido mais do que dobrar no segundo trimestre, em um resultado impulsionado principalmente pela expansão do negócio de antecipação de recebíveis e marcado também pela recuperação das taxas cobradas dos clientes.

No período de abril a junho, a empresa teve lucro líquido recorrente de R$ 383 milhões, alta de 112,5% em relação a igual período do ano passado.

O montante ficou acima do valor projetado por todas as casas consultadas pela Agência TradeMap (BTG Pactual, Itaú BBA, Goldman Sachs, Santander e Genial Investimentos), que projetavam de R$ 250 milhões, na mais pessimista, do BTG, até R$ 287 milhões, na mais otimista, do Santander, esta divulgada no dia 19 de julho.

Embora o resultado final tenha surpreendido, os fatores que levaram ao crescimento do lucro já eram esperados.

O principal deles é o avanço do negócio de antecipação de recebíveis, um serviço que a Cielo disponibiliza aos estabelecimentos comerciais e que permite que o faturamento de vendas feitas no cartão de crédito seja antecipado.

Em geral, uma compra feita no cartão de crédito leva 28 dias para cair na conta do estabelecimento comercial. Uma das possibilidades do produto da Cielo é permitir que dinheiro caia na conta em dois dias, mas, claro, com uma cobrança de uma taxa pela antecipação.

No segundo trimestre, a Cielo chegou a antecipar R$ 29 bilhões em recursos para seus clientes, um aumento de 58,1% em relação a igual período do ano passado.

O volume representa 22% do total transacionado pela Cielo em compras no cartão de crédito, que somou R$ 130,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 41% em um ano. O cartão de débito, por sua vez, assim como no primeiro trimestre, teve crescimento mais tímido, de 24,5%, para R$ 90,1 bilhões.

Com isso, o volume transacionado total atingiu R$ 221 bilhões, crescimento de 33,8% em relação a igual período de 2021.

No segundo trimestre, a Cielo também conseguiu implementar uma recuperação das taxas cobradas dos clientes. No período, a taxa média de cada transação ficou em 0,71%, alta de 0,04 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e um retorno ao mesmo patamar do mesmo trimestre do ano passado.

Com o preço maior, a receita líquida da empresa alcançou R$ 1,567 bilhão, expansão de 34,3% ante o nível de um ano antes.

Além disso, o resultado da Cielo contou com um impulso da Cateno, uma joint venture da companhia com o Banco do Brasil que atua com serviços de gestão de meios de pagamentos, que registrou receita operacional líquida de R$ 972,3 milhões, expansão de 32,8% em um ano.

Por outro lado, a Cielo sofreu com o aumento da Selic e viu as despesas financeiras (que incluem despesas com juros) darem um alto de 124,1% no segundo trimestre, para R$ 375,2 milhões. Com isso, o resultado financeiro, que é um saldo das despesas financeiras com as receitas financeiras, ficou negativo em R$ 125,9 milhões, quase 30 vezes maior que o saldo negativo de R$ 4,2 milhões anotado no segundo trimestre do ano passado.

No lucro operacional (Ebitda), que desconsidera pagamentos com juros, impostos e custos com depreciações e amortizações, a Cielo teve um resultado positivo recorrente de R$ 914,7 milhões, expansão de 57,5% em comparação com o segundo trimestre do ano passado.

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A margem em relação ao Ebitda, por sua vez, cresceu para 36%, 15,3 pontos percentuais acima do nível de igual período do ano passado, que ficou em 20,7%.

Apesar de terem sido surpreendidos positivamente, parte do mercado acredita que a Cielo terá o melhor resultado entre as empresas do setor de pagamentos no segundo trimestre, impulsionada pelo movimento de reprecificação. “Acreditamos que discussões adicionais de precificação são possíveis”, disse o Itaú BBA, em relatório publicado a clientes antes da divulgação do balanço. O Itaú BBA recomenda a compra da ação.

O Goldman Sachs, porém, que também acredita que a Cielo será a melhor do setor na temporada de balanços, afirma que a companhia permanece com desafios de longo prazo, o que justifica a recomendação de venda das ações.

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