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Bolsas despencam, dólar avança: entenda o que está por trás do pânico dos investidores

Bolsas despencam, dólar avança: entenda o que está por trás do pânico dos investidores

Bancos centrais adotam medidas mais duras para combater inflação e mercado passa a trabalhar com risco mais alto de recessão econômica

Gráfico de mercado de ações emergntes em queda

Foto: Shutterstock

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A preocupação dos investidores com a possibilidade de uma recessão na economia mundial, após bancos centrais deixarem claro que combater a inflação é o objetivo do momento, explica por que o mercado financeiro resolveu ficar ainda mais pessimista nesta semana.

O clima, que já não era dos melhores, ficou ainda mais negativo na quarta-feira (15), quando o Federal Reserve, o banco central americano, decidiu acelerar pela segunda vez o ritmo de alta de juros nos Estados Unidos. A instituição elevou a taxa básica em 0,75 ponto porcentual, para a faixa de 1,5% a 1,75% ao ano

Até o início da semana, esse aumento era considerado pouco provável pelo mercado, que esperava alta mais modesta, de 0,50 ponto porcentual.

Na quinta-feira, os bancos centrais da Inglaterra e da Suíça deram mais motivos para o clima azedar. O primeiro aumentou os juros, como previsto, mas sugeriu que as próximas altas nas taxas poderão ser maiores. O segundo anunciou um aumento de 0,50 ponto porcentual nos juros suíços, contrariando a expectativa dos especialistas, que não esperavam alteração nas taxas.

Essas elevações de juros têm efeito negativo sobre os mercados das ações por dois motivos.

Primeiro, porque encarecem financiamentos, aumentando o custo das empresas que precisam de capital para crescer, e diminuindo a propensão dos consumidores a gastar. Em conjunto, esses fatores tendem a limitar ou reduzir o lucro futuro das companhias.

Em segundo lugar, juros mais altos elevam também o retorno que os investidores obtêm com investimentos na renda fixa, o que diminui o interesse por ativos de risco, do mercado de renda variável – como ações e fundos imobiliários.

E há ainda um terceiro elemento que entrou na conta dos mercados e que pesa sobre o mercado de ações: a possibilidade de os juros subirem rápido demais e provocarem uma recessão econômica.

Cresce risco de recessão nos EUA

As sinalizações dos bancos centrais nesta semana revelaram que as instituições estão mais preocupadas em combater a inflação do que em preservar o crescimento da economia. Essa linha de pensamento ficou mais evidente com a decisão do Fed na quarta-feira.

“Embora nosso cenário-base há uma semana fosse de que o Federal Reserve conseguiria mais ou menos fazer um ‘pouso suave’, agora é de que a economia provavelmente vai passar por uma contração no ano que vem”, disse o banco americano Wells Fargo, em relatório.

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Dados econômicos ajudaram a reforçar a expectativa de fraqueza na economia americana. A produção industrial do país caiu em maio – contrariando a previsão do mercado, que esperava alta, segundo o banco ING. E esses indicadores se somam a números também mais fracos que o previsto referentes às vendas no varejo do país.

“Os indicadores econômicos de maio dão sinais de que os aumentos de juros estão fazendo o trabalho de desacelerar o crescimento econômico”, disse Leslie Preston, economista sênior do banco americano TD, acrescentando que há cada vez menos chances de o Fed conseguir aumentar os juros e evitar uma recessão nos EUA.

Segundo Preston, o mercado vê chance de aproximadamente 33% de recessão no país nos próximos 12 meses.

Nas contas da XP, deverá haver forte desaceleração na atividade econômica americana a partir do terceiro trimestre e há chance de recessão, mas não neste ano.

“Nossos modelos sugerem que é provável que os Estados Unidos entrem em recessão entre o final de 2023 e 2024. Conforme a economia esfriar e a inflação aliviar, o Fed deve encontrar espaço para diminuir os juros a partir do final de 2023”, indica a XP.

Desaceleração global

Embora os receios com a possibilidade de recessão no momento estejam centrados nos EUA diante da postura mais agressiva do Fed em relação à inflação, a tendência é que várias outras economias passem por situação semelhante.

“A mensagem geral é que todas as economias terão que abrir mão de maior crescimento econômico no médio prazo para conseguir trazer a inflação de volta para a meta”, disse a XP, em relatório.

Na zona do euro, por exemplo, o Banco Central Europeu sinalizou na semana passada que vai começar a aumentar as taxas de juros e acha que conseguirá fazer isso sem prejudicar a economia. A previsão dos economistas da instituição é de crescimento de 2,8% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e de 2,1%, no próximo, mas outros especialistas estão mais céticos com este cenário.

O ING, por exemplo, acha que a projeção do BCE para a economia parece “muito otimista” dado que a instituição sinalizou disposição para adotar uma série de altas de juros.

Ações dos EUA podem sofrer mais

As decisões mais recentes dos bancos centrais podem pesar particularmente sobre os preços das ações dos EUA. Além de a alta de juros americana ser mais intensa que nas outras economias, pode haver pressão adicional sobre as bolsas do país por causa de decisões tomadas pelo banco central da Suíça.

Como explica Michael Hewson, analista-chefe de mercados da corretora britânica CMC Markets, a instituição possui uma ampla carteira de ações de empresas americanas – são quase US$ 180 bilhões nestes ativos, segundo documentos recentes -, e boa parte é do setor de tecnologia.

As ações foram compradas durante um período em que o banco central suíço adquiriu muita moeda estrangeira para desvalorizar a divisa local, o franco. Agora, a instituição quer fazer o movimento contrário. “Se eles continuarem a aumentar os juros, a desmontagem desta carteira pode levar a mais movimentos de queda nas ações”, disse Hewson.

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Especialistas do Rabobank também consideram provável que o banco central suíço comece a vender ações, principalmente porque a instituição deixou claro que deixou de lado o foco em manter o franco desvalorizado em relação ao dólar como forma de controlar a inflação.

“Em resumo, estamos num período de guerra cambial inversa, em que todo mundo precisa de uma moeda mais forte”, disse o banco.

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