Bolsa cai com exterior e incertezas sobre o futuro da Petrobras (PETR4); Hapvida (HAPV3) despenca

No campo positivo, os sinais de alta da China impulsionaram mineradoras e siderúrgicas

Silvia Rosa

Silvia Rosa

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

O Ibovespa estendeu o clima negativo da véspera e voltou a fechar em queda, impactado pelo mau humor global e pressões domésticas. O índice iniciou o mês de março em queda de 0,52%, aos 104.385 pontos e R$ 25,53 bilhões em volume negociado, segundo dados da plataforma TradeMap.

No cenário internacional, as Bolsas passaram para o campo negativo após dados da atividade americana mostrarem que a economia está contraindo de forma mais lenta do que o esperado.

Internamente, a pressão veio do anúncio do governo federal em tributar a exportação de petróleo, levando as empresas do setor para o vermelho. Investidores também estão em alerta para a possibilidade de a medida ser ampliada para outros produtos vendidos pelo país, como bens do agronegócio. 

Com esse resultado, o Ibovespa acumula queda de 1,33% na semana, enquanto desde o início do ano a queda soma 4,87%. 

Petroleiras caem em bloco

As petrolíferas caíram em bloco nesta sessão, refletindo a decisão do governo de taxar as exportações brasileiras de óleo. Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo vai aplicar um Imposto de Exportação sobre petróleo de 9,2%.

Embora tenha retomado a cobrança de impostos federais sobre os combustíveis, o governo não recompôs integralmente as alíquotas anteriores e precisava encontrar uma forma de compensar a perda de arrecadação. A cobrança vai vigorar por quatro meses, mas pode continuar após este período a depender do aval do Congresso.

Para Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, a medida é ruim para as petrolíferas já que prejudica a competição internacional. “Também é ruim para a balança comercial brasileira, já que vamos exportar menos petróleo. É praticamente um confisco de resultado das empresas por parte do governo”.

A 3R Petroleum (RRRP3) foi um dos principais destaques negativos do dia, com perda de 10,46%. Já os papéis da Prio (PRIO3) desvalorizaram 0,95%. Após tomar fôlego nos últimos minutos, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 0,24%, enquanto as ordinárias (PETR3) fecharam estáveis. 

Saiba mais:

Vale lembrar que o mercado espera a divulgação dos balanços da Petrobras e da Prio, que serão publicados após o fechamento do mercado. 

Hapvida despenca, mas mercado não vê oportunidade de venda

O destaque negativo da sessão ficou com o derretimento de 32,74% das ações da Hapvida (HAPV3), em linha com a decepção do mercado com o balanço da empresa divulgado na véspera. 

Apesar de a receita mais do que dobrar no último trimestre de 2022, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 316,7 milhões, revertendo o lucro de R$ 200,2 milhões anotado no mesmo período de 2021.

O desempenho veio abaixo, inclusive, da expectativa mais pessimista. A Genial Investimentos esperava prejuízo de R$ 208 milhões, enquanto o Santander, com a visão mais otimista, projetava lucro líquido de R$ 293 milhões. 

Para um gestor consultado pela Agência TradeMap, que falou sob a condição de anonimato, o papel ainda não está atrativo para compra. “A empresa tem um cenário desafiador nos próximos 12 meses, com a perspectiva de aumento de desemprego podendo piorar o índice de sinistralidade e ainda reduzir o crescimento do número de beneficiários”.

Embora o movimento de hoje seja visto como “exagerado”, o gestor acredita que alguns fundos que tinham Hapvida na carteira reduziram a posição no papel. “A perspectiva para a empresa nos próximos 12 meses não é positiva. Ela pode surpreender em relação ao ganho com as sinergias das aquisições, mas não vemos isso acontecer no curto prazo”.

No último trimestre de 2022, a Hapvida apresentou uma sinistralidade caixa de 72,9% (ante 73,0% no terceiro trimestre), devido principalmente ao impacto acima do esperado de procedimentos eletivos no trimestre.

“Na pandemia achava-se que poderia haver uma redução maior da sinistralidade passando esse período, mas está levando mais tempo para reduzir esse índice em função dos procedimentos eletivos que ficaram represados no período”, explica o gestor.

Mineradoras e siderúrgicas dominam altas

Após as recentes quedas com a desvalorização do minério de ferro, mineradoras e siderúrgicas esboçaram reação e dominaram o grupo de altas do Ibovespa. A alta generalizada ocorre após dados de manufaturados da China disparar.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Manufatureiro subiu de 50,1 pontos em janeiro para 52,6 pontos em fevereiro, o nível mais alto desde abril de 2012. Já o índice Não-Manufatureiro, que mede a confiança empresarial nos setores de serviços e construção, aumentou de 54,4 pontos para 56,3 pontos no mesmo intervalo.

A oxigenação do otimismo com a segunda maior economia do mundo fez a Vale (VALE3) – empresa com maior peso no Ibovespa, subir 4,55%. 

Na mesma linha, CSN (CSNA3) liderou as altas, com valorização de 7,62%, enquanto Bradespar (BRAP4), CSN Mineração (CMIN3) e Usiminas (USIM5) subiram 4,23%, 2,58% e 4,98%, nesta ordem. 

BRF ignora prejuízo

As ações da BRF também foram destaque ao valorizarem 5,36%, mesmo com a empresa anotando um prejuízo de quase R$ 1 bilhão no fim do ano passado.

No quarto trimestre, a empresa teve prejuízo de R$ 956 milhões, praticamente zerando o lucro de R$ 932 milhões visto no mesmo período em 2021. 

Apesar disso, na visão do Itaú BBA, a operação brasileira surpreendeu positivamente as expectativas. Pelos cálculos dos analistas, as estimativas foram superadas em 26%, com uma lucratividade acima do esperado. “Isso melhorou o desempenho do trimestre, mesmo tendo sido compensado pelo enfraquecimento da dinâmica global”.

Para o banco, o outro destaque é o fato de as marcas Sadia e Perdigão registraram um aumento de 2,6 pontos percentuais (p.p.) na preferência do consumidor e virem ganhos de participação de mercado durante a Copa do Mundo.

Bancos globais e criptos

No exterior, as principais Bolsas inverteram o sinal e fecharam em queda após dados da economia americana indicarem que as atividades estão enfraquecendo em velocidade aquém do esperado.

O PMI nos Estados Unidos subiu de 47,4 pontos em janeiro para 47,7 em fevereiro. Essa leitura ficou abaixo da expectativa do mercado de 48. Em janeiro, vale ressaltar, o PMI tinha caído para o nível mais baixo desde maio de 2020.

Em Nova York, o Dow Jones ficou estável com leve alta de 0,02%, enquanto o S&P 500 caiu 0,47% e a Nasdaq fechou em queda de 0,66%. Mais cedo, o Euro Stoxx encerrou a sessão com perda de 0,53%. 

Seguindo o clima negativo, o mercado de criptos também opera no vermelho. Por volta de 17h, o Bitcoin (BTC) perdia 0,37% em comparação as últimas 24 horas, negociado a US$ 23.395. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) subia 1,73%, a US$ 1.656.

 

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