O Banco Central Europeu acelerou o ritmo de aperto monetário e decidiu nesta quinta-feira (8) elevar os juros da Zona do Euro em 0,75 ponto percentual. Na última reunião, a autoridade monetária havia subido a taxa em 0,50 ponto.
O aumento mais agressivo tem como objetivo combater uma inflação anual que caminha para os 10%. No final do mês passado a Eurostat, escritório de estatística do bloco, informou que a alta de preços na região atingiu um novo recorde em agosto, acelerando para 9,1% em 12 meses.
Esse é o maior patamar da história do bloco comercial, que foi criado em 1999, indicando que a Europa pode estar no caminho de uma há até pouco tempo impensável alta de preços de dois dígitos.
“Este passo importante antecipa a transição do nível extremamente acomodatício prevalente das taxas de juro diretoras para níveis que assegurarão um regresso da inflação ao objetivo de 2% a médio prazo estabelecido pelo BCE”, afirmou o BC europeu em comunicado da decisão.
Em julho, o BCE surpreendeu o mercado ao zerar a taxa europeia, que estava negativa, dando início ao ciclo atual de aperto – foi o primeiro aumento nos juros referenciais desde 2011.
A decisão foi tomada em meio ao agravamento do cenário de crise energética na Europa, cenário que ontem impulsionou as commodities e a bolsa brasileira. A Rússia sinalizou que só restabelecerá o fornecimento de gás à Europa através do gasoduto Nord Stream se as sanções do Ocidente ao país forem levantadas.
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O BCE perdeu parte de sua credibilidade no combate à inflação porque, assim como outros bancos centrais de países desenvolvidos, chegou a classificar a alta de preços como transitória – o que depois se provou uma leitura incorreta do cenário econômico.