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Dados sobre indústria mostram pressão inflacionária firme na zona do euro

Dados sobre indústria mostram pressão inflacionária firme na zona do euro

IHS Markit aponta que demanda por bens industriais supera capacidade de produção das empresas

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A demanda por bens industriais continua mais forte do que a produção na zona do euro, o que deve sustentar a atual pressão inflacionária no bloco, segundo análise da IHS Markit.

O indicador da instituição a respeito da atividade industrial da zona do euro mostrou que as novas encomendas às empresas da região aumentaram em novembro, mas que a produção não conseguiu acompanhar o ritmo. “As cadeias de suprimento continuam a se deteriorar a uma taxa preocupante”, disse o economista-chefe para empresas na IHS
Markit, Chris Williamson.

Os números mostraram que o atraso na entrega de insumos está em níveis nunca antes observados, depois de terem atingido recorde em maio deste ano. “Esta escassez de matéria-prima restringiu o crescimento da produção até agora no quarto trimestre ao nível mais baixo do último ano e meio”, acrescentou.

“É a constrição da produção em relação às novas encomendas que ajuda a explicar por que as pressões de preço estão tão fortes”, afirmou Williamson. Com isso, os preços de bens industriais subiram num ritmo que supera qualquer outro previamente registrado nos últimos 20 anos, acrescentou.

Inflação em alta

O economista disse que os preços mais altos na porta da fábrica sugerem que a inflação ao consumidor ainda deve ganhar força. “Enquanto a produção continuar em atraso em relação às novas encomendas, os preços terão uma tendência de alta”, afirmou Williamson.

E na zona do euro a inflação está forte: dados preliminares mostram uma taxa de 4,9% nos 12 meses encerrados em novembro. O índice é recorde e deve aumentar o receio dentro do comitê de política monetária do Banco Central Europeu a respeito dos riscos de os preços ficarem acima do que a instituição prevê. Isto, em contrapartida, pode levar a um aumento antecipado nos juros.

Como isso afeta seus investimentos

Há anos o Banco Central Europeu e instituições semelhantes nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos mantêm os juros perto de zero e injetam recursos no sistema financeiro para garantir crédito barato aos consumidores e empresas. Isso reduziu as taxas de retorno de investimentos em renda fixa nestes países, e fez muitos investidores migrarem para outras aplicações mais arriscadas e rentáveis – como ações, commodities e ativos de países emergentes.

A inflação elevada pode gerar uma reversão desta política e inverter este fluxo de investimentos. Ontem a bolsa brasileira sentiu os efeitos disso após o presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, falar que pode ser necessário remover mais cedo do que o esperado os estímulos que a instituição oferece à economia local.

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