Contra a maré vermelha: Ripple e outras criptos valorizaram até 60% em meio à crise do mercado

Enquanto Bitcoin e Ethereum sofrem, altcoins disparam com a proximidade da Copa do Mundo e com desdobramentos judiciais

Foto: Shutterstock/aricancaner

Os principais ativos do mercado cripto entraram no último trimestre de 2023 “andando de lado” e pressionados pelo pessimismo que tomou conta da economia global.

Nos Estados Unidos, o clima é de preocupação com a perspectiva de mais aumentos nos juros, e na Europa o receio é com a escassez de combustíveis e o agravamento da crise energética às portas do inverno. Isso sem falar na situação da China, que deve abandonar o padrão de alto crescimento econômico neste ano por causa da Covid-19.

Esse azedume afeta o mercado de criptomoedas. Desde meados de setembro, o Bitcoin (BTC) luta para se manter acima de US$ 19 mil, o pior patamar desde junho. Já o Ethereum (ETH), a segunda maior cripto em capitalização de mercado, despencou 14,4% desde o início do mês passado, após o fim da euforia dos investidores com a atualização da blockchain.

Mas nem tudo é notícia ruim. Nadando contra a maré vermelha, um grupo de criptos chama a atenção pela forte valorização nas últimas semanas. Em alguns casos, a alta supera a casa de 60%. O impulso para cima tem origem diversas, desde a expectativa de vitória em processos na Justiça americana até a Copa do Mundo, que será realizada entre novembro e dezembro no Catar.

Apesar das boas oportunidades oferecidas por esses refúgios em meio ao inverno cripto, analistas ressaltam que o mercado segue bastante volátil, e que altas surpreendentes em um curto espaço de tempo podem ser seguidas de quedas – e prejuízos – de mesma magnitude.

Confira abaixo alguns exemplos de criptos que estão na contramão do pessimismo do mercado.

Ripple (XRP)

token da rede Ripple foi lançado como uma aposta para pagamentos digitais. A ideia acabou não vingando, mas o ativo seguiu no mercado e hoje está entre as 10 maiores criptos em valor de mercado. Desde 2020, a plataforma enfrenta um processo da SEC, o xerife do mercado financeiro americano, envolvendo a venda de ativos.

Recentes movimentações no processo indicando a vitória da Ripple desencadearam uma euforia entre os investidores, o que levou a XRP a saltar quase 40% nos últimos 30 dias, cotada nesta terça-feira (4) a US$ 0,46. Na penúltima semana de setembro, a alta chegou a 63%.

O entusiasmo, porém, pode ter fôlego curto. Em relatório, a exchange Coinext destaca que a alta de preços pode ter atingido o teto, “gerando a necessidade de entender o melhor momento para comprar Ripple”.

Felipe Medeiros, analista de criptomoedas e sócio da Quantzed Criptos, reforça a cautela ao destaca que o processo na Justiça americana ainda não chegou ao fim, e que possíveis inclinações contrárias à Ripple podem levar à queda do ativo.

“O final positivo para a Ripple não está garantido. O tribunal pode decidir a favor da SEC e isso gerar um efeito negativo na XRP”, ressalta.

Algorand (ALGO)

O álbum da Copa do Mundo do Catar virou uma febre entre crianças, jovens e adultos nas últimas semanas, e claro que o mundo de NFTs (tokens não fungíveis, na sigla em inglês) não iria ficar de fora dessa onda de colecionáveis.

Apesar do derretimento da indústria de arquivos digitais desde o início do ano, a cripto da plataforma Algorand disparou depois de a empresa firmar um encontro com a Fifa para o lançamento de NFTs com os principais lances e acontecimentos do mundial de futebol

Rony Szuster, especialista em cripto do Mercado Bitcoin, afirma que a ideia se assemelha ao top shots, uma coleção de NFTs da NBA que fez bastante sucesso entre fãs e investidores nos últimos meses. “Mesmo com o mercado desaquecido de NFT, ele funciona como um pacote de figurinhas com lances associados à Copa”, explica.

O interesse fez a cripto ALGO valorizar 13% nos últimos 30 dias, negociada atualmente na faixa de US$ 0,35.

Apesar dessa alta, os analistas voltam a pregar cautela pelo efeito limitado da medida. Além da fuga dos investidores dos NFTs, o fim do mundial, em dezembro, tende a fazer os ativos perderem valor.

“É algo no curtíssimo prazo. A partir do momento que passa o efeito da Copa, a expectativa de alta passa, fazendo com que o preço caia de uma forma muito rápida”, pontua Medeiros.

Cosmos (ATOM)

O ATOM, cripto nativa do ecossistema de blockchains Cosmos, também apareceu no radar dos analistas nas últimas semanas após a plataforma divulgar o seu novo whitepaper, como é chamado o documento que aponta as diretrizes do sistema.

O documento conta com mudanças neste mês, com foco em melhorias na segurança na rede e no modelo de emissão do ATOM.

Desde o início do mês passado, a cripto subiu 1,3%, negociada acima de US$ 13. No último trimestre, porém, a alta chegou a 58%.

“Caso a implementação ocorra como esperado, ATOM pode apresentar uma valorização interessante e se tornar uma rede ainda mais importante para o universo cripto”, informou a Coinext.

E o Bitcoin e o Ethereum?

Após um período de alívio em julho, o inverno cripto que derrubou o mercado na primeira metade do ano voltou com tudo em agosto e jogou novamente as criptos no campo negativo. Segundo os analistas, o horizonte não aponta sinais de reversão desse quadro.

Assim como no primeiro semestre, o novo ciclo de baixa é puxado pelos sinais de aceleração dos juros americanos, e o temor de que o aperto monetário jogue a maior economia do mundo em recessão.

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“Está tudo negativo por causa desse cenário macro. Até mesmo as criptos que se valorizaram, elas teriam ido muito melhores se o mercado todo estivesse em alta”, pontua Szuster.

Apesar do recente alívio do temor com a expectativa de juros menos agressivos nos EUA que impulsionou o mercado no início de outubro, a perspectiva para os próximos meses continua sendo negativa.

“Não há nenhuma perspectiva [de melhora] até o fim do ano. Até lá, devemos ter notícias sobre inflação e juros, e o preço do Bitcoin e Ethereum tende a ficar mais fraco”, diz Medeiros.

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