A negociação de empresas de pequeno e médio porte que fizeram ofertas em plataformas de investimento coletivo, conhecidas como equity crowdfunding, deve ganhar mais liquidez a partir de junho.
A BEE4 e a SMU Investimentos, que tiveram projetos aprovados pelo sandbox regulatório da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), vão começar a testar o mercado secundário de balcão para negociação dessas empresas a partir de junho. O período de teste terá duração de um ano e poderá ser prorrogado por mais um ano.
A licença para o mercado de balcão da SMU começa a partir de 1º de junho e a ideia é listar inicialmente dez empresas na plataforma . “A priori devemos trazer seis empresas que captaram na plataforma de crowdfunding da SMU e quatro que fizeram ofertas em outras plataformas”, diz Pedro Rodrigues, CTO da SMU Investimentos.
Uma das primeiras a ser negociada no mercado secundário de balcão da SMU é a Flapper, de aluguel de aviões executivos. A empresa que captou R$ 2,5 milhões com 211 investidores na plataforma de crowdfunfing da própria SMU.
A própria SMU deve testar o mercado secundário. A empresa levantou R$ 2 milhões no fim do ano passado em uma oferta na plataforma de crowdfunding com 129 investidores, sendo quatro deles investidores líderes. Até a primeira semana de maio, a SMU já tinha registrado um total de R$ 60 milhões levantados por meio da plataforma de crowdfunding em 41 captações.
A Instrução 588, que foi substituída pela Resolução 88 da CVM, permitia a oferta em plataformas de crowdfunding apenas de empresas com faturamento máximo de R$ 10 milhões. Com a atualização da norma, esse teto subiu para R$ 40 milhões. “Hoje estamos focando em trazer para o mercado de balcão empresas com porte para seed money (capital semente que envolve o aporte em startups em estágio inicial)”, diz Rodrigues.
A licença da plataforma de mercado secundário da BEE4 começa a valer a partir de 7 de junho, e o início das negociações deve se dar em meados do mesmo mês. “Estamos acabando de fazer os testes de desenvolvimento e a intenção é iniciar a operação depois da segunda quinzena do mês que vem”, diz Patricia Stille, CEO da BEE4.
A BEE4 é uma parceria do Grupo Solum, que já possui uma plataforma de crowdfunding a beegin, com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) e a Finchain, empresa especializada no desenvolvimento de projetos de blockchain.
A plataforma também pretende listar inicialmente dez empresas. Segundo Stille, o foco são empresa com faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 300 milhões., que fizeram captação na plataforma de crowdfunding da beegin.
A primeira empresa a estrear no mercado de balcão da BEE4 deve ser a Engravida, rede de clínicas de reprodução humana, que fez uma emissão de R$ 10 milhões na plataforma da beegin e faturou R$ 13 milhões em 2021.
Segundo a CEO da BEE4, a ideia não é concorrer com a SMU, mas focar com o tempo em empresas com faturamento acima de R$ 40 milhões. “São emprestar de porte ainda pequeno para se listar no mercado de acesso da B3 (Bovespa Mais)”, diz.
Mais liquidez no mercado secundário
Até então, o investidor que participava de uma oferta em uma plataforma de crowdfunding só podia vender a sua parte na empresa para os atuais sócios da companhia. Com a atualização da norma com a Resolução 88 da CVM, os investidores vão podem negociar a sua participação com todos aqueles registrados na plataforma que já tenham participado de pelo menos uma transação de crowdfunding.
O mercado de balcão a ser criado pela BEE4 e a SMU vai além,e visa produzir mais liquidez para essas transações. Nessas plataformas, qualquer investidor vai poder adquirir esses ativos vendidos por outros investidores.
As negociações serão realizadas por meio de leilões, em que se buscará colocar uma média de preços dos ativos, de acordo com as ordens recebidas, para evitar grandes distorções, explica Stille.
Outra inovação é que os ativos negociados serão tokenizados, isto é, o investidor vai adquirir tokens de ações que ficarão registrados na rede de blockchain. No caso da BEE4, a empresa ficará responsável também pelo controle do livro de registro com a posição dos acionistas.
E a plataforma, em parceria com a Atris, nTokens e sócios do escritório Demarest, usará a rede de blockchain da criptomoeda Stellar (XLM) para fazer o registro das operações de cada investidor.
Essas empresas que vão negociar no mercado secundário não serão listadas na CVM e as plataformas, no caso a SMU e a BEE4, são responsáveis pela análise de compliance das companhias. “Toda diligência que já fazemos no mercado primário de crowdfunding vamos continuar realizando no mercado secundário”, diz Rodrigues, da SMU.
As ofertas nas plataformas de investimento coletivo têm crescido. Só em 2021, o volume de transações aumentou 123% em relação ao ano anterior, somando R$ 188 milhões.
Como esse tipo de investimento não tem a mesma liquidez que comprar ações na bolsa, quem tem nteresse em investir em empresas em estágio mais inicial deve colocar apenas uma pequena parte do patrimônio em startups, dependendo do seu perfil, diversificando a alocação em mais de uma empresa, apontam os especialistas.