Powell reforça sinal de que alta de juros nos EUA vai desacelerar em dezembro e impulsiona bolsas

Presidente do banco central dos EUA alertou, porém, que juros podem ficar altos por mais tempo

Foto: Shutterstock/sasirin pamai

O presidente do banco central dos Estados Unidos (Fed), Jerome Powell, reiterou que a alta nos juros do país pode começar a perder força a partir de dezembro deste ano. A declaração ajudou a impulsionar os mercados de ações americano e brasileiro.

Em um discurso feito mais cedo, Powell disse que “faz sentido moderar o ritmo de alta nos juros conforme nos aproximamos de um nível de restrição suficiente para baixar a inflação”. Ele acrescentou: “o momento para essa moderação pode vir na reunião de dezembro”.

Não que o mercado estivesse esperando algo diferente. Na semana passada, o banco central dos Estados Unidos já havia sinalizado algo nesta linha, mas num documento que refletia discussões ocorridas no início de novembro.

O comentário de Powell é “fresquinho”, e pressupõe que a posição das autoridades do Federal Reserve continuou igual mesmo após a divulgação de dados sobre a inflação e o mercado de trabalho publicados depois da última reunião das autoridades, nos dias 1 e 2 de novembro.

Depois do discurso, os investidores ficaram ainda mais convictos de que os juros americanos subirão menos em dezembro.

Cresce aposta na alta de juros de 0,50 ponto pelo Fed

Segundo a CME FedWatch Tool, ferramenta que monitora as apostas do mercado em relação a estas taxas, a probabilidade de um aumento de 0,50 ponto porcentual dos juros no mês que vem aumentou de 66,3%, ontem, para 77,0%, hoje.

Nas quatro últimas reuniões do Fed, o banco central optou por aumentos mais intensos, de 0,75 ponto porcentual.

As bolsas aceleraram a alta após o discurso de Powell. O S&P 500, um dos principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos, operava em leve queda antes das declarações, mas deu um salto após os comentários e subia cerca de 2,41% por volta das 17h25.

No Brasil, o Ibovespa também caía antes das declarações, mas reagiu em alta e avançava 1,18% a pouco menos de uma hora para o fim do pregão.

Arthur Mota, economista do BTG Pactual, acredita que o mercado reagiu bem aos comentários de Powell justamente pela falta de novidades no discurso da autoridade.

“Ele replicou bastante vários trechos que a gente já conhecia não só da ata da última reunião, mas da própria da entrevista coletiva do início de novembro”, disse o economista.

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Ao mesmo tempo em que indicou um aumento menos intenso nos juros em dezembro, Powell reiterou no discurso que o momento da desaceleração é “menos importante” que o ponto até onde os juros vão precisar subir para controlar a inflação e o tempo que precisarão permanecer em níveis elevados.

“É provável que restaurar a estabilidade de preços exigirá manter a política em nível restritivo por algum tempo. A história adverte fortemente contra um afrouxamento prematuro. Vamos seguir no curso até que o trabalho esteja feito”, disse Powell.

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