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Juros dos EUA devem subir em março e guerra na Ucrânia entrará na conta, diz Powell

Juros dos EUA devem subir em março e guerra na Ucrânia entrará na conta, diz Powell

Economia dos EUA está aquecida e efeitos da guerra sobre o país serão monitorados de perto, diz presidente do banco central

Jerome Powell Federal Reserve

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. (Foto: Divulgação / Federal Reserve)

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O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, vai elevar a taxa de juros do país neste mês, e a elevação levará em conta os efeitos econômicos da invasão da Rússia à Ucrânia, afirmou o presidente da instituição, Jerome Powell.

Num discurso preparado para uma audiência com uma comissão da Câmara dos Deputados dos EUA, ele ressaltou que as implicações do conflito no Leste Europeu sobre a economia americana são “altamente incertos” e serão monitorados de perto.

Mesmo assim, afirmou que, com a inflação nos EUA rodando bem acima da meta de 2% ao ano e o mercado de trabalho aquecido no país, “esperamos que será apropriado elevar a taxa de juros” na reunião dos dias 15 e 16 de março.

Há meses a expectativa do mercado é de um aumento nos juros americanos em março. A dúvida que permanecia até então girava em torno do tamanho desta alta.

Dados do CME Group mostram que o mercado negociava juros futuros prevendo 92,5% de probabilidade de as taxas subirem 0,25 ponto porcentual (pp) nos EUA neste mês. Há uma semana, quando começou a invasão da Rússia à Ucrânia, este índice era menor, de 66.3%, com os 33,7% restantes apontando para um aumento de 0,50 pp.

Powell chegou a dizer aos congressistas que está “inclinado” a defender um aumento de 0,25 pp nos juros em março, mas ressaltou que o aumento pode ser maior a depender dos efeitos da guerra na Ucrânia sobre a economia.

“Vimos preços da energia subir, isso vai empurrar a inflação, pesar sobre o consumo. Vimos o efeito sobre ostras commodities. Não podemos saber o quão grandes ou persistentes estes efeitos serão”, afirmou o presidente do Fed.

“Nossa expectativa é de que inflação vai atingir um pico e começar a cair neste ano. Caso a inflação ficasse mais forte ou persistentemente mais alta, estaríamos preparados para nos mover mais agressivamente para aumentar taxa de de juros em mais de 0,25 pp”, acrescentou.

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No discurso aos deputados, Powell ressaltou que a atividade econômica nos EUA está forte, apesar de uma breve desaceleração no início do ano em função de uma nova onda de casos de Covid-19 no país. Também disse que o mercado de trabalho americano está “extremamente” aquecido, e que a inflação aumentou significativamente no ano passado, resultado de gargalos na produção, o que provocou aumento de preços cada vez mais disseminado.

“Os efeitos de curto prazo sobre a economia dos EUA vindos da invasão da Ucrânia, da guerra em andamento, das sanções e de eventos futuros continuam altamente incerto. Fazer política monetária apropriada neste ambiente requer o reconhecimento de que a economia evolui de formas inesperadas. Precisaremos ser ágeis para responder aos próximos dados”, acrescentou.

Como os juros dos EUA afetam seus investimentos

Quando os juros sobem em países desenvolvidos, em especial na maior economia do mundo, que é a americana, a tendência é que aconteça um fenômeno batizado de “flight to quality” (quando investidores deixam ativos de maior risco, como os de países emergentes como o Brasil, para buscarem papéis considerados mais seguros).

Nesse cenário, nossos juros futuros tendem a subir, e isso tem efeito direto sobre a bolsa, em especial sobre empresas de consumo.

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