Para a XP, a cena desenhada nas três últimas reuniões do Copom, quando o colegiado do BC decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, deve continuar a ser vista por um bom tempo.
Em evento para apresentar a perspectiva da empresa para 2023 a jornalistas, o economista-chefe da corretora, Caio Megale, afirmou que vê a taxa básica de juros brasileira encerrando o ano que vem no patamar atual, devido a uma política fiscal mais expansionista no governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Postergamos o ciclo de flexibilização monetária que esperávamos para o ano que vem para 2024. Vemos a taxa em 13,75% como já alta, mas não vemos uma possibilidade de cortar tão cedo”, afirma Megale.
Para o economista, o novo governo possui uma “expansão fiscal já contratada”, com uma projeção de quase R$ 200 bilhões em despesas além do que se previa. Somado a isso, a XP espera que a dívida bruta do governo corresponda a 74,8% do PIB neste ano e 79,7% do PIB no ano que vem.
Para 2024, a política monetária dependerá da nova âncora fiscal, que o novo governo decidirá ao longo de 2023. Para Megale, uma maior previsibilidade da dinâmica da dívida pode fazer a Selic baixar.
“Entretanto, se o regime fiscal estiver mudando, o nível de equilíbrio da taxa Selic também pode mudar tanto em termos reais quanto nominais. Se assim for, o Copom pode precisar retomar o ciclo de aperto no próximo ano”, avalia.
A XP projeta, portanto, um valor acima do que a média do mercado para a Selic no ano que vem. Na última edição do Boletim Focus, os analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central esperam que a taxa básica de juros brasileira encerre 2023 em 11,75%.
Copom decidiu manter Selic na véspera
Como esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu na quarta-feira (7) manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano. Esse foi o último encontro do colegiado em 2022. A próxima reunião será nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2023.
Essa foi a terceira vez consecutiva em que o comitê decidiu manter os juros básicos nesse patamar. O ciclo de aperto monetário, iniciado em março de 2021 com a taxa no piso histórico de 2% ao ano, foi encerrado na reunião de agosto.