Alpargatas (ALPA4) frustra expectativa que já não era boa e ação despenca mais de 15% – entenda

Lucro líquido reportado pela companhia ficou 38% abaixo da projeção da XP Investimentos

Foto: Shutterstock/BalkansCat

Em seu resultado do terceiro trimestre, a Alpargatas (ALPA4), dona da marca Havaianas, frustrou as expectativas já pessimistas do mercado, com lucro líquido e margens pressionadas, apesar de aumentos de preços.

Como consequência, a ação da companhia liderava as perdas do Ibovespa por volta das 12h15 desta sexta-feira (4), um dia após a divulgação do balanço, despencando 15,37%, a R$ 18,89.

“A Alpargatas divulgou resultados fracos no terceiro trimestre, levemente abaixo das nossas expectativas, com volumes fracos no Brasil, EUA e China e margens pressionadas nas operações internacionais, apesar de um preço/mix sólido”, escreveram Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday, analistas da XP Investimentos, em relatório publicado nesta sexta.

Estes fatores, somados aos resultados da Rothy’s, empresa americana adquirida pela Alpargatas em dezembro do ano passado, derrubaram o lucro líquido da companhia para R$ 45 milhões, queda de 71,5% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e 38% abaixo das expectativas da XP.

Desconsiderando o impacto da Rothy’s, causado principalmente por investimentos em marketing e pela contratação de executivos, o lucro líquido recorrente da Alpargatas foi de R$ 105 milhões – recuo de 31% em relação aos mesmos três meses de 2021.

Para além do lucro, a rentabilidade da companhia também veio abaixo do esperado, com a margem bruta caindo 2 pontos percentuais, para 47%.

Se de um lado os aumentos de preço dos produtos no Brasil jogaram a favor das margens, mudanças no mix, com maior participação de distribuidores, aumento da inflação de custos e variação cambial prejudicaram a rentabilidade das operações internacionais, explicam os analistas.

Do lado positivo, a XP destaca a receita líquida consolidada, que cresceu 10% na comparação com o terceiro trimestre de 2021, para R$ 1,08 bilhão, resultado da estratégia de gestão de crescimento de receitas da varejista no Brasil e do crescimento de volumes na Europa, no Oriente Médio e na África, compensando a queda de volumes no Brasil, nos Estados Unidos e na China.

Nos EUA, dizem os analistas, a operação da Alpargatas foi prejudicada por uma reestruturação em curso, enquanto a política de tolerância zero à Covid-19 na China, com restrições à mobilidade, prejudicou a demanda por lá.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado, por sua vez, fechou o trimestre em R$ 184 milhões, contração de 4% na base anual, impactado pela reestruturação nos EUA e pelos maiores investimentos em distribuição, tecnologia e vendas no Brasil.

As despesas operacionais tiveram alta de 16% na mesma base de comparação, para R$ 377 milhões.

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