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Após iniciar pregão em baixa, Ibovespa sobe apoiada em bancos e empresas sensíveis aos juros

Após iniciar pregão em baixa, Ibovespa sobe apoiada em bancos e empresas sensíveis aos juros

Às 13h15 (de Brasília), o principal índice da B3 tinha uma valorização de 1%, aos 105.000 pontos

Gráfico de ações

Foto: Shutterstock

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Após começar o pregão desta quinta-feira (12) em queda, o Ibovespa deu sinais de recuperação perto das 12h e começou uma subida apoiada nas empresas do setor bancário após o balanço do Banco do Brasil (BBAS3) e de companhias sensíveis à curva de juros.

Às 13h15 (de Brasília), o principal índice da B3 tinha uma valorização de 1%, aos 105.000 pontos. As principais altas do pregão ficavam com Qualicorp (QUAL3), que subia 7,63%, Méliuz (CASH3), com alta de 6,67% e Cogna (COGN3), que subia 4,62%.

Para Matheus Spiess, analista da Empiricus, empresas expostas à economia doméstica e de tecnologia se favorecem com um arrefecimento da curva de juros que, segundo ele, vinha sendo pressionada desde quarta-feira (4), quando houve elevação das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Além disso, as principais altas — Méliuz e Qualicorp, são de empresas que divulgaram recentemente seus balanços relativos ao primeiro trimestre e apresentaram resultados negativos. O mercado chama isso de “movimento de repique”, ou seja, uma alta momentânea de uma ação que tem caído com intensidade.

A Qualicorp, por exemplo, viu seu lucro e receita caírem no primeiro trimestre de 2022, ao mesmo tempo em que viu sua dívida aumentar. A companhia divulgou seu balanço na quarta (11), e acumula perdas de 12,80% no pregão.

A empresa reportou um lucro atribuído aos acionistas controladores de R$ 74,1 milhões de janeiro a março de 2022, o que representa uma queda de 35,3% em relação ao mesmo período um ano antes. Já a receita recuou 3,7% no mesmo comparativo e alcançou R$ 502,2 milhões.

Já a Méliuz, que divulgou seu balanço na segunda-feira (9) e apresentou um prejuízo de R$ 6,5 milhões no período, revertendo lucro do mesmo momento em 2021, tem passado por uma desvalorização grande no ano e no último mês. Desde abril, a companhia viu seus papéis passarem de R$ 2,62 para os atuais R$ 1,77, um recuo de 48%.

Um setor que subia em bloco e ajudava o índice era o de bancos. A subida ocorre, na visão de Spiess, após o balanço do Banco do Brasil. A instituição teve um lucro líquido ajustado de R$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um recorde para o banco e uma alta de 34,6% na comparação com igual período do ano anterior.

O resultado, de acordo com a instituição, é reflexo do crescimento da carteira de crédito, da expansão da margem financeira bruta e do aumento de 9,4% nas receitas de prestação de serviços, para R$ 7,5 bilhões. No Ibovespa, as ações do banco estatal cresciam 2,16%.

Veja também:

Banco do Brasil (BBAS3) amplia carteira de crédito e lucro sobe 34,6% no 1º trimestre

Outras instituições financeiras também subiam, mas com menos intensidade. O Itaú (ITUB4) crescia 1,70%, BTG Pactual (BPAC11) valorizava 2,08% e o Bradesco (BBDC4) ganhava 0,70%.

Caso a alta do Ibovespa se confirme até o final da sessão, será a segunda alta consecutiva, após a Bolsa sofrer com quatro pregões em baixa e um mês de abril com uma desvalorização de 10,1%. Na visão do analista da Empiricus, o mercado tem sido pautado pelo contexto macroeconômico, com a perspectiva de uma inflação global, lockdowns na China e alta nos juros nos Estados Unidos e Europa.

Baixas do pregão

No campo negativo, o destaque é para o setor de mineração e siderurgia. A CSN (CSNA3) era quem mais perdia, com uma queda de 6,41%, enquanto os seus papéis ligados à mineração (CMIN3) apontavam uma baixa de 3,93%.

As empresas sofrem com uma queda no preço do minério de ferro no mercado internacional. Na Bolsa de Dalian, por exemplo, a commodity tinha uma baixa de 1,36% na comparação intradia, sendo negociada a 796,00 iuanes, o equivalente a US$ 117. Além da CSN, dentro do setor a Vale (VALE3) caía 2,15% e a Usiminas (USIM5) recuava 2,41%.

Por outro lado, a Minerva Foods (BEEF3) recuava 6,34% após divulgar seu balanço do primeiro trimestre do ano e anotar uma retração de 55,8% no lucro líquido do período na base anual.

Segundo o frigorífico, o resultado foi impactado negativamente pelo aumento das despesas financeiras especialmente pelo resultado do hedge cambial, ou seja, o uso do dólar como estratégia de proteção para outros ativos ou operações.

Outra empresa que caía no pregão era a SLC Agrícola (SLCE3), recém-chegada ao principal índice da B3, que recuava 2,5. Apesar da queda, o BTG Pactual divulgou um relatório nesta quinta se mostrando otimista com os papéis.

A instituição possui um preço-alvo de R$ 68 ao final de 2022 por acreditar que a SLC possui vários fatores a seu favor – real fraco, preços altos para commodities, forte crescimento na área plantada, preços de terrenos em alta e bons rendimentos de safras.

Bolsas internacionais

As bolsas internacionais operam em baixa nesta quinta, tanto nos EUA quanto na Europa. No continente americano, o grande foco do mercado fica por conta do futuro dos juros após a divulgação do CPI, o índice de preços ao consumidor, que ajuda a medir a inflação por lá.

Segundo dados divulgados pelo governo dos EUA, o índice de preços ao consumidor do país teve alta mensal de 0,3% em abril, após subir 1,2% em março. No acumulado em 12 meses, o ritmo de alta diminuiu de 8,5% para 8,3%, na mesma base de comparação.

Esse crescimento no índice aumenta as preocupações sobre a necessidade de uma alta de juros mais acentuada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para controlar o aumento de preços.

Após a divulgação, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, comentou que apesar da alta, não vê a necessidade de aumentar o ritmo do aperto monetário para 0,75 ponto por reunião. No entanto, deixou claro que entende que será necessário fazer aumentos adicionais de 0,5 pp até o final de 2022.

Em Wall Street, o movimento era de queda, com Dow Jones perdendo 0,84%, S&P 500 desvalorizando 0,60% e o Nasdaq operando próximo da estabilidade.

Na Europa, a direção era a mesma com o FTSE 100 caindo 1,46% e o DAX perdendo 0,65%. No mesmo horário, o índice Euro Stoxx 50, que reúne empresas de toda a Zona do Euro, apontava baixa de 0,70%.

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