Após pregão em alta, Minerva (BEEF3) admite estudos para listar ações no exterior

Ação fechou o pregão em alta de 3,06%, a R$ 10,10

Foto: Divulgação

No fim de um dia de alta na bolsa de valores, em que as ações subiram 3,06%, terminando o pregão cotadas a R$ 10,10, a Minerva anunciou, em fato relevante publicado nesta quinta-feira, dia 13, que dará início a estudos para listagem no exterior.

De acordo com o comunicado, membros da diretoria foram autorizados, em uma reunião do conselho de administração, “a iniciar estudos referentes a um potencial processo de redomiciliação da companhia, que poderá resultar na migração de sua base acionária para sociedade a ser constituída no exterior, com listagem das ações dessa sociedade no respectivo mercado estrangeiro”.

A listagem no exterior tem sido cada vez mais buscada por empresas brasileiras, tanto por meio de migração quanto pela abertura de capital diretamente fora do país. Em 2021, cinco empresas do Brasil realizaram IPOs em bolsas de valores de Nova York: Patria Investments (PAX), Vinci Partners (VINP), Vtex (VTEX), Zenvia (ZENV) e Nubank (NU).

Além disso, o Banco Inter (BIDI11) anunciou, em novembro do ano passado, um plano de reorganização societária com previsão de listagem das ações na Nasdaq.

Ainda que, em dezembro, o banco tenha anunciado a suspensão do projeto, devido ao alto volume de pedidos de direito de resgates por acionistas, o plano evidencia que muitas empresas enxergam vantagens nas bolsas estrangeiras.

De acordo com o Inter, na ocasião, o fortalecimento da marca como empresa global de tecnologia financeira e o aumento da base de investidores seriam algumas destas vantagens.

A migração dos papéis da Minerva para o exterior, porém, fugiria um pouco da tendência do mercado brasileiro, em que esse movimento parte, de forma geral, das empresas de tecnologia.

Tendência positiva para os papéis

O pregão desta quinta-feira foi positivo para todas as ações de frigoríficos, com a Minerva encerrando o dia como terceira maior alta do Ibovespa. As razões para a disparada do setor, segundo analistas consultados pela Agência TradeMap, são várias.

As condições climáticas na América do Sul são um dos fatores que jogam a favor das companhias do setor. “A seca no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de países cisplatinos (Uruguai e Argentina) aceleram os abates. Com maior oferta, menores preços pagos ao produtor, o que aumenta a margem dos frigoríficos”, afirma Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Além disso, segundo Rodrigo Almeida, analista do Santander, o cenário de chuvas recentes em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso tem feito com que os pecuaristas optem por manter o gado no pasto por mais tempo do que o normal, esperando vender em um momento melhor. Isso, como consequência, fez com que a arroba do boi subisse.

“Eventualmente os frigoríficos irão começar a demandar um pouco mais de gado, e os pecuaristas irão começar a vender. Então acho que no médio prazo, em dois ou três meses, o mercado irá começar a se normalizar e talvez a arroba comece a cair”, aponta Almeida.

A retirada do embargo da China para a importação de carne bovina brasileira, instaurado após a detecção de casos de vaca louca no gado do Brasil, também começa a surtir efeito sobre os papéis. “No mês de dezembro, não chegamos a ver impacto, porque em 15 dias não dá tempo de comprar gado, abater, produzir a carne e exportar para a China. Mas agora, em janeiro, já começamos a ver uma sinalização de retomada de demanda chinesa”, afirma Almeida.

Esse movimento, segundo o analista, é especialmente positivo para a Minerva, mais focada em exportação.

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