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Ainda é proteção? Vantagens e desvantagens dos ETFs de criptos em um mercado que derrete

Ainda é proteção? Vantagens e desvantagens dos ETFs de criptos em um mercado que derrete

Fundos de índice de moedas digitais negociados na B3 também sofrem com derretimento do mercado, mas são considerados mais regulamentados e seguros

Quadro com números em vermelho e a sigla ETF

Foto: Shutterstock

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A popularização das criptomoedas nos últimos anos abriu um leque de opções aos investidores que buscam retornos no crescente – e arriscado – mercado digital.

Uma das formas mais conhecidas é a entrada direta por meio de exchanges, como são chamadas as empresas que fazem a intermediação da compra e venda dos criptoativos.

Apesar de o Brasil ainda não possuir uma legislação fundamentada para o funcionamento das plataformas, não faltam representantes estrangeiras e domésticas para a escolha dos investidores.

Para quem busca uma exposição menos agressiva, gestoras de investimentos disponibilizam ETFs (Exchange Traded Funds), que são fundos negociados na Bolsa de Valores. As cestas vão desde uma única cripto, também chamados de monoativos, até opções com dezenas de moedas e outros tokens (representações digitais de ativos).

As recentes quedas do mercado, porém, não tornam o ambiente muito atrativo para ambas as opções. A debandada de investidores fez o Bitcoin (BTC), o farol do universo cripto, derreter 53%, ou mais da metade do seu valor, entre janeiro e a segunda semana de julho.

Para o Ethereum (ETH), a segunda maior cripto em capitalização, a situação é ainda pior: queda de 67% no mesmo período.

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Entre as cinco opções de ETFs do universo cripto com maior volume de liquidez da B3, quatro seguem índices que estão vinculados diretamente ao BTC ou ETH, e viram a sua rentabilidade despencar para um patamar semelhante ao da cotação das moedas no mercado de exchanges.

Tabela queda 5 principais ETFs criptos em 2022

Regulamentação dá atratividade aos ETFs

Com pouca diferença no retorno entre quem investiu no mercado de forma direta ou através de um ETF, especialistas afirmam que a segunda via é mais atraente principalmente do ponto de vista da segurança do capital investido.

Assim como as ações e outros ativos, os ETFs estão sob a legislação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), também conhecida como “xerife do mercado financeiro”, que garante maior proteção em casos de insolvência ou outro tipos de problemas.

“O ETF tem o benefício dessa roupagem regulamentar da CVM. O valor pode até ter derretido, mas há um grupo de gente trabalhando efetivamente, não é um tipo de papel que vai deixar o investidor a ver navios”, afirma Adriano Bordone Consentino, sócio da área societária e mercado de capitais do escritório de advocacia SiqueiraCastro.

Na mesma linha, Mateus Lopes da Silva Leite, sócio do escritório Candido Martins, pontua que os ETFs estão vinculados a empresas com administradores e gestores que se responsabilizam pelos ativos.

“O fundo traz mais conforto. O risco está atrelado ao mercado em si, e disso não há como se dissociar. Se o Bitcoin sobe ou desce, o ETF vai ter a mesma direção”, afirma. “Há pessoas envolvidas por regras de responsabilização firmes, então o risco acaba sendo mitigado.”

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Já as exchanges, como são chamadas as plataformas que negociam cripto de forma direta entre os investidores, ainda não são regulamentadas pela legislação brasileira e orbitam em uma espécie de “zona cinzenta”.

O projeto de lei para o enquadramento do mercado em território nacional já foi aprovado pelos senadores no fim de abril, mas enfrenta resistência na Câmara dos Deputados. A proposta chegou a ser colocada na pauta do dia para votação nas últimas semanas, sem sucesso.

Apesar da falta de regras claras para o funcionamento das plataformas, Marcelo Castro, advogado da área de tecnologia do Machado Meyer Advogados, refuta a crítica de que as empresas estão em um ambiente totalmente desprovido de leis.

“As exchanges se movimentam em um ambiente não regulado, mas não significa que elas podem fazer qualquer coisa”, diz. “É preciso observar uma série de normas, como o direito civil, o direito ao consumidor e as leis de proteção de dados”, pontua.

Custos também devem ser ponderados

Além das questões envolvendo segurança, investidores também devem considerar os custos de cada operação. Neste quesito, as exchanges apresentam vantagens.

As cinco opções de ETF com maior liquidez na Bolsa brasileira cobram taxa de administração entre 0,7% a 1,3% ao ano. O valor incide diretamente sobre o tamanho do investimento no papel, ou seja, quanto mais dinheiro aplicado, maior será a fatia da taxa.

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Exchanges, por outro lado, costumam cobrar pelas taxas de transição em cima do valor negociado, mas seguindo uma lógica regressiva: quanto maior a negociação, menor a taxa.

