Bancos pressionam após resultado do Santander e Ibovespa segue rumo à 7ª queda seguida

Além da pressão do setor bancário, sentimento de aversão ao risco global continua afetando mercados por todo o mundo

Foto: Shutterstock

Em mais um dia de queda, o Ibovespa opera nesta terça-feira (26) pressionado pelo setor bancário, que cai em bloco no pregão, após o balanço do primeiro trimestre do Santander (SANB11) trazer resultados mistos e acender uma expectativa quanto às taxas de inadimplência do segmento.

Às 13h (de Brasília), o principal índice da B3 tinha uma queda de 1,75%, aos 108.742 pontos. Caso essa queda se confirme, será o sétimo pregão consecutivo de perdas. No mesmo horário, o Banco Inter (BIDI11) liderava as baixas, com um recuo de 6,14%, impactado pelos resultados de Santander.

O Santander foi a primeira instituição financeira que faz parte do Ibovespa a divulgar o balanço dos primeiros três meses de 2022. O lucro teve forte crescimento no período em relação ao início de 2021, mas a inadimplência continuou aumentando.

Esse é um assunto temerário para os analistas, já que um ambiente de juros altos e inflação, os pagamentos das pessoas podem ser afetados, impactando os volumes de créditos dos bancos.

O índice de inadimplência do Santander para períodos de mais de 60 dias aumentou 0,92 ponto percentual (p.p.) na comparação entre o primeiro trimestre do ano passado e o deste ano, passando de 2,8% para 3,7%. Já a inadimplência superior a 90 dias aumentou 0,77 p.p. no mesmo comparativo, chegando a 2,9% no final de março. O resultado pode ter acendido um alerta no mercado, indicando que os bancos podem sofrer com esse mal.

Apesar disso, o banco teve um lucro líquido gerencial de R$ 4 bilhões no período, um leve aumento de 1,3% na comparação com igual período em 2021.

Veja as maiores quedas do setor bancário no pregão:

Empresa Ticker Queda às 13h
Bradesco BBDC4 -4,35%
Itaú Unibanco ITUB4 -2,97%
Santander SANB11 -4,79%
Itaú S.A. ITSA4 -3,85%
Banco do Brasil BBAS3 -2,79%
Banco Inter BIDI11 -6,14%
BTG Pactual BPAC11 -3,74%

Além da questão dos bancos, Thomas Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos atribui a performance negativa do Ibovespa por um sentimento de aversão ao risco global, que ficou mais intenso na semana passada após o presidente do banco central americano, Jerome Powell, acentuar a expectativa de aumento nos juros no país para conter a inflação e pela premissa de desaceleração econômica da China devido aos lockdowns recentes por lá.

“Um mercado global ruim acaba afetando o cenário doméstico, impactando mais a Bolsa do que o resultado do Santander propriamente dito”, diz Giuberti.

Além dos bancos, estavam entre as principais quedas os papéis de Totvs (TOTS3), que caíam 5,66%, CVC (CVCB3), recuando 5,51% e Lojas Americanas (AMER3), perdendo 5,59%.

Altas do pregão

No Ibovespa, a principal alta era de PetroRio (PRIO3), que subia 1,98% e recuperava parte das perdas recentes. Além dela, mas também no setor petrolífero, a Petrobras via seus papéis ordinários (PETR3) subirem 1,30% e os preferenciais (PETR4) crescerem 1,13% e a 3R Petroleum (RRRP3) valorizava 1%.

O avanço das companhias reflete uma recuperação no preço do petróleo nesta terça-feira (26). Após perder mais de 5% ontem, a commodity era cotada a US$ 104 na ICE, com uma valorização de 1,5% na comparação intradia.

Na avaliação de Giuberti, a alta é “normal” dado a grande perda de segunda-feira, o que acaba impactando nas ações ligadas ao segmento. Além das petroleiras, Copel (CPEL4) subia 0,93%, Tim (TIMS3) crescia 0,73% e Cemig (CMIG4) valorizava 0,66%.

Exterior segue cauteloso

Nesta terça-feira, os principais índices acionários ao redor do mundo operavam em queda, refletindo o clima de aversão ao risco global que se instaurou na semana passada. Em meio a uma possível desaceleração econômica nos Estados Unidos, os investidores aguardam os balanços do primeiro trimestre de Microsoft, Google, Visa e General Motors.

Enquanto isso, em Wall Street as bolsas caíam. Dow Jones recuava 1,82%, S&P 500 perdia 1,82% e o índice Nasdaq Composto apontava em 2,93% para baixo.

Já no Velho Continente, o Euro Stoxx 50 recuava 0,83% e o DAX, da Alemanha, caía 1,21%. A exceção era o índice FTSE 100, de Londres, que operava próximo da estabilidade, e subia 0,09% no mesmo momento.

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