Após fechar o pregão da segunda-feira (7) registrando a maior queda do ano, de 2,52%, o Ibovespa iniciou os negócios desta terça-feira em alta. O bom humor espelha o movimento no mercado internacional, que também opera no campo positivo.
Por volta das 10h10, o Ibovespa subia 0,54%, aos 112.194 pontos.
Entre as notícias de destaque no dia está o acordo de cessar-fogo temporário feito pela Rússia, após reuniões de negociações envolvendo os países do conflito. Com isso, a Ucrânia pode organizar os “corredores humanitários”, e retirar moradores de regiões ameaçadas.
Na Europa, as principais bolsas sobem, e recuperam parte das perdas de ontem. Às 10h10, o índice Euro Stoxx 50, que conta com empresas de todo o continente, tinha leve alta de 0,10%. Os contratos futuros de Wall Street seguem o movimento, e avançam no início da manhã. O índice Dow Jones subia 0,11% enquanto o S&P tinha valorização de 0,13%. Já o Nasdaq Composto era a única exceção, e recuava 0,09%.
Além das questões envolvendo o conflito, o mercado repercute a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2021 da Zona do Euro, que apresentou alta de 0,3% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre de 2021. No comparativo anual, houve um avanço de 4,6%.
Para ficar de olho
A queda acentuada do pregão de segunda-feira se deve em grande parte ao recuo da ordem de 7% dos papéis da Petrobras (PETR4). A estatal é alvo de diversas especulações envolvendo um possível reajuste de preço nos combustíveis, que não ocorre desde meados de janeiro.
De lá pra cá, porém, a guerra na Ucrânia tem feito os preços do petróleo dispararem pelo mundo, o que acaba colocando a Petrobras no alvo de possíveis alterações no valor das bombas.
Isso se deve porque a empresa define o preço do combustível baseado no valor negociado pelo mundo. Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, a petroleira pretende subir os preços dos combustíveis nesta semana. O último reajuste nas bombas foi feito no meio de janeiro.
Na ocasião, o valor do barril negociado no mundo era de US$ 82,64 – ou 32% menor que o atual. Atualmente, os contrato futuros do ICE para a commodity do tipo Brent valiam US$ 126.
Segundo relatório divulgado nessa segunda-feira pela Genial Investimentos, a defasagem entre o preço internacional do petróleo e o preço das bombas está acima dos 40%. Até o momento, a Petrobras não sinalizou nenhuma ação.
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Os russos são grandes produtores e exportadores de petróleo, e desde que invadiram a Ucrânia têm sofrido pesadas sanções econômicas da Europa, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Nenhuma delas, até agora, bloqueou explicitamente a exportação de petróleo pelos russos.
“Essa ameaça de sanções ainda mais rígidas sobre as importações de energia da Rússia provavelmente causará mais pressão de alta nos preços nas próximas semanas, com a perspectiva muito real de que podemos ver os preços revisitando os níveis que vimos em setembro de 2008, quando atingiram US$ 147,50”, afirma Michael Hewson, analista-chefe da CMC Markets, em nota.