O rombo de R$ 20 bilhões da Americanas (AMER3) revelado na noite de quarta-feira (11) está acertando em cheio as ações da empresa, que estão em leilão neste pregão, e contaminando outras varejistas na B3.
Por volta das 11h10, o Ibovespa caía 0,47%, aos 111.993 pontos, com as maiores baixas (6,92% e 6,60%, respectivamente) de Via (VIIA3), a dona das Casas Bahia, e do Magazine Luiza (MGLU3).
Os papéis da Americanas estão em leilão (já prorrogado) até 12h, apontando para uma queda de 75%, para R$ 3,00.
Sergio Rial aponta problema “sintomático” do varejo
Para além do rombo, o até então diretor-presidente da Americanas, Sergio Rial, que deixou o cargo, particou de teleconferência com analistas na manhã desta quinta-feira (12) e declarou que o cenário enfrentado pela companhia pode ser sintomático do setor.
Rial informou que percebeu, ao assumir o cargo, que havia problemas no reporte de itens na conta “fornecedor” no balanço da companhia.
O executivo, que deixou a presidência do Santander Brasil no ano passado, disse que muitos pagamentos a fornecedores que eram financiados por bancos não eram considerados como dívida. “É um tema que permanece desde a década de 1990″, afirmou.
Diante da situação, bancos e corretoras estão colocando suas recomendações em revisão.
A Terra Investimentos, que tinha indicação de compra para Americanas até o último pregão e está reavaliando a recomendação com os novos acontecimentos, disse, em comunicado, que o setor de varejo como um todo deve passar por uma pressão vendedora, até haver mais clareza sobre as análises dos balanços e passivos. “Os bancos também, pois são credores nestes financiamentos”, disseram Régis Chinchilla e Luis Novaes, analistas da corretora.
As outras maiores baixas do Ibovespa hoje também estão correlacionadas ao setor varejista e ao e-commerce. Méliuz (CASH3) recua 5%, enquanto Cielo (CIEL3) perde 4,7%.