A ata da última reunião do Fomc, colegiado de política monetária do Federal Reserve, reafirmou ao mercado as preocupações do banco central americano com a inflação elevada nos EUA, ao mesmo tempo em que frisou a dificuldade dos membros do comitê em determinar o impacto da alta nos juros, que vem acontecendo desde o início do ano, na ponta.
Os participantes, de acordo com o documento divulgado nesta quarta-feira (17), enfatizaram esse risco, frisando a importância de o comitê adotar uma postura “dependente de dados” para julgar o ritmo e magnitude das próximas altas juros.
As bolsas americanas reagiram bem ao texto, já que desde o último encontro, há três semanas, foi divulgado um dado que surpreendeu positivamente: o CPI (índice de preços ao consumidor) de julho mostrou estabilidade em relação a junho.
Por volta das 15h40, o Dow Jones estava em alta de 0,01%, o S&P 500 perdia 0,10% e o Nasdaq estava em queda de 0,42%, uma boa melhora em relação ao cenário antes da divulgação da ata: quedas de 0,45%, 0,66% e 1,20%, respectivamente, 15 minutos antes da publicação.
“Muitos participantes observaram que, em um cenário de constante mudança na natureza do ambiente econômico e da existência de longos e variáveis atrasos sobre os efeitos da política monetária sobre a economia, existia também o risco de o comitê apertar a política mais do que o necessário para restaurar a estabilidade de preços”, afirmou o documento.
Nesta quarta pela manhã, foi divulgada a informação de que as vendas do varejo excluindo automóveis e combustíveis subiram 0,4%, bem mais que os 0,1% esperados pelo mercado, o que fez o mercado aumentar as apostas em uma nova alta mais intensa nos juros.
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Antes da divulgação do indicador, os investidores viam 59% de chance de a instituição anunciar um aumento de 0,50 ponto porcentual nos juros no mês que vem. Depois da divulgação, esse índice caiu para 47,5%, segundo dados do CME Group.
Em compensação, o mercado passou a ver probabilidade de 52,5% de o Fed aumentar os juros em 0,75 ponto porcentual em setembro. Antes dos dados sobre as vendas no varejo, esse índice era de 41,0%.
Depois da ata, o cenário voltou a mudar. Por volta das 15h40, a expectativa era de 59,5% de chance de aumento de 0,50 ponto, e uma aposta menor, de 40,5%, em uma alta mais agressiva, de 0,75 ponto, no encontro de setembro.
Maior inflação em quatro décadas
O Federal Reserve decidiu no final de julho voltar a elevar os juros americanos em 0,75 ponto percentual, ao intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano.
Todos os membros do Fomc, colegiado de política monetária do Fed, votaram a favor de manter o ritmo de aumento em 0,75 ponto.
O Fed está aumentando rapidamente os juros dos EUA desde o início deste ano, para tentar controlar uma alta de preços que, em 12 meses, é a maior desde 1981.
Na reunião do Fomc (colegiado de política monetária do Fed) do mês passado, a instituição já havia elevado os juros em 0,75 ponto.
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Indicadores recentes vem mostrando sinais preliminares de fraqueza da economia americana, o que já faz parte dos investidores apostarem em uma desaceleração do ritmo de altas nas próximas reuniões.