No Mercado Bitcoin, uma das principais plataformas do país, a valor varia entre 0,015% e 0,7%. Já na mexicana Bitso, que também atua no Brasil, a faixa está entre 0,08% até 0,4%.

Porém, há plataformas que podem cobrar outros tipos de taxas, como um pagamento por mineração e de custódia dos ativos.

Quedas seguem índices

As cinco opções de ETFs de criptomoedas com maior liquidez na Bolsa brasileira são divididas entre a QR Asset e a gestora de ativos Hashdex.

Todos são praticamente 100% expostos em criptos, com uma pequena fração do portfólio em outras opções, como câmbio e renda fixa, para a manutenção de custos operacionais.

Os papéis da QR seguem o índice do grupo CME, enquanto o EFT da Hashdex replica um índice com referência em criptos da Nasdaq.

Os ETFs indexados em BTC foram os que sofreram menos. O QR Bitcoin (QBTC11), registrou recuo de 57% desde o início do ano, praticamente igual ao tombo de 57,2% registrado pelo Bitcoin Hash (BITH11).

Na ponta de baixo, os fundos ligados exclusivamente ao Ethereum lideraram as perdas. O Ether Hash (ETHE11) caiu 69,2% desde o início do ano, enquanto QR Ether (QETH11) desabou 68,9%.

No meio da tabela aparece o Hashdex NCI (HASH11), o ETF mais bem posicionado na lista da B3. Ao contrário dos outros papéis do top5, o HASH11 está exposto a 11 tokens diferentes. Porém, apesar da variedade, 97% do total está distribuído entre Bitcoin (70%) e Ethereum  (26,9%).

Segundo João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex, opções mais diversificadas tendem a apresentar menos volatilidade aos investidores por atuarem em pontas distintas.

“O Bitcoin já foi superdominante, e perdeu esse status em alguns momentos. Não sabemos se no futuro ele vai ser dominante, ou se teremos outras moedas do mesmo tamanho ou até maiores”, afirma.

Para Alexandre Ludolf, CIO QR Asset, o atual cenário de queda acabam evidenciando as vantagens de ativos que possuem maior base de segurança aos investidores na retaguarda.

“Em momentos de bull market [mercado em alta], esses processos não aparecem muito. Tudo sobe quando a maré está boa. Mas momentos como os atuais provam a teoria das gestões reguladas”, afirma.

Parece ETF, mas não é

Refutando a ideia de que apenas ETFs trazem mais diversificação, Fabricio Tota, diretor de novos negócios no Mercado Bitcoin, cita as opções de investimento em tokens que replicam opções de investimentos em DeFi (sigla em inglês para projetos de finanças descentralizadas) e do metaverso.

O primeiro segue o DeFi Pulse Index (DPI), que rastreia o desempenho do setor e reúne projetos de finanças descentralizadas, enquanto o Metaverse Index (MVI) concentra iniciativas com foco na nova tecnologia.

“É o mesmo conceito de ETF, mas implementado por blockchains. Os ativos estão em contratos inteligentes. Quando a pessoa compra o token, compra junto todos os ativos”, explica.

Olho no longo prazo

Apesar do momento de queda, os agentes do mercado enxergam possibilidade de recuperação do mercado no longo prazo com a dissipação das atuais fontes de pressão.

Um dos pontos primordiais é a percepção do mercado sobre os rumos globais e os efeitos que a escalada dos juros terão sobre o desempenho das maiores economias do mundo.

Assim como os demais mercados de risco, investidores enxergam o momento de indefinição com cautela e buscam proteção em opções mais previsíveis, como a renda fixa, que se beneficia pelo aumento das taxas básicas por trazer mais rentabilidade.

Além do cenário macro, a sequência de notícias negativas envolvendo empresas e plataformas de criptoativos reforçaram o clima de aversão dos investidores nos últimos meses.

A espiral foi deflagrada pelo colapso da blockchain da Luna Foundation, em junho, e desencadeou uma série de crises. Atualmente, o ponto de contaminação está no risco de insolvência do fundo cripto Three Arrows Capital (3AC), que acabou desencadeando problemas em diversas outras plataformas.

“Investimento em cripto é mais longo, comparar o mercado com seis meses ou um ano não cabe bem”, afirma Cunha.

Apesar do crescimento do mercado nos últimos anos, Ludolf  diz que ainda há muito espaço para o crescimento do número de investidores. “Houve um aporte significativo por causa desse movimento de queda. Isso mostra que há gente olhando para o mercado”, afirma.

Na mesma linha, Tota cita as expectativas positivas para os investidores com notícias que podem reverter o humor do mercado, como o lançamento da tão esperada fusão da rede Ethereum.

“O mercado ficará volátil enquanto o cenário global não der sinais mais claros de para onde estamos indo e se a alta dos juros está ajudando a controlar a inflação mundo afora”, explica.

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